Dados da VEM

Em 10 anos, Prudente soma 2,6 mil casos de DSTs

Doenças analisadas são sífilis, HIV e hepatites virais, sendo que, em todas as situações, maiores atingidos são do sexo masculino

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 07/11/2018 04:02:00

Testes de HIV podem ser realizados gratuitamente em qualquer unidade básica de saúde. Foto: José Reis

Em 10 anos, Presidente Prudente acumula 2.669 casos de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). Números referentes à sífilis, HIV (vírus da imunodeficiência humana) e hepatites virais (B e C), dos quais 1.832 (68,63%) se remetem ao sexo masculino e 837 (31,36%) ao feminino. Neste contexto, a maioria dos casos em homens é de HIV, sendo 726 (39,62%) do total de 996 nos últimos 10 anos. Enquanto entre as mulheres, a maior incidência é de hepatites, com 342 (35,25%) casos. Em comparativo de ano a ano, chega-se à conclusão de que em 2018 o município teve crescimento de 90,10% no número de casos em relação a 2008. Ou seja, saltou de 142 registros para 270. Os dados são da VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal).

De acordo com coordenador do Programa Municipal DST/Aids, Jefferson Antônio Saviolo, os maiores alvos estão na faixa etária de 19 a 30 anos. No casso dos homens, conforme explica, isso se potencializa entre os homossexuais, devido à rotatividade de parceiros. “A prática sexual entre dois homens oferece mais riscos de contágio de ISTs [infecções sexualmente transmissíveis], principalmente no meio jovem”, expõe.

Em razão disso, o programa – que existe na cidade desde 1999 – atua com a chamada “ação extramuros”. A inciativa, segundo Jefferson, consiste na visita mensal em instituições de ensino superior e pontos estratégicos para incentivar a população a realizar os testes de DSTs. “O objetivo principal é obter um diagnóstico precoce e já inserir o indivíduo em um tratamento adequado, evitar a evolução dos quadros, principalmente do HIV”, explana.

Altos e baixos

Hoje, com 125 casos de sífilis, Prudente vem de um histórico de alta nas ocorrências da doença desde 2017, quando o número era de 172. Jefferson atribui a majoração à falta de conscientização e prudência em relação aos métodos contraceptivos nas relações sexuais. Ainda conforme ele, a situação não se repete nos casos de HIV, devido à prevalência das doenças na população geral - a sífilis atinge 1,6% da população e o outro vírus, 0,4%.

Talvez seja esse um dos fatores que contribui para o “controle” do HIV em Prudente. Nos últimos cinco anos, os registros na cidade têm oscilado na média de 80, sendo 77 o número atual. Um ponto positivo tendo em vista que, em 2013, a cidade contou com 130 casos, o maior índice desde 2008. De acordo com Jefferson, o aumento da época coincide com o ano em que os testes de DSTs foram espalhados pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde). “Acho que o que tem ajudado a controlar também é o trabalho de conscientização que vem sendo feito, cada vez mais ativo, pela mídia e pelas pastas de saúde competentes”, relata.

A situação se repete no histórico de hepatites que, desde 2013, não apresentam alta significativa, ficando entre 92 e 68 casos. O motivo, conforme Jefferson, é o mesmo, o maior acesso aos testes nas unidades de saúde. “É aquele ditado, quem procura acha, então, obtivemos essa alta, e, desde então, temos cuidado para que não se repita e seja feito um tratamento de prevenção, conscientização e controle”, pontua.

Panorama geral

No ano em que o Programa Estadual DST/Aids completa 35 anos, Jefferson frisa que Prudente não escapa do índice nacional de aumento de casos. “As pessoas precisam, mais que nunca, se prevenir e perceber que se tratam de doenças que devem ser tratadas para o bem pessoal e coletivo”, relata. Comportamento esse que vem ganhando força na cidade. Conforme o coordenador, é notória a maior preocupação dos prudentinos em relação às DSTs. “Quando começamos com as testagens era difícil fazer com que as pessoas quisessem realizar o teste. Hoje, aonde quer que a gente vá, formam filas, as pessoas perguntam mais, tiram mais dúvidas, isso tem que se tornar hábito em todos”, acentua.

Segundo o coordenador, a maior procura é resultado de uma sociedade que, aos poucos, está derrubando estigmas e preconceitos em relação às doenças sexualmente transmissíveis. “Ainda existem pessoas que tratam o assunto como tabu, mas isso vem mudando. Observamos também que a maioria dos preconceituosos, na verdade, só são leigos no assunto”, ressalta.

SAIBA MAIS

Os testes de sífilis, HIV e hepatites virais podem ser realizados gratuitamente em qualquer UBS da cidade durante o horário de funcionamento normal.

DSTs

Sífilis: Tratamento simples, podendo ser realizado em qualquer unidade de saúde e existe cura do quadro;

Hepatites: Tratamento à base de medicamentos e cura do quadro dentro de 3 ou 6 meses;

HIV: Necessita de tratamento em unidade especializada, não possui cura, porém, o tratamento monitorado e realizado logo após o diagnóstico possibilita uma melhor qualidade de vida.

Fonte: Jefferson Antônio Saviolo

Doenças sexualmente transmissíveis em Prudente

Gênero

HIV

SÍFILIS

HEPATITES

TOTAL

Masculino

726

478

628

1.832

Feminino

270

225

342

837

Total:

996

703

970

2.669

Período: 2008 a 2018

 

 

 

Fonte: VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal)

   
Estilo do Site
  • Luz
  • Alto Contraste