Em velório aberto, público se despede de Agripino

Corpo do ex-prefeito de PP e chanceler da Unoeste foi velado e sepultado ontem, no Santuário Morada de Deus, em Machado

ANDRÉ ESTEVES • 09/03/2018 10:00:34

Familiares, amigos, colaboradores e admiradores do ex-prefeito de Presidente Prudente, Agripino de Oliveira Lima Filho, 86 anos, estiveram reunidos, ontem, no Santuário Morada de Deus, em Álvares Machado, para prestarem suas últimas homenagens ao professor. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 15 mil pessoas passaram pelo local. O velório foi aberto ao público às 9h e se estendeu até às 17h, quando foi fechado para a família. Já o sepultamento estava previsto para as 19h. O corpo do chanceler da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) chegou ao município durante a madrugada, por volta das 5h.

A organização do funeral contou com o apoio da Polícia Rodoviária, do policiamento de Machado e da Cart (Concessionária Auto Raposo Tavares), que cuidaram dos acessos ao santuário. A estrutura ainda dispôs de uma ala reservada somente para os familiares; uma tenda para a imprensa; e pontos de distribuição de água. Ao longo de todo o dia, a empresa Jandaia disponibilizou uma linha de ônibus (Avenida Brasil x Casemiro Dias) de hora em hora, com saída no terminal, para facilitar a visitação dos munícipes.

O enterro no próprio santuário foi uma decisão da família a pedido do professor. O filho de Agripino, Paulo César de Oliveira Lima, conta que o pai demonstrou o interesse de ser sepultado no local. Sendo assim, conversou com os irmãos, que concluíram em conjunto que ali seria o melhor lugar para preservar a sua memória. “O Santuário Morada de Deus foi a maior alegria do meu pai e a última grande obra dele em vida”, expõe.

Questionado sobre sua relação com Agripino, Paulo o descreve como “um grande pai e um homem maravilhoso, que não media esforços para orientar e dar um bom exemplo aos filhos”. Destaca que o ex-prefeito ensinou ainda a importância de servir a Deus e ao próximo e a necessidade de estabelecer metas e uma missão de vida. “Ele era um homem dedicado à população, à família, aos filhos e extremamente dedicado a Jesus de Nazaré”, completa. Para Paulo, o pai deixa como legado a mensagem de que “o trabalho tudo vence”.

Por se tratar de um momento delicado, os demais familiares de Agripino preferiram não se pronunciar sobre a sua morte. Sendo assim, a Unoeste organizou uma coletiva de imprensa com o pró-reitor acadêmico da universidade, José Eduardo Creste, que ficou responsável por falar pelos familiares e por toda a equipe da instituição. O representante lamenta a perda do chanceler e o reconhece como “um homem realizador, trabalhador e, acima de tudo, um homem simples e humilde, que conseguiu com muito sacrifício chegar aonde chegou”. José Eduardo completa que a Unoeste sentirá falta do professor e, por se tratar de um homem visionário, Agripino sempre preparou pessoas para manter a universidade crescendo. “O legado dele é contínuo e nos lembraremos dele como uma pessoa alegre, divertida e para frente”, considera.

 

Homem da pobreza”

O assessor e amigo do ex-prefeito, Ismael Silva, enfatiza as contribuições de Agripino em âmbito regional e seu trabalho como vereador ao longo de dez anos, prefeito por três gestões, deputado constituinte, deputado estadual e chanceler daquela que avalia como “a maior universidade do oeste paulista”. “Agripino sempre se preocupou em atender a classe mais sofrida. Era um homem da pobreza e a comunidade vai sentir muito a falta do seu professor. Ele foi meu mestre, meu pai, meu braço direito e estivemos juntos por mais de 25 anos. O que eu sou é graças ao professor Agripino”, comenta.

Amigo de longa data, Inocêncio Erbella ressalta a colaboração do professor para a formação acadêmica da população regional, uma vez que muitas cidades enviam seus estudantes para Prudente. “Eu lembro quando o Campus 2 era só mato e ele chegou lá e prometeu que faria isso e aquilo no local. Fui embora pensando que meu amigo estava louco e que esses sonhos eram impossíveis. Depois percebi que eu tinha cometido um erro, porque ele não só fez, como fez mais do que falou. Mostrou que é um homem ousado, trabalhador e que bate nas portas para ver elas se abrirem”, relata.

A dona de casa Jandira Pereira dos Santos, 65 anos, se despediu de Agripino com lágrimas nos olhos. “Eu acompanhei toda a vida política dele e era fã do seu trabalho. Não tem mais ninguém igual ele. Acabou. Agora só restam dor e tristeza”, lamenta.

 

Morte

Conforme nota divulgada pela Unoeste, Agripino morreu na quarta-feira, por volta das 14h45. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital, onde passou por procedimento cirúrgico no dia 22 de janeiro, em razão do diagnóstico de uma úlcera gástrica hemorrágica causada por um tumor. Seu quadro era estável e evoluía bem, mas se agravou nos últimos dias. Foi decretado luto oficial na cidade por três dias.

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