Paulo Miguel - Sentenciados são divididos em grupos de 25 pessoas, espalhados nos ambientes escolares

Foto: Paulo Miguel - Sentenciados são divididos em grupos de 25 pessoas, espalhados nos ambientes escolares

RESSOCIALIZAÇÃO

Escolas da região são revitalizadas por detentos

Projeto “Escola+Bonita” permite que sentenciados do regime semiaberto ganhem a remissão das penas por meio da pintura e limpeza de unidades escolares

  • 23/07/2019 05:09
  • ROBERTO KAWASAKI - Da Redação

O trabalho em equipe era perceptível nos corredores da Escola Estadual Francisco Pessoa, localizada no Conjunto Habitacional Ana Jacinta, em Presidente Prudente. Latas de tintas, escadas, rolos e pinceis faziam parte do cenário. Isso porque, desde a semana passada, a unidade escolar recebe os trabalhos de revitalização por meio do projeto “Escola+Bonita”. Ele é resultado de uma parceria entre as secretarias da Administração Penitenciária, da Educação e de Desenvolvimento Econômico, sob a gestão na SAP da Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania. Nos arredores da escola, aproximadamente 50 sentenciados do regime semiaberto da Penitenciária Wellington Rodrigo Segura, do distrito de Montalvão, se revezam em serviços de limpeza e pintura.

Os alunos são divididos em dois grupos, sob orientação de instrutoras da Fapetec (Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino, Tecnologia e Cultura). Antes de colocarem a mão na massa, os sentenciados foram submetidos às aulas teóricas na própria unidade prisional, o que permite a efetividade do serviço. O curso dura 100 horas, sendo 25 horas de teoria e 75 horas de prática. De acordo com o agente de segurança e um dos responsáveis pelo curso, Ilário Francisco de Sá, não são todos os presidiários que semiaberto que participam das atividades, uma vez que é preciso seguir critérios: ter bom comportamento, ter cumprido um sexto da pena, se primário; ou um quarto se reincidente; e não ser membro de facção criminosa. Além do mais, é necessário ter o CPF (Cadastro de Pessoa Física) ativo.

“O governo estadual paga uma remuneração de R$ 210 ao aluno pelo curso, além do privilégio de remissão de um dia da pena a cada 12 horas de trabalho”, explica o agente. Cada curso é elaborado para 25 sentenciados por grupo, mas alguns ficam de fora caso ganhem a liberdade ou descumpram alguma regra antes do início. O serviço dura pouco mais de uma semana, oportunidade que resultará na entrega de um certificado de qualificação ao detento. Segundo o diretor da penitenciária, José Carlos dos Santos, o projeto é visto com bons olhos. “Esses cursos trazem para dentro da penitenciária uma melhor condição de ter o bom comportamento, pois os presos veem os seus objetos alcançados”, afirma.

Parceria

Para a diretora da Escola Estadual Francisco Pessoa, Gezilda Maria Simões Vieira, a parceria é bem-vinda. “É a primeira vez que participamos do projeto e, para nós, é de grande importância, porque a escola sempre precisa de algo e muitas vezes não tem como realizar”, considera. “Os meninos são excelentes profissionais, respeitosos e muito trabalhadores. Estou adorando essa parceria”, salienta. Além da unidade em Prudente, também recebem o projeto as escolas estaduais Iraldo Antonio Martins de Toledo (Inúbia Paulista) e Alfredo Westin Junior (Presidente Bernardes).