Crise no setor cerâmico fecha 1 empresa por mês

De janeiro a maio, 5 negócios foram desativados na região; a fim de minimizar cenário, Incoesp vislumbra sistema fotovoltaico

ANDRÉ ESTEVES • 12/06/2018 05:33:00

Cerâmicas diminuem custo de produção para aumentar subsistência. Foto: Arquivo

De janeiro a maio deste ano, cinco cerâmicas fecharam as suas portas em seis municípios da região, o que gerou a demissão de aproximadamente 130 funcionários diretos, de acordo com informações da Incoesp (Cooperativa das Indústrias Cerâmicas do Oeste Paulista). Isso significa o encerramento de uma indústria do setor a cada mês, em média. Nos cinco primeiros meses, o número já se aproxima do total de empresas desativadas em todo o ano passado, quando oito interromperam suas atividades. Atualmente, 80 cerâmicas estão em funcionamento na área representada pela cooperativa, que abrange Panorama, Pauliceia, Santa Mercedes, Ouro Verde, Presidente Epitácio e Regente Feijó. Entre as principais dificuldades que afetam o setor, estão a queda das vendas em função da baixa demanda no ramo da construção civil; a deficiência na logística de transporte, impactada pelo aumento no preço dos combustíveis; e as altas nas contas de energia.

O consumo de energia elétrica representa, a propósito, o principal gasto dos empresários deste segmento e, justamente com o objetivo de minimizá-lo, a diretoria da Incoesp se reuniu com representantes da Desenvolve São Paulo (Agência Paulista de Desenvolvimento), no início do mês, a fim de discutir um possível financiamento para a implantação de um sistema fotovoltaico em cerâmicas da região. Conforme o presidente da cooperativa, Gildo André Cebrian Rebeschini, o objetivo da equipe é oferecer uma linha de crédito aos empresários para que possam aderir ao sistema e se tornarem autossuficientes na geração de energia elétrica, sem depender, portanto, integralmente dos serviços de uma concessionária. Com isso, será possível reduzir em até 90% a conta de luz. “Diminuindo o custo de produção, consequentemente a vida útil da indústria se prolonga”, explica.

Gildo esclarece que o uso deste sistema pode ser feito de forma individual ou por meio de um parque de geração, que fica responsável pela distribuição de energia. No entanto, o intuito inicial é que cada empresa adote esta alternativa de maneira autônoma. Segundo o presidente da cooperativa, o investimento varia para cada cerâmica, contudo, os valores vão de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões, que podem ser liquidados em um período de até cinco anos. “Embora seja um montante substancial, o lucro gerado pela economia de energia paga o investimento feito”, enfatiza.

Gildo aponta que, caso a linha de crédito seja liberada, o sistema pode ser viabilizado dentro de seis meses. “Seguimos confiantes nisso, porque estamos diante de uma crise energética e sem qualquer incentivo fiscal para nos tornarmos autossuficientes”, completa. Ele relata que, em função da greve dos caminhoneiros, o depósito de obras ficou desabastecido, o que dá a falsa impressão de que este é um momento ascendente para o setor da cerâmica. A situação é, contudo, momentânea. “Achamos que seria um bom ano para o segmento, mas os trabalhadores estão completamente parados”, menciona. O cenário se agrava com os aumentos consecutivos no preço do combustível, já que os comerciantes dependem do modal rodoviário para o escoamento de sua produção e o recebimento de matéria-prima.

Medidas preventivas

Para o gerente da Cerâmica Urubi, em Presidente Epitácio, Almir Góes dos Santos, a implantação do sistema fotovoltaico seria positiva, já que a energia elétrica corresponde a 40% do custo total de operação. Os demais 60% são distribuídos entre a aquisição de combustível e mão de obra. Para lidar com as despesas e conseguir manter o negócio de pé, Almir terceirizou alguns serviços e reduziu sua produtividade pela metade nos últimos quatro anos, motivado principalmente pela desestabilidade do ramo da construção civil.

O enxugamento do quadro de funcionários também foi necessário, passando de 35 para 20 profissionais. “E mesmo diante das elevações nos preços do combustível ou no pedágio, por exemplo, não consigo reajustar o preço do meu produto, porque senão sou prejudicado pela concorrência ou deixo de repassar a mercadoria para meu cliente”, enfatiza. Questionado sobre a possibilidade de fechar sua empresa, ele tenta ser otimista: “Estamos na luta”.

Para o proprietário da Cerâmica Santa Marta, em Panorama, Lauro César dos Santos, as palavras de ordem são “economizar mais e produzir menos”. No estabelecimento, a folha de pagamento tem 10 funcionários a menos. Se antes eram 24 trabalhadores, hoje são 14. “Com essas medidas preventivas, estou conseguindo tocar o negócio por enquanto, mas o ramo se encontra em uma situação difícil”, lamenta.

 

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