COTIDIANO

Impor ao jovem qual deve ser a sua formação é tirar liberdade de escolha

  • 28/04/2019 04:00

Todas as crianças ouvem, em algum momento da infância, a seguinte pergunta: “o que você quer ser quando crescer?”. Munidos com poucas informações sobre as áreas do conhecimento, os pequenos arriscam todos os tipos de respostas, sem fazer qualquer discriminação ou depreciação a uma determinada área. Há os que querem se espelhar nos pais, outros que desejam repetir o caminho dos seus professores, ao passo que há aqueles que sonham em ir além e se tornar astronautas. Nesta fase da vida, todo sonho é possível e válido. No entanto, assim que o ano do vestibular começa a se aproximar, uma vontade que parecia simples passa a ganhar arestas, que precisam “a todo custo” ser aparadas. Se o jovem tem o interesse de ser professor, ele precisa ponderar sobre seu salário, se isso vai lhe garantir um espaço no mercado de trabalho, se o mesmo tem perspectivas de crescimento profissional dentro desta carreira, entre outras dúvidas e incertezas que pairam sobre o candidato.

Grande parte dessas perguntas ocorre por iniciativa própria, já que, ao escolher a sua profissão, o adolescente enfrenta uma pressão social enorme até tomar a decisão final. Contudo, há cenários em que os próprios pais costumam fazer a definição pelo filho. Não raro, vemos aqueles estudantes que seguem caminhos opostos aos que planejaram somente para agradar a família. Frequentemente, são os cursos de licenciatura os mais menosprezados pela sociedade. Com o objetivo de impedir que seus filhos sejam vítimas do fracasso profissional, há pais que os incentivam a fazer uma graduação “com um retorno financeiro mais rápido”, mesmo que o jovem não tenha qualquer aptidão para isso e desperdice todos os seus talentos em uma área que não lhe é compatível.

Como se não bastasse a falta de apoio dentro de casa ou num grupo de amigos, agora o problema parece vir de cima, já que o Ministério da Educação estuda descentralizar investimentos em faculdades de Filosofia e Sociologia, com o objetivo de focar em áreas que gerem o mencionado retorno imediato ao contribuinte, como Veterinária, Engenharia e Medicina. Será que fechar portas na área da educação é de fato o caminho para construirmos um país mais rentável? Em que parte do caminho o conhecimento ficará estacionado? Além disso, impedir que tais cursos façam parte do leque de opções do jovem é pressioná-lo, de forma ainda mais severa, a seguir profissões que ele não almeja e, com isso, dar munições para a formação de profissionais mais frustrados e infelizes. Não deveria ser esta a alternativa.