Dia Mundial do Rim promove reflexão sobre saúde da mulher

Nefrologista de Prudente aponta que algumas situações são mais comuns no público feminino, como a nefrite relacionada ao lúpus e as complicações renais em decorrência da gravidez

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 08/03/2018 15:43:22

. Foto: Arquivo, Gustavo: "Doença renal crônica é insidiosa e com poucos sintomas"

Além de ser uma data voltada para a reflexão da luta das mulheres por seus direitos, o dia 8 de março também é marcado pelo Dia Mundial do Rim, quando são realizadas ações em âmbito global com o objetivo de propagar informações relacionadas à prevenção da doença renal crônica. Tal coincidência não passou despercebida pela Sociedade Internacional de Nefrologia, que instituiu como tema, em 2018, “O rim e a saúde da mulher”. Embora as estatísticas de casos sejam muito parecidas entre os homens e as mulheres, o nefrologista Gustavo Navarro Betônico denota que algumas situações são mais comuns no público feminino, como a nefrite relacionada ao lúpus (doença crônica autoimune mais frequente em mulheres) e as complicações renais em decorrência da gravidez. “A gestação, por inúmeras razões, pode sobrecarregar o rim, aumentar a incidência de infecção urinária e originar até mesmo uma doença renal crônica”, aponta.

O profissional salienta que o aumento da sobrevida da população contribuiu para a elevação no número de casos em geral. Isso porque a doença renal crônica é mais prevalente no processo do envelhecimento, que normalmente está acompanhado de patologias como diabetes e hipertensão, as quais contribuem para o comprometimento da função dos rins. Ele explica que a insuficiência renal pode ter origem genética, mas a grande maioria das ocorrências está relacionada a fatores externos. Em pessoas mais jovens, uma das principais causas é a inflamação dos rins, conhecida como nefrite.

O especialista destaca que a doença renal crônica é assintomática, principalmente nas fases iniciais. Em estágios mais avançados, no entanto, é comum o surgimento de inchaço, falta de ar, cansaço e quadro de anemia. “Diferente do cálculo renal, cujo diagnóstico é feito com base na dor, a doença renal crônica é insidiosa e com poucos sintomas”, esclarece.

 

Do diagnóstico ao tratamento

Quando descoberta no início, o paciente tem a vantagem de evitar a evolução da patologia apenas com a mudança de hábitos e medicamentos. Em contrapartida, se diagnosticada tardiamente, pode haver a necessidade do indivíduo já ser submetido à hemodiálise ou, em situações mais extremas, ao transplante. “Uma dieta equilibrada e o tratamento medicamentoso impedem a progressão da doença e diminuem em muito a chance do paciente ir parar de uma cadeira de diálise. As chances de cura são de praticamente 80%”, comenta.

Justamente por ser uma doença silenciosa, há a necessidade de que os exames de rotina estejam sempre em dia. Segundo Gustavo, o rastreamento e diagnóstico da insuficiência renal são feitos com base nos resultados do exame de creatinina e de urina. Quando a diálise se torna exigida, o paciente tem a opção de realizar o tratamento peritoneal dentro de sua casa ou a hemodiálise.

Em linhas gerais, os rins, quando saudáveis, fazem a filtragem do sangue, que, livre de substâncias prejudiciais ao organismo, retorna para o coração. Quando esse processo é afetado, o indivíduo passa a depender de um rim artificial, viabilizado por meio da referida hemodiálise, que desempenha a remoção das toxinas. Na ausência de uma cadeira, é preciso que o portador seja internado e realize o tratamento peritoneal ou a hemodiálise em horários alternativos.

 

Evolução da doença

Gustavo enfatiza que, se não for bem tratada, a doença pode apresentar complicações a curto e longo prazo, as quais incluem alterações metabólicas, frequência cardíaca e maior incidência de AVC (acidente vascular cerebral) e de infarto.

No caso das pessoas que já têm histórico familiar de insuficiência renal, o nefrologista argumenta que se torna necessário, além da adoção de hábitos de vida saudáveis, o acompanhamento médico para identificar a causa que levou o familiar à diálise e, a partir disso, definir a forma de atuação para evitar que o indivíduo siga no mesmo caminho.

Já nos demais públicos, Gustavo orienta que as pessoas cuidem da alimentação, mantendo uma dieta com menos sódio e menos calorias; evitem o sobrepeso; e não façam o uso indiscriminado de medicamentos, pois estes contribuem para o desenvolvimento da hipertensão.

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