Instituições capacitam jovens em situação de vulnerabilidade

09/05/2018 09:16:03

As dificuldades que surgem na vida do jovem que almeja conseguir o primeiro emprego são diversas. A situação torna-se ainda mais complicada, caso ele não tenha ciência das expectativas que o mercado de trabalho espera, uma vez que aqueles que possuem capacitação profissional estão um passo à frente de quem não possui conhecimentos básicos da carreira. Antes de o jovem ingressar no trabalho, existem instituições que desenvolvem questões de cidadania e postura profissional para criar um incentivo. De acordo com Marina Zanelato Costa, administradora da CAC (Casa do Aprendiz Cidadão), a instituição oferece cursos e projetos voltados à faixa etária de 14 a 24 anos, e procura conceder o auxílio gratuito àqueles que estão em estado de vulnerabilidade social. Conforme explica Jéssica Tumitan, analista de marketing da Fundação Mirim, na instituição os cursos são oferecidos à mesma classe social, no entanto, trabalham com a faixa etária restrita a jovens entre 15 e 17 anos.

 

VULNERABILIDADE SOCIAL

Marina explica que é importante o jovem buscar capacitação para conseguir o primeiro emprego. Durante o processo de triagem para adentrar na Casa do Aprendiz Cidadão, são selecionados aqueles que se encaixam no perfil de vulnerabilidade social. Essa escolha é feita após análise de uma equipe formada por assistência social, coordenação pedagógica e psicologia. Não diferente da instituição, Jéssica explica que na Fundação Mirim, o processo é o mesmo e ressalta a importância em realizar a visita na casa dos candidatos para conhecer a realidade da família. “Nós também priorizamos o público que tem carência social, uma vez que são uma parte da sociedade que precisa de um incentivo a mais para realizar atividades e participar do mercado de trabalho”, diz.

 

CONFIANÇA NO TRABALHO

Conforme explica Jéssica, a procura por vagas no local são muitas, contudo, “priorizamos aquele que realmente necessita” para ter acesso à preparação profissional. Por meio dos cursos, Marina diz o jovem vai se sentir mais seguro para entrar no mercado de trabalho e desenvolver na prática as atividades que aprendeu na teoria. Pelo fato de a exploração do trabalho infantil ser algo bastante debatido atualmente, ela acredita que tais instituições têm um papel fundamental para fazer com que ele se qualifique e trabalhe formalmente, o que faz com que saia da linha de vulnerabilidade social.

 

EMPRESAS PARCEIRAS

Para que o ingressante receba o incentivo profissional, Maria esclarece que ele sente “motivado” quando recebe a carteira de trabalho assinada, conforme a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A busca pelas empresas que contratam os jovens aprendizes é realizada pela equipe administrativa, que procura parcerias com corporações da cidade para investirem no ingressante. Jéssica ressalta que quando esse contato ocorre, é dever do adolescente que não possui experiência alguma na área, “ter a conduta diferenciada de aprender lá dentro”, o que pode possibilitara uma futura contratação.

 

SAIBA MAIS

Para quem tem interesse em tentar uma oportunidade na Fundação Mirim, é necessário realizar uma prova de caráter não eliminatório para que a equipe tenha ciência das dificuldades do jovem em língua portuguesa e matemática. Além disso, ocorre também uma entrevista com o candidato e triagem com equipe especializada. As inscrições são abertas no mês de janeiro e disponibilizam em torno de 350 vagas. Na Casa do Aprendiz Cidadão, as inscrições têm início duas vezes ao ano, em janeiro e julho. Por meio da equipe de triagem, também é realizado um processo de análise do perfil do jovem ingressante.

 

JOVENS QUE PARTICIPAM DE CURSOS E PROJETOS DAS INSTITUIÇÕES

Durante o período de existência da Fundação Mirim e da Casa do Aprendiz Cidadão, foram diversas as quantidades de jovens que passaram pelas instituições. Atualmente, os números continuam elevados, uma vez que se faz necessário inserir esse público no trabalho formal.

 

600

Quantidade de adolescentes cadastrados na Fundação Mirim de Presidente Prudente

 

210

Número aproximado de jovens da instituição que estão registrados nas empresas

 

35 mil

Estimativa de mirins que passaram pela instituição durante 58 anos de existência

 

1.500

Jovens estão matriculados na Casa do Aprendiz Cidadão neste ano

 

380

É o número aproximado à quantidade de aprendizes inseridos no mercado de trabalho

 

10 mil

Quantidade equivalente aos jovens atendidos pela instituição durante 39 anos de existência

 

CURSOS PREPARATÓRIOS OFERECIDOS PELAS INSTITUIÇÕES

 

Fundação Mirim

Qualificação, orientação e educação para o trabalho

Operador de loja e mercado

Auxiliar administrativo

 

Casa do Aprendiz Cidadão

Rotinas administrativas

Serviço de atendimento ao cliente

Frentista

Vendedor do comércio varejista e atacadista

Recepcionista

Produção industrial

Auxiliar de seguros

Auxiliar de saúde

Serviço de convivência e fortalecimento de vínculo

ROBERTO KAWASAKI
Da Reportagem Local

 

perfil

Foto: Marcio Oliveira

 

Nome e idade: Bruno César Santos Lopes, 18 anos

Escolaridade: Ensino médio completo

Ramo de trabalho: Aprendiz auxiliar de estoque

Cidade de origem: Presidente Prudente

 

Por qual motivo buscou a inserção no mercado de trabalho? E por que o trabalho aqui em Presidente Prudente?

