Desrespeito é realidade para mulheres prudentinas

Prudente

| SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial

Infelizmente, não é incomum ver em noticiários ocorrências envolvendo violência ou atos que denigrem a integridade feminina. São assédios, desrespeitos verbais, vários aspectos que deixam mulheres em sensações de vulnerabilidade apenas por pertencer ao gênero. Pensando nessa realidade, a Câmara Municipal de Santo Anastácio criou um projeto de lei que multa em R$ 2 mil qualquer indivíduo que ofenda ou denigra uma mulher por meio de palavras, gestos e comportamentos. Entretanto, dados de 2016 de uma pesquisa do Instituto Locomotiva diz que 96% da população brasileira acredita que é preciso ensinar os homens a respeitar mulheres e não elas a terem medo. Mas, e nas ruas, no cotidiano, qual é o verdadeiro cenário?

Todas elas já passaram por situações desagradáveis no trabalho, nas ruas e por motivos que se resumem em: liberdade de expressão e o fato de pertencerem ao sexo feminino. Em uma conversa com o jornal O Imparcial, contam detalhes dessa realidade impregnada na sociedade e que, às vezes, se mascaram como brincadeiras.

Publicitária, membro da equipe de atendimento de uma agência de publicidade prudentina, Amanda Lima, aos 22 anos, conta que nenhuma mulher deve se calar diante de situações que ofendam sua integridade. Ela relata que já passou por diversas situações, na qual sua função profissional era reduzida à imagem de que mulher deve ser submissa e lavar louça e cita um caso que aconteceu quando tinha apenas 17 anos.

Tinha um cliente desse serviço que eu trabalhava e um dia precisamos ir ao estabelecimento dele para fazer umas fotos. Eu era a única mulher da equipe, quando cheguei, esse cliente olhou e disse: ‘Você veio ajudar a lavar a louça?”. Segundo ela, no momento ficou sem reação e cometeu um erro que acredita que não deve ser cometido, o de não reagir por medo de ser demitida ou taxada como idiota. “Quando temos 17 anos não temos maturidade, nem noção do que está acontecendo. Então tive medo, hoje já não seria assim, com certeza iria me impor como me imponho hoje”, frisa.

Ela ressalta que após isso, houve uma sequência de situações desagradáveis com a mesma pessoa, na qual era vítima de cantadas desagradáveis. “É um estabelecimento muito bom da cidade, mas nunca mais piso lá, fica para sempre essa marca”, conta.

Outra vítima é a professora de História, Sociologia e Filosofia, Júlia dos Santos. A funcionária estadual já sofreu, em seu ambiente de trabalho, o que muitos consideram bobagem ou exagero: desrespeito com a liberdade de expressão ideológica. “Como professora, tenho que ser neutra em sala de aula, mas existem pontos em que não dá para ser assim, não podemos aceitar humilhações nem ofensas”. Segundo Júlia, o episódio que mais marcou e se sentiu desrespeitada como mulher e profissional foi quando, durante uma discussão sobre aborto prevista no material de estudo, os alunos distorceram suas falas e a acusaram de doutrinar o aborto.

Só passei o tema proposto, me senti muito abalada porque foi logo quando comecei a dar aula”. Porém, ao contrário de Amanda, a professora não teve medo e enfrentou a situação. “Ninguém vai me tirar da minha profissão, somos livres, mas a partir do momento que começa o discurso de ódio, aí já não é fruto da liberdade expressão”, pontua.

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