José Reis - Fieis acordaram cedo para irem até a Catedral de São Sebastião participar da Hora Santa

Foto: José Reis - Fieis acordaram cedo para irem até a Catedral de São Sebastião participar da Hora Santa

TRADIÇÃO CATÓLICA

Féis vivem morte e vida de Jesus durante Hora Santa

Padre Helitom explica que o momento é para meditar a agonia de Cristo no Horto das Oliveiras e fazer memória de uma ocasião difícil da vida

  • 20/04/2019 04:15
  • WEVERSON NASCIMENTO - Da Redação

Uma das tradições da Sexta-feira da Paixão é a Hora Santa, que consiste em oração em memória à morte e vida de Cristo. Na ocasião, muitos fiéis se dirigem até às igrejas para momentos de reflexão e conexão com Jesus. Em Presidente Prudente, essa ação foi mantida por muitos católicos que ontem acordaram cedo para ir até a Catedral de São Sebastião. De acordo com o padre Helitom Bigas da Silva, 28 anos, a Hora Santa é um momento para meditar a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras e fazer memória de uma ocasião difícil da vida do Cristo.

O padre explica que, de certa forma, não significa ter uma simples lembrança, mas viver e reviver tudo aquilo com a mesma intensidade como se estivesse participando. “Então, significa padecer com Ele, reviver com Ele a angústia, a batalha, a luta, a resistência, ou seja, tudo aquilo Ele sofreu. Mas, sobretudo saber que depois de todo esse sofrimento nos aguarda lá na frente a alegria da ressureição que é maior.”

Helitom diz que a Hora Santa costuma-se fazer de quinta para sexta em um momento de vigília com o Senhor, pois consideram estar diante de Deus no único dia que não tem missa. Para refletir esse momento importante para os católicos, baseia-se no pensamento do teólogo Bonhoeffer: Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento; não protege da morte, mas na morte. Não liberta da Cruz, mas na Cruz.

Tradição

Para os fiéis católicos, o momento é de meditação sobre a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras, faze-se rezando vocal ou mentalmente, sem necessidade de escolher uma oração de preferência. O espírito que guia a oração é o de partilhar com Jesus aquele momento; padecer com Ele, reviver a angústia e a batalha. Mas viver com Ele, também, a alegria verdadeira, a paz sem limites, que nasce do abandono à vontade do Pai, certos do seu amor para com a humanidade.

A funcionária pública Telma Cícera de Oliveira, 54 anos, foi até a catedral, pois acredita que o dia é de silêncio, calma e tranquilidade e que a Hora Santa é motivo de renovação. “Cristo doou tudo por nós, e nós paramos somente uma horinha, mas podemos parar muito mais.”

Ela costuma dizer que o dia serve também para lembrar a trajetória de morte e ressureição. “No dia de hoje eu só agradeço a vida, a vida dos familiares e a saúde. Posso pedir? Posso! Mas somente amanhã, hoje é só agradecimento”, declara.

Participar da Hora Santa é algo que foi passado de geração em geração por algumas famílias. A aposentada Cícera Barbosa da Silva, 68 anos, sempre que possível participa desse período também considerado pelos fiéis católicos como Semana Maior. Para ela, o dia é reservado para reflexão e interiorização. “Afinal, que amor tão grande foi esse para cumprir a vontade do Pai ao se entregar na cruz por todos nós?” Em suas orações, Cícera relata que agradece o dom da vida, por ter saúde e a ter sua maior benção, a família.

Os mais jovens também participam da Hora Santa, como no caso do operador de máquinas, Bruno dos Santos Silva, 30 anos, que afirma que após participar das missas de cura e libertação recebeu um grande milagre em sua vida, e que assim, começou a participar firmemente da igreja. “Jesus é o motivo de tudo e sem a igreja hoje em dia eu não sou nada, ou seja, ter a presença e o íntimo com Deus.” Bruno diz que este momento em especial se da somente pelo agradecimento para que consiga continuar seu propósito como cristão.