Com benefício cancelado, jovem pede doações

Região

| ROBERTO KAWASAKI - Da Redação

Cansaço, dores no corpo e dificuldades para realizar simples tarefas domésticas podem parecer comuns para aqueles que reclamam das atividades do cotidiano. No entanto, o problema torna-se mais grave do que parece. Há seis anos, a jovem Aline dos Santos, 23 anos, foi diagnosticada com asma grave e, devido ao alto custo das ampolas do medicamento Omalizumabe, utilizado para tratar a doença – que gira em torno de R$ 5.506,24 por mês –, ela conseguiu apoio judicial em 2015 para receber as doses gratuitas por prazo indeterminado. Em janeiro deste ano, a moradora de Pirapozinho levou um susto ao receber a notícia de que fora desligada do benefício. E o motivo? Ela ainda não conseguiu entender.

Aline explica que diariamente entra em contato com a Secretaria de Estado da Saúde para que eles enviem uma negativa – carta que explica o motivo do desligamento – para que possa procurar ajuda de promotores no Fórum da cidade. Mas a demora no atendimento e falta de informação fizeram com que ela buscasse outro auxílio. “Enquanto o medicamento não chega, eu utilizo a bombinha para amenizar os ataques de asma, mas não dura muito tempo”, conta.

A falta do medicamento tem prejudicado a vida da jovem. Ela lembra que na semana passada, precisou ficar internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital durante três dias, o que influencia negativamente o seu estado psicológico. Durante os dias em que passa “presa” dentro da própria casa, Aline afirma que não pensa em outra coisa, a não ser o recebimento do remédio. “Ao mesmo tempo em que estou bem, não demora para que as dores voltem. Eu tenho dificuldades até para pentear o cabelo, algo que é comum para muitas mulheres”.

Mesmo diante dos problemas diários que enfrenta, a jovem se considera persistente quando a conversa chega nos planos para o futuro. “Eu quero construir uma linda família, iniciar o curso de Fisioterapia e, quem sabe, até mesmo trabalhar na área. Minha família está sofrendo junto comigo, mas procuro manter a força para não desistir da minha batalha”, expõe.

Por meio de rifas e doações, os amigos de Aline buscam de todas as formas angariarem dinheiro para que ela possa comprar o medicamento. A missionária Arielly Peixoto, 30 anos, foi quem teve a iniciativa de conseguir fundos para ajudar no tratamento da jovem. Amigas há dez anos, conta que sempre acompanhou de perto o sofrimento da parceira pela doença, no entanto, ao descobrir que era mais grave do que imaginava, sempre buscou estar perto para conceder apoio.

Ao descobrir que a medicação havia sido cortada sem explicações precisas, a indignação pela falta de informações por meio do Estado fez com que ela buscasse ajuda, para que o tratamento da amiga não ficasse interrompido. “As vias judiciais já concederam o direito dela receber o medicamento, porém, não está sendo cumprido. O estado de saúde da Aline não compete com a demora do benefício, ela sente muitas dores e precisa de ajuda”, finaliza.

 

Outro lado

Procurado, o DRS-11 (Departamento Regional de Saúde) de Presidente Prudente esclareceu que o medicamento Omalizumabe, utilizado pela Aline, está em fase de aquisição. “Será solicitada ao fornecedor agilidade na entrega e a paciente será comunicada tão logo haja disponibilidade do produto”, afirma. Em nota, ressalta que em todos os casos de decisões judiciais, o DRS inicia imediatamente o processo de aquisição tão logo recebe a notificação e, obrigatoriamente, o órgão estadual deve seguir a Lei Geral de Licitações para a compra de qualquer produto e deve respeitar os prazos estipulados pela legislação, elaborando atas de registro de preços, promovendo processos de licitação e avaliando a documentação das empresas, conforme previsto em lei, sob risco de questionamentos e penalidades do Tribunal de Contas do Estado. Porém, aponta ainda que alguns fatores alheios ao planejamento podem prejudicar a agilidade no processo, como a ausência de receita médica no mesmo; documentação incompleta; o atraso por parte do fornecedor; os pregões “vazios” (quando nenhuma empresa oferta o medicamento); ou até os pregões “fracassados” (quando as empresas estabelecem preços acima da média de mercado, o que inviabiliza legalmente a aquisição).

 

SERVIÇO

Enquanto o medicamento, que é um direito concedido a Aline, não é liberado, os interessados em contribuir com o tratamento da jovem podem acessar o link da “vaquinha” para obterem mais informações sobre as doações. O endereço eletrônico é https://www.vakinha.com.br/vaquinha/todos-pela-aline-arielly-peixoto?utm_campaign=whatsapp&utm_content=300346&utm_medium=website&utm_source=social-shares.

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