Inadimplência nas mensalidades fica em 6,95%

Para diretora do Sieeesp, "baixo reajuste" no valor contribui para queda no primeiro mês do ano e estabilidade no segundo

ANDRÉ ESTEVES - Da Reportagem Local • 14/03/2018 11:57:14

. Foto: José Reis, Encontro com diretoria estadual do Sieeesp ocorreu na manhã de ontem, em hotel prudentino

A inadimplência em escolas particulares da região de Presidente Prudente ronda a estabilidade após abrir o ano em queda, mostra levantamento divulgado pelo Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo). O índice médio baixou de 7,13% em janeiro do ano passado para 5,6% no primeiro mês de 2018. Já em fevereiro, os números subiram de 6,91% em 2017 para 6,95% neste ano. Os valores absolutos não foram disponibilizados. A diretora regional do sindicato, Vera Regina Sabbag Moretti, se diz otimista com os resultados e acredita que os cálculos devem apresentar recuo nos próximos meses em função do cenário econômico mais favorável, dos trabalhos de conscientização da escola junto aos pais e responsáveis e o “baixo reajuste” no valor da mensalidade. “Uma vez que a correção foi muito pouca, não houve ônus para as famílias”, comenta a representante.

O comportamento da inadimplência na região foi uma das pautas discutidas em uma reunião das unidades privadas com a diretoria estadual do Sieeesp, na manhã de ontem, no Aruá Hotel. O presidente do sindicato em São Paulo (SP), Benjamin Ribeiro da Silva, argumenta que a escola particular existe porque há um grupo de pessoas que buscam uma educação diferenciada para os seus filhos. Uma vez que não há qualquer repasse financeiro por parte das esferas governamentais, o ensino só é viabilizado se houver interessados em bancá-lo.

Como “metade do valor de uma mensalidade escolar é imposto”, há a necessidade das instituições estarem em diálogo com as comunidades, pois o crescimento da inadimplência afeta diretamente o valor do pagamento. “Isso porque a escola é como um condomínio. Se o rateio não é alcançado, tenho que buscar esse dinheiro no banco, o que me sujeita a juros e, consequentemente, a elevação do custo da mensalidade”, esclarece.

Para Benjamin, considerando que “não falta nada nas escolas públicas”, a instituição privada se torna uma opção e não uma obrigação. Por esta razão, defende a importância de se prezar pelo relacionamento entre unidade e grupo familiar. “Quando o pai escolhe uma escola particular, ele está colocando o seu bem maior nela, então tem que ser uma parceria muito boa. Desta forma, se ele está desempregado, é nosso dever facilitar para a família. O que não pode é deixar de pagar”, afirma o sindicalista, que também discorda da atitude de transferir a criança de escola todos os anos. “O aluno está sendo criado naquilo que chamo de educação ‘Frankenstein’, ou seja, quando você pega um pouco de cada lugar. Isso desestabiliza a criança e atrapalha o seu desenvolvimento”, avalia.

 

Políticas internas

O diretor administrativo do Colégio Átomo, Antônio Batista Grosso, expõe que, em sua escola, a inadimplência não é uma realidade frequente, tendo em vista que as famílias atendidas possuem uma renda privilegiada. Porém, quando ocorre, a instituição envia um lembrete a fim de regularizar a situação.

A diretora administrativa do Colégio Madre Clélia, em Adamantina, Vilma Rubio de Lima, destaca que a unidade realiza um trabalho interno que prioriza o contato direto com a família no dia seguinte após o vencimento. Caso o atraso ultrapasse 58 dias, a cobrança passa a ser feita diretamente na sede em Bauru (SP). “Sendo assim, nossos índices de inadimplência são baixos porque, além de contarmos com uma receptividade muito positiva dos pais, que se comprometem com a educação dos filhos e estão sempre presentes, há a pontualidade da escola em contatar as famílias”, pondera.

Vera, diretora regional do Sieeesp, reforça que há o interesse das escolas em manter diálogo com os pais que estão em débito para entender a origem do problema e verificar o que pode ser feito para sanar a pendência, orientando sobre a importância de evitar o acúmulo para que não se torne uma “bola de neve” mais tarde. Entretanto, ao chegar ao final do ano, se os pagamentos não estiverem em dia, as escolas não realizam a matrícula para o ano letivo seguinte.

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