COTIDIANO

Florestas: Por que elas são importantes?

  • 18/04/2019 05:14
  • Marco Antônio Del Grande

Desde o advento da Convenção do Clima, em 1992, tem-se observado o complexo desenvolvimento do papel das florestas tropicais na política das mudanças climáticas globais, já que estas desempenham um papel fundamental na mitigação da mudança do clima, pois elas contribuem para a estabilidade ambiental, abrandando as temperaturas extremas e aumentando as precipitações regionais, além de prevenir a erosão e deterioração do solo. As florestas tropicais cobrem cerca de 15% da terra firme do mundo e contêm cerca de 25% do carbono existente na biosfera terrestre. Mas estão sendo rapidamente degradadas e desmatadas, levando à emissão de dióxido de carbono, que retém calor na atmosfera.

Cerca de 13 milhões de hectares, uma área do tamanho da Nicarágua, é convertida por ano para outros usos da terra. Esta perda representa um quinto das emissões mundiais de carbono, tornando a mudança de cobertura da terra o segundo maior fator contribuinte para o aquecimento global. As florestas, portanto, desempenham um papel vital em qualquer iniciativa de combate às mudanças climáticas. Os recursos florestais apoiam diretamente os meios de vida de 90% dos 1,2 bilhões de pessoas, que vivem em extrema pobreza e hospedam quase 90% da biodiversidade terrestre do planeta. As comunidades locais dependem das florestas como fonte de combustível, alimento, medicamento e abrigo.

A perda de florestas compromete o combate à pobreza. Os povos indígenas e os povos dependentes das florestas são os guardiões de suas florestas, prestando serviços ambientais ao resto da humanidade. As mudanças climáticas atingirão mais intensamente os mais pobres e, portanto, a redução do desmatamento ajudará a construir a sua resiliência aos impactos climáticos. Em escala local, assim como na escala global, as florestas prestam serviços ambientais que vão além do armazenamento de carbono, tais como proteção de bacias, regulação do fluxo hídrico, reciclagem de nutrientes, geração de chuvas e controle de doenças. Florestas antigas também absorvem dióxido de carbono da atmosfera, compensando as emissões antropogênicas.

A proteção das florestas tropicais tem um duplo efeito de resfriamento, reduzindo as emissões de carbono e mantendo altos níveis de evaporação a partir da copa das árvores. As causas do desmatamento são múltiplas e complexas e variam de país para país. As pressões locais provêm de comunidades que utilizam as florestas como fonte de alimento, combustível e terras cultiváveis. A pobreza e a pressão populacional podem levar à perda inexorável da cobertura florestal, mantendo as pessoas presas em um ciclo perpétuo de pobreza. Enquanto milhões de pessoas ainda derrubam árvores para ganhar o sustento para as suas famílias, uma importante causa do desmatamento hoje é a agricultura em grande escala, impulsionada pela demanda de consumo.

Nas últimas décadas, o desmatamento passou de um processo amplamente incentivado pelo estado para um processo impulsionado pelas empresas. Os vetores da demanda por terras agrícolas variam em todo o mundo. Na África, trata-se basicamente de agricultura de subsistência em pequena escala. Na América do Sul, são os grandes empreendimentos do agronegócio que produzem carne e soja para o mercado externo. No Sudeste Asiático, o vetor está posicionado entre os dois, sendo os principais produtos o óleo de palmeira, o café e a madeira. A demanda por madeira também impulsiona o desmatamento e, portanto, contribui para as emissões derivadas de mudanças no uso da terra.

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Marco Antônio Del Grande

Marco Antônio Del Grande

Marco Antônio Del Grande Alegre é advogado e CEO da MG Carbon - Projetos de Carbono.

Contato: marco.alegre@yahoo.com.br

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