Comer ou se alimentar?

  • 12/09/2019 01:19
  • Yuri Azevedo Moita Gonçalves

Já ouviram alguém dizendo “vou comer isso!”, “preciso me alimentar melhor.”, “comer isso é ruim!”, “isso não é comida de verdade!”. Afinal, comer ou se alimentar não é a mesma coisa? Em termos de escrita sim, em termos de conceito não.

Falando de forma clara, as pesquisas científicas caminham com a seguinte definição - Comer: ato social de ingerir alimentos e bebidas dentro de um contexto sociocultural, onde se constrói referências, sentimentos e pensamentos iluminados – como diria Lévi-Strauss. Alimentar: ingerir alimentos com o objetivo de saciar necessidades fisiológicas, pautadas na clareza dos conceitos científicos sobre o corpo e seu funcionamento individual.

Então, surge a pergunta: Eu preciso escolher entre comer e me alimentar? Não! Podemos continuar seguindo as nossas vidas tranquilas, como dizia Fernando Mueller: “procure o caminho do meio, mas no meio em que se vive”. Aqui entramos no cerne deste artigo, a falta de equilíbrio entre comer e se alimentar.

Você provavelmente tem amigos ou profissionais da área de alimentação que comem de tudo, não é? De churrasco a buffet vegano. Essas pessoas se alimentam bem? Talvez. Elas ingerem tudo que o corpo precisa nas quantidades corretas? Talvez não. E o que isso acarreta? Em longo prazo, ficar doente, provavelmente.

Lógico, não estamos aqui para desenhar algum tipo de linha e separar o certo do errado, mas para trazer à luz da discussão nosso hábito diário, nutrir o corpo e a mente. Agora, um exemplo que é oposto, aquele amigo ou parente que segue a tabela nutricional, que só come o que “faz bem”, com restrição a glúten, laticínios, açúcar, soja, proteína e etc., sem a consulta de um médico. Esse sim deve comer bem, você não acha? Não exatamente.

O ato de comer tem um grande sentido social e ter uma alimentação unicamente focada em suprir suas necessidades fisiológicas, não é o caminho. Desse desequilíbrio podem nascer doenças, como a bulimia, por exemplo. As transformações que nossa sociedade passa não nos permite ficar centrado em conceitos passados. A ciência cada vez mais caminha no sentido de entender a falta ou excesso de exposição que uma pessoa tem a um determinado grupo de alimentos. É o que faz o corpo não conseguir lidar com ele, tendo o indivíduo a necessidade de restringir sua alimentação desses alimentos.

Ou, quando o corpo passa a não reconhecer um grupo de alimentos como alimento, e sim como intruso igual a bactérias, tornando-se assim uma pessoa alérgica em vários graus a estes alimentos. De que forma podemos viver uma vida tranquila? Ela reside onde eu possa comer o que me alimenta. Pergunta-se: “Eu preciso comer isso sempre?”, “Porque eu não como isso?”, “Isso vai nutrir meu corpo e minha mente?”. Se a resposta não acalentar seu coração, talvez seja hora de repensar, afinal, a perfeição do ser humano é ser uma mutabilidade imperfeita, e está tudo bem nisso.

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Yuri Azevedo Moita Gonçalves

Yuri Azevedo Moita Gonçalves

Yuri Azevedo Moita Gonçalves é mestre em Educação, Gestão e Difusão Científica e coordenador do curso técnico em Cozinha, graduação em Gastronomia e pós-graduação em Gastronomia Brasileira da Unoeste

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