JUNQUEIRÓPOLIS

Estado realiza 1º Seminário da Agricultura Familiar da Alta Paulista

Município foi escolhido para sediar o evento devido ao seu histórico agrícola, infraestrutura e localização

  • 09/10/2019 14:13
  • DA REDAÇÃO

O cultivo de uvas para produção de vinho, o manejo em cultivo protegido na horticultura, o plantio de café robusta como alternativa de diversificação de renda, o consórcio seringueira e cacau, as técnicas de manejo para produção de maracujá, o potencial e manejo para alta produtividade de mandioca de mesa e indústria, além de técnicas de cultivo e comercialização de melancia. Estes são os temas do 1º Seminário da Agricultura Familiar da Alta Paulista, que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do IAC (Instituto Agronômico), irá realizar amanhã, das 8h às 17h, em Junqueirópolis. A entrada é gratuita e são esperados 300 participantes.

A pesquisadora do IAC, Eliane Gomes Fabri, explica que o município de Junqueirópolis foi escolhido para sediar o evento devido ao seu histórico agrícola, infraestrutura e localização. “A região possui um grande número de produtores familiares e assentados; atualmente, tem inúmeras áreas para a produção de cana e o Simpósio busca apresentar novas opções de produção e manejo para culturas aptas para a localidade”, afirma.

De acordo com Eliane, Junqueirópolis já produziu café, leite, feijão, amendoim, manga, maracujá e outras frutas. “No momento muitas áreas são arrendadas para a cana, esperamos contribuir com novas perspectivas para os produtores familiares”, diz.

O PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) tem sido um incentivo para a diversificação da produção familiar, pois parte dessa produção é destinada à alimentação escolar por meio do PNAE. Na opinião da pesquisadora, o cultivo de outras espécies poderá proporcionar ganhos para os agricultores.

A agricultura familiar tem extrema importância no cenário agro nacional, constituindo a base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes, conforme dados do Censo Agropecuário de 2017. O levantamento também apontou que a atividade é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do Brasil e por mais de 70% dos brasileiros que residem no campo.

Na região de Junqueirópolis, os agricultores têm aumentado o plantio de mandioca de indústria visando à venda para as farinheiras e fecularias da região. O pesquisador do IAC, José Carlos Feltran, explica que embora tenha crescido o plantio da mandioca de indústria, as cultivares de mesa também são uma alternativa econômica para os agricultores locais. “Além do mais, estes podem complementar a renda com a venda da mandioca para os programas governamentais de alimentação escolar”, completa.

Ele destaca que a variedade IAC 576, conhecida popularmente como “Amarelinha”, é uma das mais plantadas devido à resistência a doenças, à produtividade alta e à qualidade do cozimento das raízes. Outra característica importante da mandioca IAC 576 é seu valor nutricional, principalmente por possuir aproximadamente 220 UI (Unidades Internacionais) de pró-vitamina A por 100 gramas de polpa de raiz.

Segundo José Carlos, os produtores de mandioca de mesa também buscam agregar valor à raiz. “Alguns agricultores vendem mandioca descascada e embalada, alterando o preço de R$ 0,35, o quilo da mandioca com casca na roça, para até R$ 3, o quilo da mandioca descascada e embalada”, diz.

Atualmente, o Estado de São Paulo é responsável por aproximadamente 5% do volume total da produção nacional. Durante sua apresentação no 1º Seminário da Agricultura Familiar da Alta Paulista, o pesquisador irá abordar o potencial e o manejo para a cultura da mandioca de indústria e de mesa.

Outra alternativa que será tratada é o cultivo protegido de hortaliças. O pesquisador do IAC, Luís Felipe Villani Purquerio, explica que o município está localizado em uma área quente. “No verão, além do calor é também chuvoso, o que dificulta o cultivo de hortaliças nessa época. Uma excelente ferramenta para auxiliar nesse sentido é o cultivo em ambiente protegido”, afirma.

Para driblar esse cenário desfavorável, a recomendação do pesquisador é a produção em cultivo protegido, que evita perdas causadas por condições climáticas. Luís Felipe explica que há estruturas simples e outras extremamente tecnológicas, com sistema de ventilação, nebulização e outros aparelhos. Seja qual for o perfil da estrutura, é necessário que esses recursos sejam bem dimensionados para que atendam de forma eficiente à cultura. Caso contrário, alerta o pesquisador, o investimento não será tão compensatório. A média do custo da estrutura simples é de R$ 100 a R$ 200, por metro quadrado.

Para os pesquisadores do IAC essa iniciativa é uma forma de aproximar os trabalhos desenvolvidos pela instituição dos agricultores. Essa interação com o setor produtivo proporciona alternativas, que geram economia e melhorias sociais. O 1º Seminário da Agricultura Familiar da Alta Paulista é coordenado pelo IAC, pela Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) e pela Casa da Agricultura de Junqueirópolis.

 

Serviço

Evento: 1º Seminário da Agricultura Familiar da Alta Paulista

Data: 10/10/2019

Horário: 8h às 17h

Local: Auditório Aparecida Ikeda, Rua Luiz Chignolli, 690 - Cento, Junqueirópolis, SP.