Cotidiano

Contexto Paulista

O perfil dos deputados estaduais e a composição de forças na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) mudarão bastante a partir de 15 de março de 2019, quando serão empossados os eleitos no último domingo. Para a 19ª legislatura (2019-2023), foram eleitos 51 novos deputados estaduais, o que equivale a mais da metade (54%) do total de 94 vagas, ante 43 nomes que fazem parte da atual legislatura e que foram reconduzidos ao cargo nas urnas. 33 dos atuais parlamentares se candidataram para mais um mandato estadual e não obtiveram êxito. Ficaram de fora nomes expressivos regionais como Vaz de Lima e Celia Leão (PSDB), Chico Sardelli (PV) e Beth Sahão (PT), entre outros. Fernando Capez (PSDB), que havia sido reeleito com votação recorde no Estado em 2014, com 306 mil votos, e presidiu a Assembleia no período 2015-2017, disputou vaga na Câmara Federal, e não se elegeu. Também não se elegeram a Brasília Ana do Carmo (PT) e Carlos Bezerra Jr. (PSDB), atuais deputados estaduais. O atual presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB) foi reeleito.

10/10/2018 04:30:00

Quase dobra o número de

caras novas na Assembleia

O perfil dos deputados estaduais e a composição de forças na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) mudarão bastante a partir de 15 de março de 2019, quando serão empossados os eleitos no último domingo. Para a 19ª legislatura (2019-2023), foram eleitos 51 novos deputados estaduais, o que equivale a mais da metade (54%) do total de 94 vagas, ante 43 nomes que fazem parte da atual legislatura e que foram reconduzidos ao cargo nas urnas. 33 dos atuais parlamentares se candidataram para mais um mandato estadual e não obtiveram êxito. Ficaram de fora nomes expressivos regionais como Vaz de Lima e Celia Leão (PSDB), Chico Sardelli (PV) e Beth Sahão (PT), entre outros. Fernando Capez (PSDB), que havia sido reeleito com votação recorde no Estado em 2014, com 306 mil votos, e presidiu a Assembleia no período 2015-2017, disputou vaga na Câmara Federal, e não se elegeu. Também não se elegeram a Brasília Ana do Carmo (PT) e Carlos Bezerra Jr. (PSDB), atuais deputados estaduais. O atual presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB) foi reeleito.

 

Ventos fortes

É uma lufada que renovará nomes e siglas partidárias como nunca visto no Estado desde que se instalou a hegemonia do PSDB há 24 anos. Na eleição de 2014, por exemplo, 65 dos 94 deputados da Assembleia paulista saíram vitoriosos, o que correspondeu a um percentual de reeleição superior a dois terços (69,15%). Considerando o índice de novatos em 2014, a renovação este ano quase dobrou com o salto de 30,85% para 54%. O baixo índice de reeleição este ano se aproximou do menor índice da história da Assembleia, registrado a 15 de novembro de 1970, quando apenas 28,7% dos parlamentares estaduais paulistas alcançaram êxito para se manterem no poder.

 

Bancada da bala

Com a entrada de noves novos deputados de origem militar ou da área de segurança pública, ampliou-se a chamada “bancada da bala” na Assembleia Legislativa, que vai se somar a dois reeleitos com esse perfil. Eles foram identificados pelo eleitorado com os nomes parlamentares de Delegado, Delegada, Major, Agente Federal, Coronel, Sargento, Xerife e Tenente. Apenas dois deputados foram eleitos com os nomes associados à educação (Professor e Professora). Entre as novas propostas dos “deputados da bala” se destacam a criação de colégios militares, o aumento de salário e benefícios para policiais e o enxugamento da máquina do governo estadual e da própria Assembleia. Alguns deles devem também se empenhar por independência do Corpo de Bombeiros em relação à corporação da Polícia Militar e defender o uso de fuzis em todas as viaturas da PM como forma de um combate mais ostensivo à criminalidade.

 

Desistentes

Chama a atenção também o número de deputados estaduais que preferiu se manter afastado da política desta vez, sem disputar nenhum cargo - 13. Entre eles, Pedro Tobias (PSDB), que segue como presidente estadual do PSDB e vai dedicar maior tempo à sua atividade na medicina. Também ficaram de fora da disputa Welson Gasparini (PSDB), Orlando Bolçone (PSB) e Carlos Nader (PT), entre outros. Entre os 13 desistentes, alguns pretendem disputar as eleições municipais em 2020.

 

Bancadas

O recorde de votação na Assembleia é da advogada Janaína Paschoal (PSL), com 2 milhões de votos, superior ao mais votado para deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL), que teve 1,8 milhão e é o mais votado na história neste posto. A renovação não será apenas de nomes, mas do equilíbrio de forças políticas. O PSL, que não tinha representatividade na Alesp, terá agora a maior bancada, com 15 deputados estaduais eleitos na esteira de Jair Bolsonaro. Outras estreias são do Partido Novo, com quatro deputados; e Rede, PHS, PDT e SD com um deputado cada um. O Podemos subiu de um para quatro deputados, o PR de três para seis e o PRB de cinco para seis. O PSDB, que possuía a maior bancada, caiu pela metade, de 19 deputados para oito, mesmo número da bancada eleita do PSB (tinha 11, perdeu três). O efeito Bolsonaro chamuscou a maioria dos partidos, mas atingiu mais duramente o PV, que caiu de seis para um deputado; o PSD e o PPS perderam dois deputados cada um; o MDB ficou com um a menos. O PT caiu de 14 para dez deputados, e será a segunda bancada da Assembleia, puxando a oposição junto com o PSOL, que cresceu de três para quatro deputados.

 

E mais

A bancada feminina na Assembleia subirá de dez para 18 deputadas. A ampliação das mulheres é ainda mais significativa se for considerada a estupenda votação obtida por Janaína Paschoal, que terá grande chance com isso de ser conduzida à presidência da Casa no primeiro biênio, se rezar a tradição. O Parlamento paulista elegeu a primeira deputada transexual, Erica Malunguinho da Silva (PSOL), uma bancada coletiva, na figura de Mônica da Bancada Ativista (PSOL), e Márcio Nakashima (PDT), irmão da advogada Mércia Nakashima, assassinada em 2010.

 

Bandeira municipalista

A CNM (Confederação Nacional de Municípios) anunciou que vai intensificar a defesa da regulamentação do artigo 23 da Constituição Federal, que trata do pacto federativo, “que não responde às necessidades da população”, segundo o seu presidente, Glademir Aroldi.

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