COTIDIANO

Energias renováveis

  • 12/07/2019 05:32
  • Marco Antônio Del Grande

É cediço que a prosperidade humana sempre esteve intimamente ligada à nossa capacidade de capturar, coletar e aproveitar energia. O controle do fogo e a domesticação de plantas e animais foram dois dos fatores essenciais que permitiram que nossos ancestrais fizessem a transição de uma existência rude e nômade para sociedades estáveis e com raízes que pudessem gerar a riqueza coletiva necessária para formar civilizações. Durante milênios, a energia em forma de biomassa e biomassa fossilizada foi utilizada para cozinhar e aquecer, além da criação de materiais que iam do tijolo ao bronze. Apesar desses desenvolvimentos, na verdade a riqueza relativa em todas as civilizações foi fundamentalmente definida pelo acesso e controle da energia, conforme medido pelo número de animais e humanos que serviam às ordens de um indivíduo específico.

Entretanto, com o advento da Revolução Industrial, a partir de 1750, tudo mudou, já que o aparecimento das máquinas trouxe grande dependência de combustíveis fósseis como fonte energética, tais como o petróleo, o carvão mineral e o gás natural, tornando-se um fator definitivo nos alinhamentos políticos e estratégias, a partir do século 20, em razão do constante e progressivo aumento das emissões de gases de efeito estufa, provenientes principalmente da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento, levando à degradação dos meios ambientes locais, regionais e globais, além de provocar poluição ambiental e posteriormente às alterações climáticas, percebidas com mais intensidade a partir da década de 1970.

Neste contexto, surgiu o conceito de sustentabilidade, que se concretizou preponderantemente na busca de ferramentas e o desenvolvimento das chamadas energias limpas, que tiveram por intuito buscar medidas de minimização dos impactos ambientais com a criação de mecanismos de produção de modelos alternativos de projetos baseados nos conceitos de sustentabilidade, principalmente no que tange às fontes de energia consideradas renováveis, isto é, que não consomem combustíveis fósseis e, quando bem planejadas e utilizadas, geram consequências de menor impacto para o meio ambiente.

Partindo deste prisma, o conceito de energias renováveis ou “limpas” baseou-se na utilização direta ou indireta de energia solar na geração de fontes de energia, assim a maioria das fontes de energia (hidroelétrica, solar, eólica, biomassa), passou a ser considerada como um aproveitamento direto ou indireto da energia solar, enquanto que a energia nuclear, da energia geotérmica, a energia das marés e a dos combustíveis fósseis foram consideradas não renováveis, pois os processos de sua utilização são irreversíveis e geram resíduos prejudiciais ao meio ambiente. Por fim, relacionando no contexto de preocupações a segurança energética com as mudanças climáticas, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês) considera que a implantação de fontes renováveis é essencial, já que pela menor concentração dos recursos naturais utilizados como fontes renováveis elas são capazes de prover maior segurança energética aos países que as utilizam e seu aproveitamento em maior escala é um dos principais instrumentos de combate às questões climáticas, decorrentes da elevação dos gases de efeito estufa na atmosfera. Mas além de prover esses benefícios as fontes de energia renováveis, se implantadas apropriadamente, podem também contribuir para o desenvolvimento social e econômico, para a universalização do acesso à energia e para a redução de efeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde humana.

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Marco Antônio Del Grande

Marco Antônio Del Grande

Marco Antônio Del Grande Alegre é advogado e CEO da MG Carbon - Projetos de Carbono.

Contato: marco.alegre@yahoo.com.br

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