Arquivo - Inseticida é usado pelas equipes da Vigilância Epidemiológica para controle do mosquito da dengue

Foto: Arquivo - Inseticida é usado pelas equipes da Vigilância Epidemiológica para controle do mosquito da dengue

ESTOQUE ZERADO

Cidades enfrentam falta de inseticida para controle do mosquito Aedes aegypti

Municípios pedem ajuda da população quanto à eliminação dos possíveis criadouros do transmissor da dengue; Ministério da Saúde prevê reposição em junho

  • 28/05/2019 04:00
  • THIAGO MORELLO - Da Redação

Em todo o país, cidades sofrem com surto, epidemia ou pandemia de dengue, devido à alta na quantidade de casos da doença em 2019. Em alguns municípios, a falta de inseticidas tem dificultado o combate ao vetor da doença: o mosquito Aedes aegypti. Esse o cenário enfrentado em, pelo menos, seis cidades da região de Presidente Prudente, conforme apurado pela reportagem. São elas: Álvares Machado, Dracena, Presidente Epitácio, Presidente Venceslau, Santo Anastácio e Teodoro Sampaio.

Como noticiado recentemente por esse periódico, a primeira situação foi acometida em Venceslau, no qual a Vigilância Epidemiológica afirma que isso prejudica o trabalho de prevenção na cidade, que não possui um prazo para que a situação seja regularizada. Até então, o município já havia confirmado 239 casos da doença.

Tal número é parecido com a quantidade de notificações em Teodoro Sampaio, que chega a 200, sendo 64 positivas, 169 negativos e 17 em aguardo dos resultados. O prefeito Ailton Cesar Herling (PSB) destaca que, na falta do inseticida, o que resta é pedir ainda mais a colaboração da população quanto ao combate dos criadouros do mosquito. “Fora isso, a gente continua desenvolvendo mutirões de limpeza, visitas domiciliares e medidas educacionais nas escolas”, completa.

Tais ações são as mesmas orientadas e desenvolvidas em todos os municípios que sofrem com o problema, conforme mencionado por eles. A ênfase fica para a ajuda da população, “no qual a atitude é essencial para o controle da patologia, até mesmo com a utilização de inseticida”, sinaliza o município de Presidente Epitácio.

Em Dracena, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde e Higiene Pública, por meio da Vigilância Epidemiológica, destaca que está sem o inseticida desde o início desta semana passada. Ao passo que Machado lida com o estoque final.

A reportagem também conversou com os municípios de Pirapozinho e Presidente Prudente, que atestaram promover ações intensivas de combate e ainda possuir estoque do produto. Contudo, lembram que recebem o inseticida da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), e por isso cabe ao órgão estadual fornecer o reabastecimento.

Estado e União

Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado respondeu que “apenas” realiza a distribuição dos produtos, mas a compra inicial é feita pelo Ministério da Saúde.

Por sua vez, o órgão federal esclarece, primeiramente, que adquiriu, em 2016, 1,65 milhão de litros do Malathion do laboratório Bayer - inseticida utilizado. “Devido a problemas no produto, em 2017, a pasta suspendeu a entrega/pagamento de 699 mil litros do adulticida. Do 1 milhão de litros entregues, o Ministério da Saúde solicitou a reposição de cerca 400 mil litros do produto devido aos problemas encontrados”, diz. A empresa já recolheu 105 mil litros que devem ser restituídos em junho deste ano, ainda conforme a pasta.

O Ministério defende também que a justificativa do contrato à época referia-se a parte da estratégia de resposta imediata em caso de emergência em saúde pública. E como nos anos seguintes a 2016, não houve epidemias de dengue, zika e chikungunya, “culminou na baixa procura do produto pelos Estados e, consequente baixa distribuição pela pasta”.

Maior cidade

Na cidade referência do oeste paulista, Presidente Prudente, a Prefeitura confirmou ontem novos 147 casos da doença. Desta forma, agora são 1.232 catalogações positivas, sendo 1.214 autóctones, aquelas contraídas no município, e outras 18 importadas, vindas de outras cidades. A municipalidade ainda informa que há 5.219 notificações.

Dentre as confirmações, a VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal) atesta o segundo óbito decorrente da doença em uma mulher de 37 anos. Como noticiado pelo O Imparcial, trata-se de uma gestante de oito meses, que veio a óbito no dia 18 de maio. A criança sobreviveu. A confirmação foi feita através de exame do IAL (Instituto Adolfo Lutz).

Saiba mais

O Ministério da Saúde reforça que o uso do inseticida é a última estratégia de enfrentamento ao problema da zika, dengue e chikungunya, visto que, nesta fase, o mosquito já atingiu a fase adulta. A medida mais eficaz é a eliminação de focos de multiplicação do mosquito (água parada), evitando que eles nasçam. Por isso, o envolvimento da sociedade é fundamental.