Brasil mata seus jovens e coloca em risco próprio futuro

07/06/2018 08:19:55

Assustadores. Foram os números apresentados anteontem pela edição deste ano do Atlas da Violência, publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento apresentou um crescimento de 23% no número de homicídios de jovens de 15 a 29 anos no Brasil entre 2006 a 2016. Segundo o documento, 553 mil pessoas foram assassinadas no país nos últimos 11 anos, número semelhante ao de países em guerra, como a Síria, país árabe que enfrenta sete anos de conflito armado e já contabiliza um saldo de 500 mil mortos, de acordo com estimativa da ONU (Organização das Nações Unidas).

É preocupante. Ainda mais quando considerado que a maior parcela dessas pessoas que são mortas de forma violenta no Brasil são mortos precocemente, na flor da idade. Como O Imparcial mostrou na edição de ontem, em 11 anos o Brasil enterrou 324.967 jovens assassinados, quantidade equivalente à soma, por exemplo, das populações dos bairros de Copacabana, Ipanema, Leblon e Botafogo, no Rio de Janeiro. Só em 2016 foram 33.590 vítimas nesta faixa etária, ano em que a série histórica atingiu seu pico. No mesmo ano, inclusive, o país bateu novo recorde de homicídios, com 62.517 mortes. Quadro que traduz também em uma taxa recorde de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes - 30 vezes a taxa de homicídios da Europa.

No Brasil se mata muito, e pior, se mata muito jovem, faixa etária produtiva, com toda capacidade e vigor para trabalhar e movimentar e economia do país. Com isso, o que estamos fazendo é matar o futuro do país. Assassinar as chances de crescimento e desenvolvimento da nação. E isso por uma série de fatores.

Mas, afinal, de quem é a culpa? Do governo? Dos políticos? Da polícia? Dos criminosos? Do acaso? Evidente que o acaso é o menos culpado dentre os culpados. A responsabilidade recai sobre todos nós. O sangue desses jovens, meninos e meninas, clama da terra, por justiça, por paz, por amor. E quem vai dar a resposta? Nós mesmos, como sociedade, temos o encargo de remir o sangue desses pequenos. Como? Fazendo diferente com as próximas gerações. Ou no final não sobrará pedra sobre pedra!

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