FEMINICÍDIO

Homem diz que matou a ex-mulher por “perder a cabeça”

  • 21/05/2019 20:31
  • ROBERTO KAWASAKI - Da Redação

Está preso no CDP (Centro de Detenção Provisória) I, de Pacaembu, o homem de 33 anos acusado por matar a ex-mulher a facadas, pela não aceitação do término do casamento. O investigado pelo assassinato de Danielli Galdino Ishizu, 30 anos, em depoimento na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), afirmou ter “perdido a cabeça” enquanto conversava com a vítima e, com uma faca de açougueiro, desferiu contra ela três golpes que resultaram em ferimentos fatais. O detido, que não possuía histórico criminal, passou por audiência de custódia ontem à tarde e está preso preventivamente enquanto aguarda julgamento pela Justiça.

A delegada Luciana Nunes Falcão Mendes acompanhou o exame necroscópico do corpo de Danielli, e analisou com a equipe legista que a vítima teve três perfurações na parte esquerda do corpo: na parte frontal da cabeça (lesão perfuro cortante de 4 cm); região mamilar (lesão de 1 cm) e região torácica (lesão de 1 cm). As perfurações, segundo a delegada, foram feitas pelo ex-marido que utilizou a faca de aproximadamente 9 cm de lâmina, de cabo preto, pertencente a um familiar que atua como açougueiro.

Conforme a autoridade, toda a discussão que antecedeu o crime ocorreu na varanda da casa da mãe do rapaz, onde ele também residia junto com os filhos de 5, 11 e 14 anos, e Danielli, até o final de semana quando ela decidiu que iria embora de casa. Como noticiado por este diário, o relacionamento do casal era conturbado, e tinha histórico de agressões por parte do homem, no entanto, nunca foram registradas formalmente por ela temer o companheiro. “Sábado, ela decidiu que iria se separar e foi embora, levando a filha de 5 anos junto. No dia seguinte, ele tentou falar com ela por telefone para tentar reatar o casamento, pedido negado”, relata a delegada.

Ligação caiu

De acordo com a investigação, na segunda-feira de manhã a jovem conversou com o investigado por telefone e informou que iria à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no município para procurar um advogado que pudesse auxiliar no pedido de separação. Em determinado momento, a conversa foi cortada devido a falhas na ligação. Minutos depois, Danielli novamente atendeu ao telefone e disse que estava na frente de uma escola estadual, no Jardim Europa. A informação foi o pontapé para que o acusado a procurasse.

“Ao fim da ligação, ele pediu um carro emprestado do padrasto e foi ao local, onde encontrou a mulher com o irmão dela [maior de idade]. Ele pediu para ela entrar no carro, pois queria conversar, e Danielli entrou sozinha achando que seria uma conversa tranquila”, explica. Segundo a polícia, o casal seguiu pelas vias e foi à residência, local onde minutos depois a vítima seria assassinada.

Do lado de fora

Na residência aos fundos de um bar, na Avenida José Bonifácio, o investigado pediu aos familiares que se retirassem, uma vez que gostaria de conversar “em particular”. A vítima e o investigado ficaram na área, enquanto dois dos filhos estavam na sala próxima assistindo televisão. A conversa teria começado amigavelmente. Diante da insistência do acusado em reatar o casamento e recusa por parte da mulher, o assunto virou discussão e ele partiu para agressão com o uso da faca de açougueiro.

“Ele diz que perdeu a cabeça e só se lembra de que desferiu golpes, viu a mulher caída e fugiu”, salienta a delegada. Depois do fato, o homem se escondeu em uma rodovia, mas, se entregou após tratativas por telefone com a Polícia Militar. O contato foi cedido por familiares enquanto esteve desaparecido. Conforme a Polícia Civil, mais testemunhas deverão ser ouvidas nos próximos dias. Os laudos necroscópico e pericial deverão contribuir para finalização do inquérito policial, registrado como feminicídio.