Prudente

História é marcada por economia transitiva

De 1917 até os dias atuais, progresso da capital regional passou por mudanças bruscas nas relações comerciais e na estrutura econômica em geral

ANDRÉ ESTEVES - Da Reportagem Local • 14/09/2018 07:09:00

Investimentos recebidos nos anos 70 elevaram cidade à capital regional. Foto: José Reis

Quem chega a Presidente Prudente pode não imaginar que este município formado por 450 bairros originou-se de uma pequena propriedade voltada ao comércio de terras. Desde a chegada do coronel Francisco de Paula Goulart, em 1917, até os dias atuais, o progresso da cidade foi marcado por mudanças bruscas nas relações comerciais e na estrutura econômica em geral. Inicialmente, o principal negócio era a produção agrícola, que deu lugar para a agropecuária, seguida pela chegada das usinas sucroalcooleiras, que, por sua vez, acompanharam a consolidação do setor de prestação de serviços. De acordo com o historiador Ronaldo Macedo, o histórico de Prudente teve um ciclo industrial muito curto e, apesar de ainda se destacar com o agronegócio, a cidade é movida principalmente pelo setor terciário. Além do comércio, presente desde o início, a economia local também é sustentada pelas instituições de ensino superior, que aqui se instalaram entre os anos 50 e a década de 90.

Para entender melhor como este perfil foi estabelecido, Ronaldo volta a 1917, quando coronel Goulart se firma na gleba Pirapó-Santo Anastácio e cria um núcleo urbano para facilitar a comercialização de terras. A pequena Vila Goulart, que atualmente constitui-se no centro da cidade, não tardou muito para que se expandisse e recebesse interessados em comprar lotes e explorar o comércio. Com a inauguração do transporte ferroviário, mais tarde, o povoamento passou a crescer tanto na zona rural quanto na urbana.

Do outro lado da linha, defronte à Vila Goulart, foi delimitada a Vila Marcondes, que também serviria como ponto de abastecimento para os compradores de terra que aqui se fixassem. Conforme informações do Museu e Arquivo Histórico Prefeito Antonio Sandoval Netto, o recenseamento de 1920 apontava 846 habitantes e 251 crianças em idade escolar, o que resultou, à época, na instalação de uma agência postal e de uma escola, sendo criado também o distrito policial em 1921.

Ainda conforme o museu, a década de 1930 ficou caracterizada pela maior produção cafeeira. No entanto, as condições climáticas, a queda de exportações, a concorrência externa e a crise econômica de 1929 foram alguns dos motivos que fizeram o café entrar em crise e ser substituído pelo algodão. Além desta mercadoria, produtos como o algodão, arroz, milho, feijão e batata alavancaram a economia local e garantiram o sustento das famílias.

Portas abertas

Já nos anos de 1940, quando a Segunda Guerra Mundial é deflagrada, os ciclos agrícolas justificaram a vinda e operacionalização de uma série de indústrias, que consolidaram, principalmente, a produção de menta, considerada um produto nobre. Ronaldo explica que o fechamento do mercado japonês e o cenário de guerra nos Estados Unidos fizeram com que o Brasil abrisse uma “porta imensa” para a produção de óleo de menta. “Por esta razão, você pode observar que a bandeira de Prudente não traz o café, mas o algodão e a menta. Isso porque esses dois produtos levantaram não só o município, mas a região inteira”, expõe.

Segundo o museu municipal, a cidade somava, em 1940, 12.637 habitantes na área urbana e 57.879 na área rural. Já em 1950, a população urbana saltou para 28.793 residentes, o que significa um crescimento de 127%, enquanto a rural caiu para 32.551, em virtude dos desmembramentos municipais, como Pirapozinho, Regente Feijó e Álvares Machado. Ronaldo pondera que, naquele período, o “bom entendimento” entre o governo estadual e a Prefeitura motivou uma gama de investimentos em equipamentos urbanos, educação e saúde, que se seguiram até a década de 1970, quando Prudente se torna capital regional e passa a receber delegacias de órgãos estaduais. “Hoje, a cidade ainda consiste em um polo regional atraente para atividades socioeconômicas e não é em vão que os hospitais de especialidades recebem pacientes não só de cidades vizinhas, como também do Estado”, pontua.

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