Terceira idade

Depressão é mais comum entre idosos de 60 a 64 anos, diz IBGE

Segundo psicólogo, falta de atenção da família e constante sensação de improdutividade, com a debilitação física, são fatores principais para o desenvolvimento da doença

SANDRA PRATA - Especial para O Imparcial • 16/05/2018 09:41:48

Foto: Jose Reis - Ayumi caminha diariamente com seu cachorro pela vizinhança e conta não desanimar com a vida

O famoso terceiro estágio da vida: a velhice é conhecida por muitos como melhor idade e, com o passar do tempo, chega para todos. Os ponteiros do relógio da juventude correm e com o passar das horas, meses e anos, deixam marcas e histórias de um trajeto árduo, sedento de vitalidade. Porém, às vezes, no meio do caminho, essas marcas esbarram no que a OMS (Organização Mundial da Saúde) chama de “crise global”, a depressão. De acordo com a mais recente Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, 11.2 milhões de brasileiros sofrem com a doença. Quando agrupados por faixa etária, os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram onde ela é mais grave: a faixa dos 60 a 64 anos lidera o ranking, com 11,1% dos diagnosticados.

Estudando o comportamento humano há dez anos, o psicológico Joaquim Cardoso Neto trabalha em uma casa de repouso para os mais velhos e, segundo ele, existem duas principais causas para o desenvolvimento da depressão. A primeira delas é a constante sensação de improdutividade na qual o idoso se identifica. “Com a idade, eles começam a ficar mais debilitados fisicamente e, alguns, às vezes, estavam acostumados com uma rotina ativa. Então, essas limitações fazem com que se sintam incapazes”.

O outro fator destacado é a falta de convívio social e de atenção por parte de entes queridos. Nesses casos, conforme o psicólogo, é essencial que existam um zelo e uma atenção maior por parte das pessoas da família. “Têm idosos que são abandonados, isolados do convívio, por isso, começam a ter ausência de vida social e amigos, fato que acarreta a doença”, explica.

Ademais, Joaquim frisa que por se tratar de um problema que atinge desde crianças até pessoas acima de 90 anos, a depressão pode se desenvolver por meio de motivos genéticos e, durante a velhice, a maior propensão é entre os 65 e 70 anos.

 

Xô baixo astral

O quadro de idosos desanimados pode ser grande, mas com certeza Ayumi Kague não se encaixa nessa estatística. Moradora da cidade desde 1995, aos 82 anos Ayumi faz aulas de dança semanais, participa de karaokês, faz exercícios corporais e mentais, tudo acompanhado por uma caminhada diária ao lado dos dois cachorros de estimação pela vizinhança do bairro São Lucas, onde vive. “Comecei a dançar faz uns 15 anos, logo que aposentei, queria fazer alguma coisa para animar”, relata.

Segundo ela, apesar da muita idade, não se sente desanimada nem isolada do convívio. Pelo contrário, tem muitas atividades e para não ficar para baixo, não tem segredo, o importante é não deixar a falta de disposição te dominar. “Tem que pensar: preciso fazer isso, preciso continuar, aí começa a ter mais disposição”, incentiva.

Enquanto isso, a falta de atividades e uma agenda monótona é a realidade a qual Maria Lydia Santana tem que se adaptar aos 89 anos. Conforme ela, sempre foi muito ativa, gostava de ir ao cinema, e hoje se limita ao ambiente domiciliar. “Minha rotina dá até vergonha, meu único passatempo é ler e ver televisão, não posso andar sozinha, não gosto de ficar incomodando as pessoas”. Dona Maria, que vive com duas filhas e um neto, ressalta que não tem muitos conhecidos e isso diminui ainda mais as possibilidades de distração.

Ela explica que de tudo, a falta de vida social, falta de atividades e possibilidades de caminhar sozinha, o que mais sente falta é de ter alguém com quem conversar. “A vida toda conversei demais, não gosto de ficar parada”. Segundo ela, quando se chateia com isso, a solução é deitar e dormir. “Não tenho ânimo para nada, a não ser arrumar quarto e passar roupa de vez em quando, só quero ficar deitada e sentada”, relata.

A filha Marisa Santana, que com 64 anos acompanha a rotina de Maria, conta que é cansativo, principalmente por conta das reclamações da mãe por não ter o que fazer. “Ela já foi em um psicólogo e não gostou, resolveram fazer terapia em grupo, não deu muito certo isso, por ser muita gente ela queria a atenção só para ela”, frisa.

 

Sintomas de depressão:

Tristeza profunda, isolamento social, improdutividade, perda de apetite e desanimo para realizar atividades são alguns dos principais sintomas destacados por Joaquim. Além disso, ele frisa que quando diagnosticado alguns desses sinais, a primeira inciativa que deve ser tomada como prevenção é promover a inteiração social do idoso. “É importante aproximar de parentes, amigos fazer com que tenha comunicação com outros”, pontua.

 

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