Devemos saber nos preservar

  • 05/07/2019 04:10
  • Maria Angélica Amoriello Bongiovani

Constelações são agrupamentos aparentes de estrelas os quais os astrônomos da antiguidade imaginaram formar figuras de pessoas, animais ou objetos. Numa noite escura, pode-se ver entre 1.000 e 1.500 estrelas, sendo que cada uma pertence a alguma constelação. Hoje já não falamos em constelações de forma reducionista, focando só no coletivo de estrelas. Há muitos significados e desdobramentos envolvendo a palavra. A atualidade ou contemporaneidade encaminha para realidades conflituosas, tanto do ponto de vista real como virtuais. Não estamos mais dando conta do que está diante do nosso olhar e escuta ou sensações e percepções. Fatos ou situações, vivências ou experiências quando não estão significando excessos, são consideradas ausências de todos os lados. Do excesso às ausências desconhecemos re-significar os vazios. Desconhecemos o que se trata do real, mito, símbolos, tabus, verdades ou historicizaçãao. A verdade é que há os desconhecidos permeando toda nossa existência tanto de nosso universo interno como externo em nosso psiquismo. E isso leva a angustia, transtornos dos mais diversos, como ansiedade, depressão tomando proporções muito perigosas como suicídio. Não há outro caminho que não seja a do autoconhecimento. Muitas vezes as pessoas não querem viver de forma emocional e sim racional onde tornar-se operativo e concreto é o melhor caminho. Quem não se envolve não se transforma. E a forma de encontrar soluções mágicas para uma possível “cura” e “respostas” é escolhida aleatoriamente e fugaz. “Eu não tenho tempo, se estou com problemas ou transtornos quero resolver logo. Quero respostas rápidas e instantâneas”. Felizmente pacientes chegam até nós, aos cacos emergindo do caos, despertados, após terem percorridos uma serie de terapias alternativas, ouvindo absurdos bizarros, confessando que “mexeram no seu queijo” de forma leiga e bagunçaram ainda mais a bagunça. Legitimados pelo senso comum, sem cientificidade e especificidade dentro de uma prática, técnica e teoria, certas terapias alternativas, provocam com devolutivas dogmáticas, ainda mais o estado confusional ou mental. Pergunto: Como um profissional pode confirmar para toda uma família, a existência na sétima geração de um filho bastardo, branco, de olhos azuis e por não ter sido reconhecido está alterando todo o presente. E mais... Que é importante ir atrás desse filho porque não terão paz. Como uma profissional pode afirmar que o suicídio ocorrido na família foi para reparar um problema da oitava geração devido isso, isso e isso. Será o ser humano anencefálico? Estamos vivendo a era da destruição do aparelho para pensar os pensamentos. Estamos com preguiça de pensar? Estamos buscando ou terceirizando formas para o outro pensar por nós? Não culpo somente os profissionais inadequados e incapacitados pelo descalabro a que assistimos todos os dias, também penso que há ignorância, falta de informações e um descuido com a capacidade de se auto- preservar. É preciso buscar informações fidedignas a respeito de bons profissionais no momento em que sentimos a necessidade de buscar ajuda, a fim de ter uma escuta, apoio, suporte e respostas para questões do nosso psiquismo que está pugnando por urgências de alivio, equilíbrio e suavidade, crescimento e transformações. Muitas vezes há situações que preferia que constelações significasse apenas coletivo de estrelas. Há portas abertas de infinidades de profissionais a sua espera. Pense antes de batê-las. Uma vez que dentro está, há que ter estrutura para afinar sua escuta. É questionar sobre as soluções mágicas consteladas por ai. Há sempre quem provoca um grande des-serviço relacionado as questões advindas no nosso funcionamento mental,e psiquismo.Com traumas não podemos titubear.Não podemos mexer com assuntos que poderão despertar monstros e não termos profissionalismo e fundamentação teórica,pratica e técnica para o domínio e uma possível transformação.

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Maria Angélica Amoriello Bongiovani

Maria Angélica Amoriello Bongiovani

Maria Angélica Amoriello Bongiovani é psicóloga clínica, psicanalista e membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

Contato: angelicabongiovani@stetnet.com.br

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