Conscientização sobre saúde do homem deve ir para além de períodos sazonais

04/11/2018 04:23:00

O mês de novembro chegou e com ele a sazonal campanha do Novembro Azul, que aborda a conscientização sobre o cuidado com a saúde do homem e a prevenção do câncer de próstata. Em Prudente, como noticiado, o HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo registrou um aumento de 11% nos atendimentos relacionados à doença entre janeiro e setembro deste ano, visto que o número saltou de 1.055 homens atendidos em 2017 contra 1.172 em 2018.

Segundo informações da Agência Brasil, atualmente 18% dos homens brasileiros são obesos e 57% apresentam sobrepeso. Com relação ao tabagismo, 12,7% fumam e sobre doenças crônicas, 7,8% dos homens têm diabetes e 23,6% têm hipertensão, sem falar dos 27% que consomem bebida alcóolica abusivamente e 12,9% dirigem após beber. Os dados fazem parte do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, realizado anualmente pelo governo federal e reverberam quão assustador é o descuido da saúde por parte dos homens.

Infelizmente é apenas durante esse mês que aparentemente essa faixa da população demonstra alguma consciência sobre a importância dessa atenção zelosa com seu corpo, a necessidade de um trabalho preventivo e de exames de rotina que possam identificar patologias de forma precoce, quando ainda há probabilidade maior de reversão – sobretudo para as doenças que são assintomáticas e podem ocasionar posteriormente complicações irreversíveis. Existe ainda um fator cultural que agrava o cenário, o qual consiste nessa imagem falsa de masculinidade personificada no homem “forte e intransponível” sem vulnerabilidades ou fragilidades de tipo algum, do tipo de “aguenta dor” e tem que sempre estar saudável, como se atendimento médico fosse algo completamente supérfluo e um recurso de último caso.

É por esse tipo de mentalidade que a taxa de mortalidade geral no Brasil na faixa etária de 20 a 59 anos para homens, que é 2,3 vezes maior do que as mulheres, chegando a ser quatro vezes maior na faixa etária mais jovem, segundo o Ministério da Saúde. Campanhas de conscientização para o público masculino podem até funcionar superficialmente, mas uma real mudança só poderá ocorrer se elas vierem acompanhadas também de transformações culturais, com o fim de alguns “tabus” e a derrocada de estigmas incompatíveis com a realidade.

 

 

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