Paulo Miguel - Futura estudante de Medicina, Maria Eduarda acredita que foi bem no exame

Foto: Paulo Miguel - Futura estudante de Medicina, Maria Eduarda acredita que foi bem no exame

2ª PROVA

Enem 2019 se destaca pelo "conteudismo"

Exame, segundo especialistas, vem sofrendo mudanças ao longo dos anos, e neste 2019 solidificou a ênfase de conteúdos em detrimento das interpretações e senso comum dos estudantes

  • 12/11/2019 08:34
  • MARCO VINICIUS ROPELLI - Especial para O Imparcial

O “sabe ou não sabe” sempre foi o modelo mais tradicional para provas, mas perdeu, ao longo dos anos, o protagonismo para as questões cheias de interpretação, interdisciplinaridade e atualidades. Neste ano, porém, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2019 retomou o chamado “conteudismo”, com questões bem apegadas às teorias das ciências naturais e exatas, e menos próximas do senso comum e do conhecimento de mundo. Isso é bom? É ruim? Nem um, nem outro.

Em relação ao segundo dia de provas do Enem, o coordenador do Ensino Médio do Grupo Marista e também da Escola Champagnat, Evandro Espanhol, afirma que a prova veio como era esperado. “Na verdade, o Enem está mais conteudista, mas o exame exige mais competências e habilidades do aluno”, entre as quais, salienta Evandro, continuam necessários a boa interpretação e o conhecimento de mundo, ainda que em menor importância que edições passadas.

Uma discussão que se faz presente é até que ponto este conteudismo traz vantagens ou desvantagens ao aluno. A professora de física e matemática da Escola Estadual Monsenhor Sarrion, Rita de Cássia Valério, se preocupa com as discrepâncias que o foco em conteúdos pode causar entre alunos de instituições públicas e privadas. “As diferenças podem se tornar mais evidentes”. Evandro, por sua vez, não crê que nenhum estudante seja prejudicado, ele considera que mesmo as escolas públicas abordam com ênfase o conteúdo.

ENEM, CAMINHO

PARA O FUTURO

Rita acredita que as mudanças deste Enem se relacionam com outra mudança relevante, àquela que tirou do exame o status de diagnóstico da educação no Brasil e o transformou em vestibular para muitas instituições brasileiras, ou ao menos parte do processo.

Aluna do 3° ano do ensino médio do Sarrion, Maria Eduardo Faustino da Cruz, 17 anos, concorda com a visão demonstrada pela professora e soma a ela as impressões de quem esteve frente a frente ao exame. “Foi difícil, o tempo pressiona. Mesmo complicado, caiu o que estudamos no colegial, então, com um bom preparo dava para ir bem”. A adolescente quer fazer Medicina, para isso galga uma vaga no Sisu (Sistema de Seleção Unificada), Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) ou Prouni (Programa Universidade para Todos). Está bastante animada, pois, tendo em vista os gabaritos extraoficiais, julga ter ido bem.