Segundo trimestre

E-commerce fatura R$ 61,1 milhões na região de Prudente

De acordo com dados da Fecomercio-SP, segmento cresceu 10,5% em comparação com o mesmo período do ano passado

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 08/11/2018 04:00:00

O hábito de comprar pela internet está ganhando cada vez mais força. A afirmação se comprova por meio de levantamento realizado pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). Segundo os dados, o segundo trimestre de 2018 – abril, maio e junho – resultou em um faturamento de R$ 61,1 milhões no segmento de comércio eletrônico na região de Presidente Prudente, por meio de 138 mil pedidos no período. Em comparativo com os mesmos meses do ano passado, quando o faturamento foi de R$ 54,7 milhões, houve um aumento de 10,5% nesta modalidade de compra. A majoração foi mais expressiva que a constatada em âmbito estadual, cujo crescimento de vendas foi 3,6% no período analisado, atingindo R$ 4,07 bilhões no segundo trimestre deste ano.

Na região, o tíquete médio de faturamento por pedido foi de R$ 444, também maior que a média do Estado, de R$ 412,96. Apesar deste cenário de expansão, para o presidente do Sincomércio (Sindicato Comércio Varejista de Presidente Prudente e Região), Vitalino Crellis, este segmento de compra e venda apresenta um lado bom e um ruim. De acordo com ele, o crescimento é explicado devido à facilidade que o meio online oferece na hora de efetuar uma compra. Porém, “é prejudicial para os estabelecimentos físicos”.

Conforme explica o sindicalista, é difícil para as lojas competirem com os preços dos sites. “A empresa tem gastos com funcionários, aluguel de prédio, e tudo isso é somado ao valor final de um produto. Não tem como competir com o e-commerce, que não possui esses gastos, logo, vende mais barato”, compara. Por este motivo, defende uma manutenção nos encargos sociais, que “encarecem o produto e dificultam o êxito do comerciante”.

Apesar disso, Vitalino não descarta o aumento de vendas do comércio prudentino no fim do ano. Segundo ele, novembro e dezembro sempre foram meses de maior lucro e fluxo de pessoas e, mesmo com o crescimento do e-commerce, ainda não é suficiente para afetar essa “tradição”.

Prós e contras

Segundo Vitalino, embora ofereça mais variedade, preços mais atrativos e um processo de compra sem burocracia, a internet não se torna viável quando o assunto é “segurança e suporte”. “O que mais você vê por aí são pessoas que compram pela internet, recebem um produto com defeito e não conseguem efetuar a troca”, expõe. Outra reclamação comum, conforme explica, é a “demora” para a entrega do produto.

O advogado especialista em Direito do Consumidor, Marcelo Flávio Cesário, concorda com Vitalino na questão de maior praticidade. Porém, para ele, existem dois pontos que devem ser levados em consideração quando o assunto é e-commerce. O primeiro deles é a legislação que garante o “direito de arrependimento”. “Muitas empresas não divulgam isso, mas o cliente tem direito de desistir de uma comprar até sete dias após receber o produto em casa, e não se faz necessária nenhuma justificativa para tal”, explana.

O outro ponto que deve ser evidenciado diz respeito ao suporte relacionado à demora de entrega dos produtos e reclamações de sua qualidade. Segundo o advogado, algumas empresas não aceitam reclamações quando a embalagem do produto está violada, porém, conforme a lei, não é bem assim. “É óbvio que para descobrir se um produto está funcionando corretamente você precisa abrir a embalagem, então, independente disso, a empresa deve prestar suporte para trocas e assistência”, relata.

Atenção redobrada 

Segundo a coordenadora do Procon-SP (Fundação de Proteção ao Consumidor do Estado de São Paulo), Mariane Bezerra Furuzala, o ambiente online tem se tornado uma “mão na roda” para aqueles que possuem uma rotina corrida. Todavia, ela explica que tudo que oferece muitas possibilidades deve ser monitorado com mais atenção. “Produtos que estão com preços muito abaixo do mercado, sites que não possuem outro meio de contato como e-mail, endereço físico ou telefone, tudo isso pode indicar uma fraude”, expõe. Nessas situações, o consumidor deve se certificar da confiabilidade do estabelecimento antes de divulgar dados pessoais. “No site do Procon temos uma lista de sites que, de alguma forma, já apresentaram problemas, é interessante que o cidadão esteja por dentro para evitar futuros problemas”, expõe. As reclamações mais comuns por parte dos compradores são relacionadas a preços falsos, demora para entrega e falta de suporte em trocas de produtos. “Tudo isso pode ser evitado se houver uma pesquisa minuciosa a respeito da fama e da imagem da empresa em questão”, explana.

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