Indústria estagna e agricultura expande mercados

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 14/09/2018 06:14:00

Assim como uma empresa do setor de serviços pode ser descontinuada no mercado em função de causas internas, como ineficiência de gestão, ausência de um bom planejamento e qualificação de pessoal, há também as externas, como a falta de políticas de incentivos. Este também é um desafio enfrentado pela indústria de Presidente Prudente. De acordo com o diretor regional do Ciesp/Fiesp (Centro e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Wadir Olivetti Junior, torna-se necessário um olhar mais direcionado para a criação de novos distritos industriais e incubadoras de empresas; e concessão de terrenos para a construção de barracões e incentivos fiscais para atrair novos investimentos. “A desburocratização como um todo favoreceria o setor, sendo assim, é preciso um olhar clínico do poder público para que possamos avançar na geração de novos empregos e renda”, avalia.

Wadir acredita que, embora a indústria tenha um “papel importante” para o desenvolvimento de Prudente, é fundamental que sejam instaladas novas empresas para atender não só a demanda do município, como de toda a região. De modo geral, pondera que o município possui, contudo, um segmento bastante diversificado em termos de mercado, sendo responsável pela produção e escoamento de produtos básicos, como o couro, açúcar, bebidas, alimentos e vestuários.

Agricultura e pecuária

Em segundo lugar, mas não menos importante, está a agropecuária, que é uma das bases da economia prudentina, sobretudo se considerada a agricultura familiar, um dos pilares fomentados pela Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral). Para o diretor regional do órgão, engenheiro agrônomo Marco Aurélio Fernandes, os carros-chefes deste segmento são a pecuária de corte e a de leite, além da olericultura, quando vinculada a políticas públicas. Ele argumenta que, hoje, o Estado dispõe de diversas linhas de financiamento a fim de conceder ao homem do campo a oportunidade de buscar linhas de crédito e fazer investimentos em suas propriedades, tecnologia de máquinas, aquisição de animais, renovação de pastagem e adubação.

Um dos pontos negativos, todavia, é que boa parte das produções ainda é vendida de forma individualizada. Nesse sentido, uma das funções dos extensionistas da Cati é incentivar os agricultores e pecuaristas a se associarem por meio de cooperativas, com o objetivo de agregar a comercialização de produtos e aquisição de insumos e, consequentemente, pleitear recursos junto ao governo do Estado. Ele aponta como um exemplo o trabalho de uma cooperativa da região que investiu na construção de uma packing house e em equipamentos para o preparo de nhoque de batata e mandioca. “Isso permitiu que o grupo acessasse novos mercados que antes não alcançavam. Se antes vendiam só a alface, agora conseguem comercializá-la picada em uma bandeja. A mandioca, por sua vez, ao invés de chegar in natura ao comprador, é transformada em um alimento pré-cozido para consumo”, expõe.

Em linhas gerais, Marco defende que essa abertura para novos mercados otimizou o trabalho do homem do campo e estreitou suas relações com o consumidor, o que reflete diretamente na economia local. “Se há a diversificação de produção dentro da propriedade, são maiores as chances de obter uma receita contínua durante o ano todo”, pontua.

Estilo do Site
  • Luz
  • Alto Contraste