Comércio vive instabilidade e serviços ascendem

ANDRÉ ESTEVES - Da Redação • 14/09/2018 06:13:00

Crise econômica e altas na moeda afetam comércio prudentino. Foto: Arquivo

A estrutura econômica de Presidente Prudente se consolida a partir da diversificação de atividades. Embora a cidade se destaque com o setor terciário atualmente, a indústria e a agricultura já exerceram papéis importantes na roda da economia e, mesmo hoje, contribuem para girá-la. Por outro lado, ainda que o município disponha de um forte centro comercial, o segmento enfrenta “tempos instáveis”, conforme aponta o presidente do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Presidente Prudente e Região), Vitalino Crellis, que atribui o cenário aos reflexos da crise econômica, às oscilações no valor do dólar e ao período eleitoral. Em escala ascendente, aparece o setor de serviços, que, de acordo com o gerente regional do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), José Carlos Cavalcante, é estimulado até mesmo pela tecnologia, a qual favoreceu a criação de startups. Outras características, como o fato de requerer baixo capital e o retorno rápido de investimento, tornam essa área mais atrativa aos olhos de possíveis empreendedores.

No caso do comércio, Vitalino expõe que o segmento vivencia um momento de incerteza, uma vez que os aumentos no valor da moeda têm deixado os comerciantes indecisos quanto à reposição de seus estoques. “A alta do dólar, por exemplo, gera uma inflação que desvaloriza o nosso dinheiro e reflete nas mercadorias. O consumidor não sente isso, porque normalmente recorre aos produtos em liquidação, mas o comerciante percebe impactos diretos no seu estoque”, argumenta. Somado a isso, há o processo eleitoral, que deixa os varejistas receosos em relação a novos investimentos. A vantagem deste período, no entanto, é o “dinheiro adicional” que as campanhas despejam no segmento. “Como temos milhares de pessoas desempregadas, uma parte delas consegue um emprego temporário ajudando os candidatos em suas agendas”, diz.

Esta é uma esperança em meio a um cenário de baixa contratação. Isso porque, segundo Vitalino, os empregadores estão com dificuldades para manter seus quadros de funcionários, ficando fora de mão qualquer possibilidade de novas admissões. Diferente de agosto, que teve o amparo do Dia dos Pais, setembro costuma ser um mês mais tímido para o varejo. Sendo assim, todas as expectativas estão voltadas para o fim do ano, quando o comércio volta a ser movimentado pelas festividades.

Reação mais rápida

José Carlos Cavalcante, que responde pelo Sebrae, enfatiza que, dentro do universo empresarial, a maioria das empresas é prestadora de serviços, tendo em vista que este setor “responde mais rápido aos investimentos do empreendedor e disponibiliza uma infinidade de opções para quem queira empreender, seja em âmbito físico, seja em âmbito digital”. Entretanto, há pontos que precisam ser melhorados a fim de otimizar a eficiência deste segmento, como a qualificação da mão de obra; investimentos constantes em infraestrutura e tecnologia, de modo que os serviços ligados à informática se mantenham atualizados; e o desafio da padronização, já que, diferente de uma linha de produção, por exemplo, este setor depende de recursos humanos, sujeito a falhas. “É por isso que os empreendedores precisam estar com uma equipe bem treinada, tanto em termos de capacitação técnica quanto no relacionamento com o cliente”, pondera.

Cavalcante acrescenta que, para permanecer neste segmento, independentemente do ramo em que a empresa atua, é de “extrema importância” criar diferenciais competitivos em relação aos demais empreendimentos. “O que leva uma empresa a descontinuar no mercado é esta incapacidade. A única forma de impedir isso é inovando os seus processos internos, a estrutura, o modelo de negócio e o relacionamento com o mercado”, avalia

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