Sexta-Feira . 22 Fevereiro . 2019
Educação infantil

Censo aponta déficit na formação de professores

Segundo estudo, 100% dos docentes do ensino infantil têm curso superior em 6 cidades da região; ensino médio possui os melhores indicadores 

10/02/2019 04:00 • THIAGO MORELLO - Da Redação
Arquivo - Especialista fala sobre a vivência e a formação na profissão Arquivo - Especialista fala sobre a vivência e a formação na profissão

Nesta semana, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou o Censo Escolar 2018. E no que tange a uma das diretrizes avaliadas pelo instituto, o percentual de docentes com formação em curso superior, o cenário oscila bastante nas 53 cidades que compõem a 10ª RA (Região Administrativa) do Estado de São Paulo, com sede em Presidente Prudente. O dado mais crítico engloba a educação infantil, em que seis delas possuem em seu quadro de funcionários 100% dos funcionários, o que significa 11,32%. O quantitativo chega a 18,86%, isto é, 10 cidades, quando se fala do ensino fundamental. E ao pico de 56,60% para o ensino médio: 30 municípios.

No menor dos percentuais, a educação infantil, a variação dentro desta faixa de ensino vai ao máximo, 100% - nesses seis municípios (Flora Rica, Flórida Paulista, Monte Castelo, Nova Guataporanga, Ouro Verde e Pracinha) -, mas no menor dos casos a 33,33%, que é o que o ocorre em São João do Pau D’Alho (veja tabela).

A situação é explicada pela secretária de Educação do município, Creusa Maria Berbel Lírio Rondina. De acordo com ela, o índice é baixo pela quantidade reduzida de professores no local, por ser uma cidade pequena, e parte deles serem antigos “na casa”, ou seja, vieram de uma época em que não era exigida a formação para ocupar uma vaga. “Ao todo, levando em conta todos os ensinos, temos 17 funcionários nessa área. Há o incentivo para aqueles que não possuem a formação a realizarem”, completa a titular da pasta.

No entanto, Creusa garante que, hoje em dia, toda contratação segue os editais corretos, no qual a formação é exigida. “Desde quando começou a obrigatoriedade, o município sempre realizou as convocações de forma correta”, afirma. Prova disso, ainda de acordo com ela, está, por exemplo, no indicar do ensino fundamental, no qual o município está com 100% dos professores com formação.

O que não ocorre em Flora Rica e Pauliceia, por exemplo, que, respectivamente, detêm os menores números para o ensino fundamental: 81,3% e 87%. A reportagem entrou em contato com as municipalidades, no entanto, não conseguiu contato com os responsáveis pelo setor de Educação dos locais para repercutir o cenário.

Ensino médio

Na maioria dos casos, quando se trata do ensino médio, a gestão geralmente ficar por conta do Estado. E como pode ser visto na tabela, os índices nessa faixa de ensino são maiores, isto é, há mais profissionais com formação lecionando. Sobre isso, a Secretaria de Estado da Educação reitera que o quadro docente é majoritariamente composto por servidores com licenciatura plena, uma vez que o estatuto do magistério exige essa formação para o ingresso na carreira.

“O nível de formação de professores na rede estadual paulista, em Presidente Prudente, é de 97,8% nos anos finais e 98,2% no ensino médio. No Brasil, os índices atingem 94,8% e 95,1%, respectivamente. Vale ressaltar que a contratação, em caráter emergencial e temporário, para suprir as licenças e ausências dos docentes do quadro permanente, recairá primeiramente em docentes com licenciatura plena”, completa.

Vivência x formação

Entender se a formação de um docente no ensino superior pode significar um melhor desempenho dentro de sala de aula é um assunto complexo, conforme analisa a professora e mestre em educação infantil Onaide Schwartz Mendonça.

Para mostrar o cenário, a especialista procura englobar a vivência x formação acadêmica. No primeiro plano, ela explica que, há alguns anos, as creches tinham um caráter mais assistencial e, por conta disso, profissionais eram convocados sem a formação específica. “Ao longo dos anos isso mudou, mas quem trabalha no ramo desde então conheceu a vivência e tem a capacidade de lidar com a profissão”, argumenta.

Por outro lado, apesar de importante, Onaide também destaca que a formação acadêmica não é sinal de competência. “Ainda há aqueles que entram na universidade e saem dela sem conhecer o verdadeiro processo de alfabetização, o que cria uma deficiência na hora de lecionar”, diz. À reportagem, a professora detalha ainda que quem nunca trabalhou na educação pode ser facilmente engessado por um autor, ao longo dos estudos - por exemplo -, distorcendo o que vai ser repassado.

PERCENTUAL DE DOCENTES COM FORMAÇÃO SUPERIOR

Município

Educação Infantil

Ensino Fundamental

Ensino Médio

Total

Creche

Pré-Escola

Total

Anos Iniciais

Anos Finais

Adamantina

80,3

65,2

96,5

95,6

92,9

98,6

98,7

Alfredo Marcondes

93,8

88,9

100,0

100,0

100,0

100,0

100,0

Álvares Machado

85,9

77,8

92,5

94,6

94,5

95,8

100,0

Anhumas

95,7

93,3

100,0

94,3

93,3

95,0

95,8

Caiabu

57,9

36,4

87,5

97,0

95,2

100,0

100,0

Caiuá

84,6

66,7

100,0

96,1

92,0

100,0

100,0

Dracena

87,5

84,3

94,4

96,9

95,6

98,3

98,8

Emilianópolis

91,7

88,9

100,0

95,8

93,3

100,0

100,0

Estrela do Norte

81,8

66,7

100,0

94,1

100,0

90,5

94,4

Euclides da Cunha Paulista

92,9

COMPARTILHE

PUBLICIDADE