Sexta-Feira . 22 Fevereiro . 2019
“Som na Linha”

Bruno Sanches mostra versatilidade da viola em show

Artista prudentino apresenta músicas do seu primeiro álbum e material inédito neste sábado, às 20h, na Praça Nove de Julho

07/02/2019 05:48 • ANDRÉ ESTEVES - Da Redação
Foto: Túlio Assis: Em seus shows, músico aposta no diálogo entre o instrumental e o canto Foto: Túlio Assis: Em seus shows, músico aposta no diálogo entre o instrumental e o canto

O violeiro prudentino Bruno Sanches é a prova viva de que instrumento musical não foi feito para um único estilo. Embora a viola tenha sido associada à música caipira durante toda a sua infância, o artista entendeu que poderia explorar nas cordas diferentes repertórios. A versatilidade do seu trabalho já o levou a festivais internacionais, rendeu-lhe o prêmio Mimo Instrumental e agora retorna para um espaço mais familiar ao musicista: a Praça Nove de Julho, onde apresentará, neste sábado, a partir das 20h, o espetáculo “Do Barroco às Barrancas do Rio”, que dá nome ao seu primeiro álbum. O show faz parte da 12ª edição do Som na Linha, iniciativa criada com o intuito de democratizar a arte nos espaços públicos.

Bruno conta que recebeu o convite para participar do projeto no ano passado e viu nele a oportunidade de voltar a mostrar seus arranjos e composições para a região onde conserva suas origens. Uma vez que o evento possibilita ao artista escolher onde deseja se apresentar, o músico optou pela praça, cujo teatro de arena, segundo ele, já conta com estrutura de auditório e oferece lugares para as pessoas se sentarem, tornando o espaço mais apropriado e acolhedor àqueles que não podem ficar o tempo todo em pé. “O município dispõe de outras praças interessantes, mas seriam mais convenientes para quem consegue sentar no chão, então, a Praça Nove de Julho consegue receber melhor o público idoso, por exemplo. Sem falar que é um local democrático e de fácil acesso. O público pode ir até mesmo de ônibus, pois há mais opções de linhas”, comenta.

Além da vantagem de tocar “em casa”, o violeiro também tem a chance de fomentar a ocupação dos espaços públicos por meio da música. Ele aponta que tais locais estão disponíveis para o público, contudo, acabam pouco utilizados ou demandam recursos para a promoção de eventos e ações culturais. Nesse sentido, iniciativas independentes como esta contribuem para que as coisas aconteçam sem a necessidade de tanta estrutura. “O que eu acho interessante nesses movimentos é o mutirão que se forma – várias pessoas se juntam e se ajudam sem qualquer tipo de financiamento de verba. Além disso, o público também consegue ter a consciência de que a sua presença é o sustento do artista”, avalia.

 

Estilo próprio

No show deste sábado, a proposta de Bruno é estabelecer um diálogo entre o instrumental e o canto. O primeiro álbum do violeiro é inteiramente instrumental, no entanto, ele já aposta no uso da voz durante a elaboração do segundo. Com isso, a ideia é trazer ao público as canções do primeiro trabalho e as novidades preparadas para o próximo disco. Apesar de nem todas as suas músicas serem composições próprias, o artista imprime autoralidade em todos os seus trabalhos a partir dos arranjos que produz. Desse modo, as canções apresentadas nos shows vão desde aquelas assinadas por Bruno até sucessos consagrados da MPB (Música Popular Brasileira), mas com interpretações particulares.

 

Relação com as cordas

O contato com a viola vem desde cedo. Ele relembra que seu pai sempre ouviu música caipira, entretanto, o interesse pelo instrumento em si se intensificou durante a faculdade de música na USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista. No decorrer de sua experiência acadêmica, o artista acompanhou a viola sendo utilizada para outros repertórios e, curioso, decidiu investir justamente nesta multiplicidade de estilos. “Hoje, o que menos toco é música caipira e, no sentido estrito, não toco nenhuma de maneira tradicional. Uso a viola para expressar a minha musicalidade”, considera. E engana-se quem pensa que esta é uma atitude nova no mercado fonográfico. Bruno acrescenta que, na realidade, a viola é um instrumento muito mais antigo do que a música caipira em si e que, com o advento das universidades, o instrumento começou a ganhar mais presença nos mais diversos estilos musicais.

A dedicação de 10 anos às 10 cordas resultou em seu primeiro álbum, cujo título busca sintetizar sua trajetória neste período de descoberta e experimentação – Do Barroco às Barrancas do Rio. Após conquistar seu espaço no cenário da música independente, o objetivo de Bruno é continuar levando a viola para todos os cantos. “E, enquanto artista, poder contribuir, de alguma forma, para a transformação social e um mundo melhor”, pontua.

 

SERVIÇO

O show de viola brasileira com Bruno Sanches ocorre no sábado, às 20h, na Praça Nove de Julho, no Centro de Prudente. Mais informações sobre o projeto Som na Linha podem ser encontradas no Instagram (instagram.com/linhanosom). Já o trabalho de Bruno pode ser acompanhado em sua página oficial (violeirobrunosanches.com).