José Reis - Ronaldo considera a desestrutura familiar um fator de risco

Foto: José Reis - Ronaldo considera a desestrutura familiar um fator de risco

VULNERABILIDADE

Fatores de risco propiciam consumo de drogas

Desestrutura familiar e falta de monitoramento dos pais são citados pelo professor e psiquiatra Ronaldo Laranjeira

  • 16/11/2019 07:39
  • ROBERTO KAWASAKI - Da Reportagem Local

São muitos os desafios enfrentados pelo jovem que entra no submundo das drogas. Nos tempos modernos, o consumo de substâncias psicoativas que provocam sensações de alucinação, por exemplo, acabam se tornando “modinha” no cotidiano de muitos adolescentes. De acordo com o professor Ronaldo Laranjeira, PhD em psiquiatria pela Universidade Londres, médico psiquiatra pela Escola Paulista de Medicina e coordenador da Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), é preciso levar em conta os fatores que propiciam o consumo e comércio de drogas.

“Em fatores de risco, se enquadram situações como a desestrutura familiar, falta de monitoramento dos pais, ou se eles fazem o consumo de drogas e álcool, por exemplo. O contrário disso é o que chamamos de fatores de proteção”, salienta o professor. Ele explica que o outro lado consiste na “família coesa, bom desenvolvimento na escola e preparação da instituição com atividades fora da parte acadêmica”. “São esses fatores que vão determinar se a pessoa vai ou não usar a droga”, considera.

Tais vulnerabilidades propiciam que o jovem esteja cada vez mais próximo dos entorpecentes. Para Ronaldo, o valor da droga também influencia nesse meio, o que desperta a curiosidade de quem entra no mercado. “Ele se ampliou muito, bem como a diversificação e preços baixos. No Brasil, existe uma rede de varejo de distribuição de drogas muito fácil e com valores acessíveis”, afirma o professor. “Essa geração acaba tendo acesso a essas drogas muito facilmente, e gera uma percepção baixa do risco que elas oferecem”.

Aumento de usuários

Conforme análise do professor, houve um avanço em programas que atendem aos dependentes de substâncias psicoativas. Segundo ele, comparativamente, também ocorreu aumento expressivo no número de usuários de drogas, o que demanda reforço de serviço. “Ainda fizemos muito pouco sobre como prevenir esse tipo de problema, são poucos os programas de prevenção realmente efetivos no país”, considera.