Inadimplência no comércio chega a R$ 18,6 milhões

Levantamento realizado no início de agosto mostra que são 13.154 devedores no sistema da Acipp, com 22,5 mil débitos cadastrados

GABRIEL BUOSI - Da Redação • 11/08/2018 04:02:00

De acordo com Acipp, montante devido "faz falta ao comércio". Foto: Arquivo

O comércio de Presidente Prudente, no início de agosto deste ano, registra o total de dívidas ativas cadastradas junto à Acipp (Associação Comercial e Empresarial de Presidente Prudente) no valor de R$ 18.614.856,20, referentes aos 13.154 devedores no sistema da entidade, que possuem 22.589 dívidas cadastradas. O dado é a soma da dívida ativa dos últimos cinco anos e para o presidente da associação, Ricardo Anderson Ribeiro, representa um montante que faz falta aos lojistas. “O que mais nos preocupa, com isso, é que as pessoas inadimplentes ficam sem crédito e o comércio é diretamente atingido, muitas vezes, pelo baixo aquecimento”, esclarece. Já o economista Eder Canziani afirma que a população “está cansada” de se ver na recessão, desde meados de 2014, o que pode ter influenciado no retorno às compras nos últimos anos, mas que não isenta a falta de dinheiro ou de planejamento para arcar com as dívidas.

Conforme a Acipp, os dados referentes à dívida ativa foram registrados em 6 de agosto deste ano, quando passaram dos R$ 18,6 milhões, sendo que do total, R$ 2.295.099,07 foram registrados apenas nos sete primeiros meses deste ano, com 4.456 dívidas adicionadas e 2.477 devedores. Em nível de informação, o ano de 2017 fechou o período com R$ 8.950.453,39 na dívida ativa, com 6.731 casos registrados, e 4.422 devedores cadastrados.

De acordo com Ricardo, os R$ 18,6 milhões fazem falta ao comércio de Prudente, mas a preocupação maior está em cima dos inadimplentes, que passam a não ter mais crédito e, consequentemente, deixam de consumir. “Desta forma, o munícipe perde o poder de consumo e não consegue mais realizar as compras em prestações e, muito menos, no dinheiro. Vejo que muitos querem tentar limpar os seus nomes, e nossas esperanças são sempre quando surgem os dinheiros extras, como benefícios, e salários a mais, como o 13º”, ressalta.

O presidente da Acipp afirma ainda que pela experiência que possui, entende que são diversas as causas da inadimplência no comércio, como a falta de planejamento, pessoas que ficam desempregadas e não conseguem pagar as dívidas, problemas de saúde e que demandam o investimento financeiro, mas elenca, principalmente, a falta de reserva de dinheiro para as demais situações. “Aconselhamos que cada loja faça sua negociação individual e chame essas pessoas para que haja um diálogo. Muitos não vão atrás dos comerciantes por medo, mas com a conversa tudo pode ser resolvido”, orienta. Mesmo elevado, ele lembra que o valor da dívida ativa não surpreende, já que está dentro da média dos últimos anos.

“Comércio criou oportunidades”

Para o economista, a população “está cansada” de se ver na crise, o que faz com que muitos tenham a necessidade de voltar a consumir produtos que não sejam apenas de necessidade, o que são as chamadas compras por desejo. “Esse tipo de consumo é bom apenas para o comércio, isso se ele receber. Realmente, nos últimos tempos temos visto que esse tipo de consumo tem voltado, o comportamento está mudando novamente, mas é necessário planejamento”, esclarece.

O cenário, que é preocupante para Eder, também pode ser o resultado de uma série de mecanismos criada pelo próprio setor, que possui a necessidade de manter as vendas no ritmo e acaba, desta forma, criando oportunidades de longos parcelamentos, preços mais atrativos e aumento de crédito, que também diminuiriam os efeitos da crise. “É um mecanismo bom, mas que também traz riscos, como os números que estamos analisando”.

SAIBA MAIS

A Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), com a intenção de mostrar a importância da educação financeira nas empresas, realizou um estudo em parceria com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Instituto Axxus, e revela que 84% dos trabalhadores estão com problemas financeiros. “Foram entrevistadas 2 mil pessoas de 100 empresas, em nove Estados e no Distrito Federal. O estudo revela que 16% dos colaboradores são capacitados financeiramente, e 85% enfrentam dificuldade para lidar com o dinheiro”, expõe a Abefin.

Estilo do Site
  • Luz
  • Alto Contraste