Bíblia e Palavra de Deus

  • 01/09/2019 04:01
  • Sandro Rogério dos Santos

O cristianismo é uma religião revelada. Deus revelou-se a si mesmo na experiência de um povo – a partir de Abraão – tornando a história um acontecimento salvífico. Por amor, para salvar, Deus se manifestou. Esse modo como Deus se aproximou do ser humano, desvelando-se (face e nome), dando-se a conhecer e propondo uma aliança é chamado na teologia de “economia da salvação”. Com a morte de João, último apóstolo, a revelação divina encerrou-se. Deus já disse tudo o que tinha a dizer em Jesus. Embora a revelação esteja terminada, não está explicitada por completo; caberá à fé cristã captar gradualmente todo o seu alcance ao longo dos séculos.

O parágrafo 705 do Catecismo ensina que: “desfigurado pelo pecado e pela morte, o homem continua sendo ‘à imagem de Deus’, à imagem do Filho, mas é ‘privado da Glória de Deus’, privado da ‘semelhança’. A promessa feita a Abraão inaugura a Economia da salvação, no fim da qual o próprio Filho assumirá ‘a imagem’ e a restaurará na ‘semelhança’ com o Pai, restituindo-lhe a Glória, o Espírito ‘que dá a vida’”.

Com efeito, “a Economia do Antigo Testamento estava ordenada principalmente para preparar a vinda de Cristo, redentor de todos”. “Embora contenham também coisas imperfeitas e transitórias”, os livros do Antigo Testamento dão testemunho de toda a divina pedagogia do amor salvífico de Deus: “Neles encontram-se sublimes ensinamentos acerca de Deus e uma salutar sabedoria concernente à vida do homem, bem como admiráveis tesouros de preces” (Catecismo §122).

As Sagradas Escrituras – chamadas de “carta de amor de Deus para nós” – contém a Palavra de Deus. Em duas etapas, chamadas Testamentos –Antigo e Novo – tem-se o relato (não como livro de história no sentido moderno nem como reportagem jornalística) dessa história. Encontramos a verdadeira fé na Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja. O Novo Testamento surgiu da fé da Igreja. Escritura e Tradição pertencem-se mutuamente. A transmissão da fé não ocorre primordialmente através dos textos.

“Os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade de Deus, porque são inspirados, ou seja, foram escritos por inspiração do Espírito Santo e têm Deus por autor” (Vaticano II, Dei Verbum, 11). A bíblia não caiu pronta do céu nem Deus ditou-a a seres inconscientes. Deus escolheu e serviu-se de pessoas na posse de suas faculdades e capacidades para que agindo neles e por eles, pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria (Dei Verbum, 11). Há um cânone, isto é, uma diretriz, a determinar quais os livros aceitos como divinamente inspirados e escritos.

Desde 1971, setembro no Brasil é para a Igreja o mês da bíblia. Oportunidade de ler, estudar, refletir e viver a Palavra. Boa leitura da bíblia fará quem lê-la no mesmo espírito com que foi escrita. Hoje, há muitas formas de acessar à Palavra. Numa comunidade de fé informe-se como fazer essa experiência. [Voltaremos a esse tema]

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

 

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Sandro Rogério dos Santos

Sandro Rogério dos Santos

Sandro Rogério dos Santos é pároco do Santuário Diocesano Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, situado no Jardim Maracanã, em Presidente Prudente.

Contato: padre@santuariosantateresinha.com

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