Desinteresse por informação é ferramenta de alienação social

03/03/2018 14:47:41

Este diário recebeu ao longo dos últimos meses muitas comunicações de leitores a respeito da pintura de antigos ônibus das empresas responsáveis pelo serviço de transporte coletivo em Presidente Prudente, de modo a utilizá-los dentro da operação do novo sistema intitulado “Prudente Urbano”.

Mesmo após a publicação de diversas matérias elucidando que o edital previa veículos com idade máxima de 12 anos (ou seja, não se exige que todos seja 0 km) foi necessário nesta semana publicar um novo material elucidando essa questão e mostrando que parte da frota será de ônibus novos, enquanto outra parcela “reaproveitará” os veículos já existentes que possuem em média seis anos de uso.

É evidente que O Imparcial busca abordar os interesses da população e defender pautas de interesse público, em lugar de privilegiar empresas privadas. No entanto, o nome do impresso carrega junto a si um compromisso com a verdade e, nesse caso, foi essencial trazer luz a uma situação que gerou muita repercussão, especialmente em redes sociais.

Essa “desinformação” a respeito de uma simples pintura de ônibus, visando uma padronização estética, demonstra algo muito mais profundo a respeito da sociedade pós-moderna: o desinteresse por conteúdo noticioso e a falta de comprometimento com a checagem de fatos. Não à toa que esta está sendo conhecida como a era dos “fake news”, notícias falsas disseminadas pelas redes sociais, com uma “roupagem” de texto jornalístico, mas de sites e blogs sem credibilidade e sem trazer fontes.

Em um momento de polarização política, revolta e insatisfação com a corrupção entranhada nas camadas dos três poderes e diante de um resultado de eleições gerais imprevisível em 2018, o desinteresse pela informação pode ser uma poderosa ferramenta de alienação social nas mãos daqueles que pretendem se manter no poder, ou tomá-lo para sim.

Posicionar-se a favor do chamado “quarto poder” nas terras norte-americanas – a imprensa – não se trata de defender interesses próprios, mas de reforçar um instrumento necessário para o exercício da democracia, e capaz de dar voz ao coletivo, suprindo lacunas que os outros três poderes deixam. As mídias sociais podem, nesse contexto, emergir como uma espécie de “quinto poder”?

Talvez, mas com muita cautela. Depende de seu uso consciente e responsável. A internet é um bem preciosíssimo, com muitas vantagens, disso não há dúvidas. O que precisa ser comedida é essa cultura de enxergar como verdade (seja por má-fé ou preguiça intelectual) tudo o que há pela rede mundial de computadores. Só o senso crítico e um retorno ao hábito de buscar informações em fontes que trabalham com seriedade poderá minimizar o poder e o reverbério gerado por notícias falsas ou distorcidas.

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