Importações crescem quase 6 vezes na região

Valor movimentado pela compra de produtos do exterior passou de US$ 2.698.494 em janeiro de 2017 para US$ 15.548.181 em 2018

ANDRÉ ESTEVES • 28/02/2018 12:41:49

O valor movimentado por importações em municípios da região de Presidente Prudente cresceu quase seis vezes, saltando de US$ 2.698.494 para US$ 15.548.181 no comparativo entre janeiro deste ano e de 2017. Numa análise geral, cinco cidades demonstraram evolução positiva ao passo que sete tiveram desempenho negativo (veja tabela). Especialistas atribuem como principal motivo desse fenômeno a desvalorização do dólar. Os dados do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) demonstram ainda que os produtos da região vendidos ao exterior em janeiro deste ano resultaram em US$ 37.834.959, 36,39% a menos do que em 2017, quando o total calculado foi de US$ 59.480.081.

Diante disso, o primeiro mês do ano começou com a balança comercial em queda na região. Comparado ao mesmo período de 2017, janeiro apresentou um saldo negativo de 61%, passando de US$ 56.781.587 para US$ 22.286.778. Entende-se por saldo a subtração entre o montante obtido em exportações e aquele registrado com as importações.

Os valores movimentados foram verificados em 14 cidades da 10ª RA (Região Administrativa). Entre elas, há duas novidades e três exclusões. Dracena, Mirante do Paranapanema e Presidente Venceslau deixam de responder por uma parte da soma, enquanto Santa Mercedes e Taciba integraram o montante.

O economista Túlio Barriguella aponta que a realidade observada em janeiro de 2017 é um reflexo da situação constatada no segundo semestre de 2016, quando as exportações estavam em alta em função do patamar elevado do dólar. Já na transição do segundo semestre para 2018, houve uma redução expressiva na moeda do dólar, que ocasionou a diminuição no número de comercializações ao exterior. Ele explica que, naquela ocasião, as empresas optaram por exportar menos devido ao valor cambial. Em contrapartida, a cotação do dólar impulsionou o mercado das importações, principalmente entre os pequenos varejos. “Portanto, o que justifica este cenário é a variação cambial que tivemos nestes períodos. Tudo que ocorre em seis meses reflete nos três subsequentes”, argumenta.

Questionado sobre o potencial da região, o especialista destaca que o baixo número de indústrias faz com que a 10ª RA responda por uma fatia pequena no mercado das exportações. Por outro lado, há diversos pequenos comércios e, sobretudo, supermercados, que compram produtos importados para venda direta. Túlio completa que, tecnicamente, o país vive um período de retomada econômica, acompanhado pela alta do PIB (Produto Interno Bruto) e queda dos juros. Isso, segundo ele, incentiva o mercado interno a voltar a consumir. “As famílias se adequaram e as empresas já veem a necessidade de voltar a contratar. Economicamente, o quadro está melhorando, mas ainda dependemos muito do cenário político, porque o mercado econômico é diretamente interferido pelas questões políticas”, pondera.

 

Resultados favoráveis

Um dos desempenhos que chamam a atenção na 10ª RA é o de Pirapozinho, cujo saldo passou de US$ 812.082 para US$ 3.944.087 – um avanço de 385,68%. Para a administração, ao que tudo indica, esse aquecimento na economia é decorrente da movimentação em exportações de uma empresa do município, que atua no ramo de industrialização de insumos para produtos alimentícios.

Já os maiores valores ainda são movimentados por Junqueirópolis (saldo de US$ 17.306.452) e Presidente Prudente (saldo de US$ 6.318.782). O economista Douglas Fernandes enfatiza que o que estas cidades possuem em comum é a expressiva participação do produto açúcar em suas movimentações, destacando também a exportação de couros na capital do oeste paulista.

Para Douglas, o que se observa não é apenas uma questão de cenário favorável para exportar, mas a concentração de setores exportadores, que afetam os números da balança comercial de toda a região quando apresentam alterações em seus embarques. Ele pontua que as exportações da região estão focadas em produtos do agronegócio, que atualmente é o que mantém o superávit da balança comercial brasileira. “Logo, se por um lado, temos demanda externa para nossa produção, ficamos na dependência de preços internacionais, que influenciam diretamente nos embarques”, avalia.

 

Valores movimentados com exportações e importações na 10ª RA

Cidades Janeiro de 2017 Janeiro de 2018 Variação do saldo

Exportação

Importa-ção

Saldo

Exportação

Importa-ção

Saldo

US$ (A)

US$ (B)

US$ (A) - (B)

US$ (A)

US$ (B)

US$ (A) - (B)

Adamantina 1.189.995 1.879 1.188.116 1.230.352 - 1.230.352 3,55%
Alfredo Marcondes 554.033 131.876 422.157 201.176 413.903 -212.727 -150,39%
Álvares Machado 759.951 38.817 721.134 1.031.522 20.108 1.011.414 40,25%
Dracena 95.312 - 95.312 - - - -
Junqueirópolis 11.680.861 - 11.680.861 17.306.452 - 17.306.452 48,16%
Lucélia 535.737 - 535.737 334.337 51.296 283.041 -47,17%
Mirante do Paranapanema 29.912.523 - 29.912.523 - - - -
Osvaldo Cruz 18.285 175.047 -156.762 74.025 86.667 -12.642 -91,94%
Pirapozinho 1.507.660 695.578 812.082 5.357.215 1.413.128 3.944.087 385,68%
Presidente Epitácio - 154.756 -154.756 - 100.035 -100.035 -35,36%
Presidente Prudente 10.703.825 467.176 10.236.649 7.318.221 999.439 6.318.782 -38,27%
Presidente Venceslau - 28.158 -28.158 - - - -
Rancharia 2.272.208 9.736 2.262.472 2.496.606 1.792.390 704.216 -68,87%
Regente Feijó 249.650 995.471 -745.821 1.348.940 1.051.887 297.053 -139,83%
Santa Mercedes - - - - 9.619.328 -9.619.328 -
Santo Anastácio 41 - 41 408.451 - 408.451 996121,95%
Taciba - - - 727.662 - 727.662 -
Total 59.480.081 2.698.494 56.781.587 37.834.959 15.548.181 22.286.778 -61%
Fonte: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
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