Nos dias de hoje, as empresas buscam pessoas com experiência em todas as áreas, e a inserção na Casa do Aprendiz Cidadão foi um impulso onde eu percebi que poderia contribuir para o meu futuro. Quando tive essa ideia, não estava atrás de salário, mas de ingressar no mercado de trabalho, o que abriu portas para a minha carreira. Por meio disso, fui trabalhar em uma empresa e fiquei como aprendiz durante um ano e três meses e, na semana passada, recebi a notícia de que irão me efetivar. Eu escolhi Prudente por ser uma cidade grande, o que possibilita maiores aberturas de portas. Isso também ajuda na minha locomoção, pois moro aqui.

 

Qual sua perspectiva para o mercado de trabalho? Onde vai procurar emprego?

Antes de ingressar no mercado, eu fiz o curso onde aprendi as rotinas administrativas, ética, dentre outros ensinamentos que precisei levar para dentro do trabalho. Na empresa onde sou aprendiz, além de ser auxiliar de estoque, aprendi a desenvolver outras atividades como a área de mecânica. Isso foi algo que eu não esperava, porque meu objetivo de carreira é conhecer e crescer também em outras áreas. Mas como nada é fácil, meu foco é continuar trabalhando onde estou e juntar dinheiro para alcançar minhas metas.

 

Quais dúvidas existem em relação ao início das atividades na área escolhida?

No começo eu tinha receio em conseguir um emprego que não me deixasse feliz. Além disso, acreditava que a entrada no mercado de trabalho seria rápida, sem formação alguma. Mas quando passei pelo curso, me senti preparado para exercer qualquer atividade, sempre pensando em crescer cada vez mais e não pensar no salário inicial. Eu tinha medo de não conseguir desenvolver atividades básicas ou ser rejeitado por ser aprendiz, mas ocorreu tudo de maneira positiva.

 

Além de trabalhar, o que costuma fazer em Presidente Prudente?

Nas horas vagas, eu gosto de descansar, não existe coisa melhor que isso. Dependendo do dia, procuro sair com minha namorada aos finais de tarde ou convido meu pai para jogar futebol. Mas sempre procuro esfriar a cabeça com essas atividades de lazer e por incrível que pareça, tenho o costume de ler jornais todos os dias [risos], hábito que a nossa geração não faz.

 

agenda

 

QUARTA-FEIRA

 

A revolução do conteúdo e as habilidades que o mercado exigirá de você

Local: Auditório Buriti

Endereço: Rodovia Raposo Tavares, 572 – Campus 2 da Unoeste - Bairro do Limoeiro

Telefone: (18) 3229-2003

Horário: das 19h à 22h

Convite: Público inscrito

Atividade: A palestra faz parte da 23ª Semana de Comunicação da Facopp (Faculdade de Comunicação Social de Presidente Prudente) e apresenta o bate-papo com Cássio Politi, fundador da Tracto e especialista em marketing de conteúdo. Ele é autor do livro Content Marketing – o conteúdo que gera resultados.

 

SEXTA-FEIRA

 

Mostra: Vozes da Literatura no Cinema

Local: Centro Cultural Matarazzo

Endereço: Rua Quintino Bocaiúva, 749 – Vila Marcondes

Telefone: (18) 3226-3399

Horário: 19h30

Convite: Gratuito

Atividade: Será exibido o filme “A Espuma dos Dias”, com direção de Michel Gondry. A obra conta a história de Colin, um menino rico que gosta de jazz e de patinar com os amigos. Ao conhecer Chloe, eles logo se apaixonam. No entanto ela sofre de uma doença incomum: uma flor de lótus que cresce em um de seus pulmões.

 

SÁBADO

 

Mostra: Vozes da Literatura no Cinema

Local: Centro Cultural Matarazzo

Endereço: Rua Quintino Bocaiúva, 749 – Vila Marcondes

Telefone: (18) 3226-3399

Horário: 19h30

Convite: Gratuito

Atividade: Será exibido “O Filme da Minha Vida” sob a direção de Selton Mello. No longa o jovem Tony retorna à sua cidade natal em Remanso, na Serra Gaúcha. Ao chegar ele descobre que seu pai Nicolas voltou da França, alengando sentir falta dos amigos e do país de origem. Na históri, Tony acaba tornando-se professor e se vê em meio aos conflitos e inexperiências juvenis.

 

na balada

Beatriz Galvão, Yoko Shintaku, Bruna Tanaka e Jéssica Mizukawa

 

Taíne Correa e Nelise Pinheiro

 

dica de leitura

AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL

Em “As vantagens de ser invisível”, Stephen Chbosky noz traz a um cenário que deve ser discutido: a depressão e bipolaridade na juventude. Na literatura, Charlie é um garoto de 16 anos que sofreu desde muito cedo, e ao chegar à sua adolescência, se sentia invisível e até mesmo estranho. O livro tem uma delicadeza imensa ao tratar de temas polêmicos, como sexo, abuso de menores e drogas, além de dramas familiares e relações humanas. Escrito em formato de cartas e, por isso, em primeira pessoa, a intimidade aberta pelo jovem nos faz sentir parte dele. Apesar do drama, são momentos íntimos que muitas vezes são até hilários, quando não devastadores. A escrita de Charlie é direcionada ao que ele chama de “Querido Amigo”, a fim de mostrar o seu dia a dia e como os problemas interferem no crescimento, além da necessidade das amizades. Mais para frente nos faz crer que nós somos essa pessoa a quem ele escreve. Ao longo da trama, podemos vê-lo amadurecendo, lidando com seus transtornos de forma ideal e, finalmente, mostrando que não é mais invisível, mas sim infinito.

 

Ficha técnica

Autor: Stephen Chbosky

Editora: Rocco

Páginas: 223

Preço: R$ 19,90

 

THIAGO MORELLO 
Da Redação
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