Em lugar do medo, a esperança deve mobilizar politicamente os eleitores

07/10/2018 04:59:00

Hoje o país encara o dia mais aguardado desde 2015. Em um cenário de polarização jamais visto, com discursos antagônicos que vem ganhando força e repercussão desde a mobilização pelo impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT), este domingo é o clímax aguardado por todos os grupos políticos envolvidos no processo eleitoral.  Há quem tenha vislumbrado o “escalonamento” de alguns discursos já em 2013 e de modo perspicaz, começou a construir uma imagem (ou uma ideia) desde a eleição anterior, surfando na onda dessa ansiedade antissistêmica que atropelou demandas democráticas e sociais. Ainda assim, o fenômeno político que se instaurou (do “nós” versus “eles”) ganhou uma ampliação tão inesperada que nem os mais preparados conseguiram evitar que o “voto útil” reverberasse.

Hoje boa parte do eleitorado buscará as urnas na expectativa de eleger o candidato “menos pior”, dividindo o país em dois lados opostos, criando antagonismos, elencando um inimigo público com ambas as partes crendo piamente que estão “salvando” o país do mal maior. Esse olhar despolitizado e motivado pelo desespero é sem dúvida o ambiente ideal para que opções mais radicais ganhem espaço. O grande problema desse conceito de voto “PRAGmático” é que ele automaticamente elimina o voto “PROGRAmático”. Os eleitores se esforçam mais em defender seu escolhido, minimizar seus erros, elevar seus acertos e utilizar falácias ad hominem para tentar negar a legitimidade do oponente. Infelizmente, esse esforço contínuo toma o tempo e o interesse para a análise efetiva dos programas de governo. Esse destaque no Executivo é também a razão pela qual muitas pessoas ainda hoje sequer sabem quem escolherão para ocupar as cadeiras do Legislativo – ou, caso tenham determinado seu representante, o fizeram sem conhecimento real de suas proposituras.

Com ingredientes de tão baixa qualidade é previsível que a receita dê errado. A única forma de alterar esse resultado é devolvendo ao cidadão a compreensão de quem ele é como ser político, dentro de sua realidade. Não se trata apenas de ter consciência da importância do voto, daquilo que é fato e do que é distorção, e sim a consciência de quem ele é na sociedade: a classe onde se encontra, quem o representa e quais são suas reais demandas. Só há possibilidade de que isso ocorra em um espaço que permita diálogo e que seja motivado pela esperança, e não pelo medo. Essa é a verdadeira força motriz da mobilização política e a única chave de interpretação para os fenômenos que levaram a democracia brasileira a esse estado tão frágil na qual ela se encontra hoje na semana em que completou seus 30 anos de existência.

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