Cinco amigas de Presidente Prudente fizeram a travessia do Vale do Pati, no coração da Chapada Diamantina, a 400 km de Salvador, na Bahia: cinco dias de caminhada por platôs, gerais, vales escarpados, cerrado e resquícios da Mata Atlântica

Foto: Cinco amigas de Presidente Prudente fizeram a travessia do Vale do Pati, no coração da Chapada Diamantina, a 400 km de Salvador, na Bahia: cinco dias de caminhada por platôs, gerais, vales escarpados, cerrado e resquícios da Mata Atlântica

TREKKING DO PATI

Grupo de PP descobre o Vale Encantado

“Caminhar em meio à natureza é um alento para o corpo e a alma”, diz a médica Marisa Miranda, que participou da caminhada de 5 dias no Vale do Pati

  • 17/11/2019 04:05
  • SINOMAR CALMONA - VALE DO PATI

“Caminhar por dias em meio à natureza é um alento para o corpo e a alma. Melhor ainda se o lugar escolhido for o Vale do Pati, lugar especial da Chapada Diamantina”, diz a médica Marisa Miranda, de Presidente Prudente, que reuniu as amigas Bel, Cris, Lika, Paula e Marina para uma caminhada de cinco dias nesse “Vale Encantado”.

“Somos seis amigas que têm em comum o gosto pela caminhada, pela vida simples, pelo desapego, pelo contato com a natureza e o pelo compartilhamento de experiências” comentou. Em maio, o grupo fez o caminho português de Santiago de Campostela e, ao concluir, decidiu que o próximo desafio seria o Vale do Pati, “uma das trilhas mais bonitas do Brasil, se não a mais bela! Vários amigos já tinham nos recomendado”.

De acordo com Marisa, a região é de difícil acesso e exige uma boa logística tais como conhecimento do local, vias de acesso e segurança.

O Vale do Pati consiste em uma pequena área da grande Chapada Diamantina, no centro da Bahia. Lugar conhecido como a maior biodiversidade do país por abranger vários ecossistemas na mesma região. Foram cinco dias e quatro noites na travessia conhecida como Guiné-Andaraí. Um trajeto não muito longo que corta o Vale do oeste (município de Guiné) à leste (município de Andaraí), mas com uma topografia muito irregular e forte altimetria, chegando a gastar 2 a 3 horas para andar 4 a 5 quilômetros apenas.

O Vale é circundado e protegido por montanhas muito altas (formações rochosas gigantes de quartzo e arenito) impedindo a entrada de veículos. Devido ao terreno muito irregular, o único meio de transporte dentro do Vale são seus preciosos pés. As mulas são usadas para transporte de alimentos e outras necessidades consumidas pelas poucas famílias que moram no Vale e dão pouso aos turistas.

“A primeira grande e boa sensação foi ficar cinco dias sem sinal de celular. Isso sim significa “desligar-se” da vida urbana. Fomos presenteadas diariamente com paisagens belíssimas de cânions, campos verdes, cachoeiras, cavernas e uma fauna e flora riquíssimas. Acordávamos muito cedo com uma sinfonia do canto de vários pássaros. O Vale é visitado por observadores de pássaros de vários países. Há muitos roedores, borboletas, macacos e outros animais de Mata Atlântica. Uma flora abundante e maravilhosa colore o Vale com suas bromélias, orquídeas e suculentas”, pontuou.

“Apesar da dificuldade da caminhada durante o dia, um banho de cachoeira sempre nos refrescava, ajudando a terminar o trajeto. Ao final da tarde, chegando aos abrigos de suporte, um banho (frio) e um delicioso jantar nos reconfortava. Conversávamos ao redor de fogueiras ou até mesmo na mesa do jantar, trocávamos experiências e risadas com outros grupos e após admirarmos um céu repleto de estrelas, dormíamos cedo, pois o dia seguinte seria um novo cenário de novas aventuras. Após cinco dias de trilha, voltamos à Lençóis repletas de histórias e uma sensação de serenidade, paz e renovação! Um banho de natureza faz você se conectar com a pureza da vida, faz você repensar sobre seu cotidiano urbano e em quanto você tem se dedicado à você mesma e à sua saúde mental e física. No final da trilha, numa descida interminável de solo rochoso, atingimos o sinal do celular e centenas de mensagens foram imediatamente descarregadas em nossos aparelhos... infelizmente! Era o fim da viagem, hora de voltar ao cotidiano urbano”.

O grupo encerrou a viagem com dois dias de descanso na Pousada Casa da Geléia em Lençóis, onde desfrutou “um pouquinho mais da cultura baiana, apreciando geleia de gengibre, cuscuz de milho, tapioca, baião de dois e brindamos com uma deliciosa e refrescante champagne mais um caminho realizado”.

A próxima caminhada já está programada, informou Marisa: Caminho de Assis, Itália-2020! Ultreya!.