Com caçambas

Faturamento despenca até 60%

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 15/04/2018 06:47:25

Foto: José Reis, Atualmente, caçambas são destinadas para resíduos da construção

Desde que a Prefeitura de Presidente Prudente proibiu o descarte de resíduos da construção civil no vazadouro municipal, as empresas transportadoras precisaram se adequar para prosseguir com a prestação de serviços na cidade. Isso implicou em suspender a oferta de equipamentos para o armazenamento de rejeitos domésticos, o que reduziu o faturamento em até 60%, conforme apontam as empresas de caçambas que operam no município.

O diretor da Cooperen (Cooperativa para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição), Alexandre Salomão, expõe que as empresas vivenciam hoje uma situação “complexa”, considerando que todas estavam acostumadas a destinar o material recolhido no lixão e, com exceção da cooperativa, agora estão sem opção. Segundo ele, os transportadores, muitas vezes, recebem produtos que não são aceitos pela Cooperen e precisam ser devolvidos aos clientes, os quais, por sua vez, têm que se desdobrar para encontrar um destino correto. “Infelizmente, há empresas que não são associadas à cooperativa e continuam recolhendo produtos inadequados”, comenta Alexandre, que se mostra preocupado com o fim que este lixo está ganhando.

O proprietário da PR Locação de Caçambas, Maurício de Paula Silva, afirma que a falta de alternativas para as empresas pode voltar a acumular caçambas na cidade. Recentemente, a Prefeitura concedeu um espaço do lixão para que, dentro de um prazo limitado (inicialmente de 20 dias, prorrogado em função das chuvas), descartassem todo o lixo armazenado em caçambas paradas. A medida foi tomada em consonância com a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que emitiu, em caráter emergencial, um laudo autorizando a disposição de entulhos no local.

Encerrado o período, o lixão foi novamente fechado e, agora, Maurício e outros empresários do ramo aguardam a liberação de um novo espaço para que, eventualmente, possam retomar a oferta de caçambas para qualquer tipo de entulho, aumentando, desta forma, o seu faturamento. “A Prefeitura precisa dar uma alternativa para o lixo que a cidade gera. Ela está jogando a responsabilidade para os geradores e empresas que fazem esse transporte”, protesta. O prestador completa que não aceita mais demandas de resíduos domésticos, o que diminuiu sua procura em 60%. “O meu serviço não sofreu uma queda. Ele despencou”, lamenta.

Situação semelhante ocorre na Eldorado Caçambas, onde o proprietário Marcos Leandro Alves também restringiu o serviço oferecido. “Muita gente solicita a limpeza de quintal, mas recuso porque não tenho onde descartar. Com isso, meu faturamento teve uma baixa de 40%, já que a maioria dos meus atendimentos era voltada ao recolhimento de móveis e à limpeza”, pontua.

Questionada sobre quais as alternativas ofertadas para o descarte de resíduos da construção civil no município, a Secom (Secretaria Municipal de Comunicação) não se posicionou, reiterando que a administração está aberta para esclarecer a população sobre a destinação de rejeitos conforme a legislação ambiental vigente. A pasta também pontua que “a responsabilidade pelo descarte é compartilhada entre todos os agentes envolvidos e o poder público”.

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