DEUS É BOM? E O DIABO...

  • 09/02/2020 05:30
  • Persio Isaac

Um dia desses estava com os amigos conversando sobre política. Falávamos das características de um bom político. Os amigos mais sonhadores e idealistas diziam que o bom político é aquele que é ético, honesto, que coloca os interesses da cidade, Estado ou país acima dos interesses pessoais. Um homem intenso e verdadeiro e que acredita naquilo que faz. Os amigos céticos e descrentes deram risada. Para eles o bom político é aquele que mente, que engana, que compra votos e que só trabalha para seus interesses pessoais. Eu olhei para todos os sonhadores e para os céticos e disse: O maior e mais inteligente político que conheci foi o seu Zé do Tênis. Seu Zé do Tênis? Sim, o seu Zé, que trabalhava como guarda noturno no Tênis Clube, lembram? Um homem de uma sabedoria popular impressionante. Quando ele me pegou à noite no flagra, lá no campo de futebol à noite namorando, lembram? Era segunda- feira, o clube estava fechado. Pensei que ele iria me entregar para o seu Mario, gerente do clube. Mas com sua sabedoria popular me disse: “Pode continuar”. Um gênio. Começamos a relembrar o lendário seu Zé do Tênis. Continuei a minha explanação, defendendo e mostrando a genialidade do seu Zé. Lembram quando estava uma noite tenebrosa, chuvosa, sem lua no céu, tipo filme de terror? Ah é, eu lembro, disse o Zé Roberto. O Demétrio começou a rir antes do final da história. Pois é, estávamos todos sentados depois de jogar futebol e o assunto era sinistro, lembram? Putz que medo que eu estava disse o Tiago. Afinal que assunto tão tenebroso era aquele? Na flor da nossa juventude estávamos conversando sobre assombrações, mula sem cabeça, vampiros, lobisomens, ao som dos trovões e raios que rasgavam o céu escuro. A nossa imaginação era por demais fértil. O papo era aterrorizante. Eu sempre fui um cara medroso, me deixava amedrontar facilmente. A vida de um medroso nunca será fácil. Um dia me meti a ser valente, pra fazer pose para a Rosana Leal. Dando uma de educado me ofereci a acompanhá-la até a sua casa. Não me lembro se era de noite ou se estava escurecendo. Aliás, para um legítimo medroso, registrado em cartório, esses detalhes não importam muito. Pode ser a qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer situação, em qualquer esquina, o medroso revela a sua covardia. Bom, lá estava eu, caminhando tranquilamente com a Rosana, se achando o super homem, protegendo a indefesa donzela. Infelizmente o vexame acontece. O medroso e o azar andam juntos. Estava andando descontraído, alegre, sem sinal de alerta, me sentindo um protetor das mulheres indefesas, quando passei rente a um portão de uma casa, que até hoje, para justificar a minha covardia, falo que ela era assombrada. Um enorme cão pastor alemão preto aparece de repente com um latido que parecia sair do inferno, me deixa sem pai e sem mãe. A minha covardia se juntou a minha imaginação e acreditei que estava diante de um lobisomem. Podem me internar. Sai gritando, lobisomem, lobisomem, deixando a pobre Rosana sem entender nada. Até hoje peço perdão a ela. Fiz 20 anos de terapia por causa desse vexame. Era esse o estado de pavor que sentíamos naquela noite assombrada no Tênis Clube. O seu Zé, nosso gênio político, passa e ouve a conversa. Para e diz: Eu já vi o “Home". Que home seu Zé? O Sete Pele. O pavor aumentou de tamanho e algum desavisado disse: O diabo? Fale baixo senão ele pode escutar, disse seu Zé. É pra matar qualquer um do coração com esse aviso. Todos ficamos em absoluto silêncio. Seu Zé começa a nos contar a sua aterrorizante experiência: Estava uma noite como essa, escura, feia, cheia de trovões e raios. A cada frase a gente ia se encolhendo de medo. Eu caminhava por uma estrada de terra quando ele apareceu na minha frente, metade homem, metade bode. Bode? Acho que seu Zé estava mamado de 51. Segue o jogo. E ai seu Zé, perguntou o Célio que já estava debaixo da mesa. A coisa veio se aproximando, aproximando e parou poucos centímetros da minha cara. Seus olhos vermelhos me encararam como se fosse levar a minha alma. Ele tem chifres mesmo? perguntou o Michel. Seu Zé ficou em silêncio, aumentando ainda mais o suspense. A essa altura do campeonato estávamos abraçados uns aos outros.  O Beiçudo me olhava e de repente me perguntou: “Deus é bom? Putz, mas que pergunta mais capciosa disse o Valmir. E ai seu Zé, o que o senhor respondeu? Seu Zé com sua sabedoria disse ao Cabrunco: “Eu digo é. O senhor falou que Deus é bom para o capiroto na cara dele? E o que ele respondeu? Fez-me outra pergunta. Qual seu Zé? Olhou para mim de novo, seus olhos estavam mais vermelhos e queimavam de ódio, e perguntou: “E o diabo”? Meu Deus, que situação seu Zé, essa pergunta é pior que a chamada oral das aulas de português da professora Neuza Macuco. Todos pensamos: O seu Zé se está aqui é porque vendeu a alma para o Guaxumão. Como ele saiu dessa difícil pergunta? Um minuto para os queridos leitores pensarem. Seu Zé com sua habilidade política respondeu como um Tucano do PSDB: “Também não é ruim não. Seu Zé, o senhor é um monstro disse o Roy que foi às lágrimas. Todos aplaudimos esse gênio. O seu Zé é o maior político ou não? O que acham? Vejam vocês.