Carim completa 14 anos com ação preventiva na Praça Nove de Julho

Prudente

| OSLAINE SILVA - Da Redação

O número de 460 pacientes renais crônicos com diálise, em estágio cinco, o mais avançado da doença, divulgado na sexta-feira pelo DRS-11 (Departamento Regional de Saúde de Presidente Prudente), no lançamento oficial da cartilha de doença renal crônica é preocupante, de acordo com Elaine de Oliveira Silva Almeida, 36 anos, assistente social do Carim (Associação de Apoio ao Paciente Renal Crônico). E ontem, data em que chegou aos 14 anos de atividades, a entidade realizou uma ação na Praça Nove de Julho focada na “prevenção” passando orientações, fazendo testes de glicemia, pressão arterial e IMC (Índice de Massa Corpórea) realizados por estudantes da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).

 “Antes a incidência era mais de adultos e idosos sofrerem com essa doença. Hoje, são muitas crianças e jovens. Isso nos motiva a promover ainda mais ações para que as pessoas entendam que essa é uma doença silenciosa e quando se manifesta é porque já está em estado crítico. Por isso é preciso orientar como cuidar do rim, pois infelizmente muitos não sabem que se ele parar, nada mais funciona. É preciso beber muita água. Saber quem se enquadra no grupo de risco. Ter cuidados com a alimentação. Saber nunca é demais, então procure estar sempre informado”, orienta a assistente social.

Elaine ressalta que continuarão com a distribuição das cartilhas, que está bem fácil de entender, ilustrativa, especialmente em escolas, empresas, entre outros locais de fácil acesso ao público. “É preciso entender que quem sofre com essa doença não é apenas mais um doente. Entender que esta pessoa não precisa de mais dor como a do preconceito, mas necessita sim de mais atenção. Pensa no baque que é quando ela é diagnosticada com a doença e que vai depender de uma máquina para continuar vivendo?! Por isso no Carim procuramos desenvolver um trabalho de inclusão para que estas pessoas se sintam um pouco melhor”, acentua.

 

Avaliação profissional

O médico Gustavo Navarro Betônico, 43 anos, representando a Sociedade Brasileira de Nefrologia, fala da importância desta ação que pode parecer sem valor para alguns. Segundo ele, é feito um rastreamento a partir do questionário que a pessoa preenche e os exames de aferição de pressão e glicemia feitos ali na hora. Diagnosticada alguma alteração, o paciente já é automaticamente encaminhado para o tratamento. “É importante saber que a doença renal crônica passa por vários estágios, desde a inicial que não apresenta sintomas até as mais avançadas que precisam de tratamento que venham substituir as funções dos rins, como as hemodiálises, diálises peritoneal ou o transplante. Por isso, o exame de creatinina que avalia a função dos rins deveria ser pedido com mais frequência pelos médicos, pois é ele que vai mostrar como está o funcionamento desse órgão tão importante!”, exclama o nefrologista.

 

Conscientização

Cássio Mitsuo Tubone, 46 anos, não fala com precisão apenas como presidente da associação, mas como quem entrou nela como voluntário, se tornou um paciente e há quatro anos é transplantado. Segundo ele, o que se vê é uma carência muito grande de atendimento com os renais. De acordo com Cássio, isso precisa ser visto com mais atenção. Com outros olhos.

“A meu ver, esta doença é mais grave que muitos cânceres que tem tratamento e até cura. Nem vagas para hemodiálises têm mais e muito menos espaço físico para se colocar uma máquina aqui em nossa cidade. Vamos focar no trabalho preventivo, principalmente nas escolas, juntamente com o projeto da 29ª Subseção da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], porque através da inocência das crianças conscientiza-se os adultos”, destaca o presidente do Carim.

O faqueiro Ricardo de Souza Caboclo, 48 anos, concorda que as crianças tem o poder de convencimento e diz mais: “Naturalmente a mulher se previne bem mais que o homem que costuma ser mais relaxado com questões de saúde. Eu procuro sempre que possível estar fazendo exames. Essas ações que promovem aos fins de semana na praça são muito interessantes porque facilita pra gente que trabalha a semana toda e às vezes não tem tempo para ir a um médico”, expõe o faqueiro.

 

SAIBA MAIS

A doença renal crônica (nefropatia crônica) passa por cinco estágios de evolução que a classificam:

Estágio 1 e 2 – Leve;

Estágio 3 – Moderada;

Estágio 4 – Grave e

Estágio 5 – Diálise (gravíssimo)

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