Weverson Nascimento - Beth Libório: referência do segmento cultural do oeste paulista

Foto: Weverson Nascimento - Beth Libório: referência do segmento cultural do oeste paulista

REFERÊNCIA

Beth Libório: promovendo vidas

Para vencer a timidez na infância, escolheu o balé e fez dessa escolha sua missão de vida para transformar outras vidas que lhe dão a satisfação de viver da dança

  • 22/03/2020 08:19
  • HOMERO FERREIRA - Da Reportagem Local

Seguramente, a bailarina, professora de dança e gestora de escola Beth Libório está entre as principais referências do segmento cultural do oeste paulista. É uma personalidade que desperta atenção por sua relação com essa arte há vários anos: dançando, formando novos bailarinos, dirigindo suas escolas, promovendo espetáculos e praticando voluntariado com aulas para crianças de instituição social. Em todas essas situações utiliza a dança, a mais completa das artes, para promover vidas.

Esta é a visão da reportagem de O Imparcial que, assim, a elegeu como uma das personalidades para a série de publicações veiculadas aos domingos. Como é mansa de coração, pode até achar exagero na escolha, ainda que concorde com a medida proporcionada pelos fatos, contra os quais, geralmente, não há argumentos. Mas, o repórter tem a consciência das limitações sobre alcançar a alma humana em sua plenitude, de tal forma que pode não ter conseguido a melhor síntese sobre a personagem em questão; mas tem certeza de ter conseguido montar um retrato.

Maria Elizabeth Libório Meirelles, que ao se casar acrescentou Trevisan ao seu nome, é paulistana. Nasceu em setembro de 1971 na terra de sua mãe Belizia Libório, que ganhou o Meirelles do casamento com o interiorano José Carlos Junqueira Meirelles, natural de São Joaquim da Barra (SP), a 60 km de Franca e 74 de Ribeirão Preto; formado engenheiro agrônomo. Os pais de Beth Libório se conheceram em Presidente Prudente, apresentados pelo tio materno Anacleto Barbosa, que foi advogado de seu pai.

Em sua descendência de pai e mãe, tem raízes nas Minas Gerais e na Bahia, Estados que carregam fortes marcas do Brasil colonial. Seus avós paternos foram José Junqueira Meirelles e Cecília Mirelles, respectivamente de São Gonçalo do Sapucaí (MG) e São Joaquim da Barra. Os maternos José Teixeira Libório e Maria Quirino Barbosa Libório, de Remanso (BA) e de Cerqueira César, em São Paulo. José Carlos, de saudosa memória, e Belizia tiveram quatro filhos.

O empresário José Junqueira Meirelles é o primogênito. Beth veio na sequência e depois dela os também empresários Paulo Roberto Libório Meirelles e Regina Libório Meirelles. Da infância em Martinópolis, na Fazenda São José, guarda as doces lembranças de três predileções: brincar de boneca, fazer farra com os cachorros e ser a professora da escolinha para dar aulas aos filhos dos funcionários. Começou estudar em Martinópolis, na Escola Estadual Adelaide de Moura Bastos.

A DANÇA PARA

VENCER A TIMIDEZ

Quando veio para Prudente, estudou nos colégios Cristo Rei e Objetivo. A dança surgiu depois de dois anos na cidade na qual vive até hoje e foram dois os motivos: o encantamento, ao ver uma professora dançando, e a necessidade de combater ou ao menos reduzir a timidez de quem carregava o comportamento retraído um tanto comum para quem procedia da zona rural, naqueles tempos. Então, seus pais a matricularam no Conservatório Maestro Julião, onde fez o curso técnico.

Logo após a sua formação, foi estudar com a professora Helga Urel, que a preparou para os exames da Royal Academy of Dancing, na qual ingressou e obteve certificação internacional. Com o tempo, Beth Libório fez vários outros cursos, sendo que as suas formações superiores são em Administração de Empresas e Ciências Contábeis, pela Toledo de Prudente. Em seu histórico de participações em festivais estão os de Joinville (SC), Indaiatuba, Santos e São Paulo, entre outros e em alguns Estados.

Começou a dar aulas com 18 anos na Apea (Associação Prudentina de Esportes Atléticos). Era 1993 e lá permanece até hoje. Já teve uma unidade no Tênis Clube, por 12 anos. Atualmente, mantém duas unidades da Escola de Dança Beth Libório, a da Apea e outra no Jardim Bongiovani. Tem uma equipe de nove professores e trabalham com balé clássico, jazz, sapateado, street dance e K pop. Já teve tantos alunos que não consegue precisar um número.

Por solicitação da reportagem para citar alguns nomes que optaram por fazer carreira e se sobressaíram, pois não haveria espaço para escrever sobre todos, fala de Rafaela Morel, que dança profissionalmente na Rússia; e Filipi Bueno, que está na Escola do Teattro Bolshoi no Brasil; e de Ellen Gessé, que fez curso de TV no México. Por aqui estão Denise Almeida, do Projeto Dança Comunidade; Jéssica Brito, do Espaço Vida de Narandiba; Fernanda Benvenuto e Tamara Barbosa, da Ballare Escola de Dança; e Mariane Ederli, da Escola Sonho e Ritmo.

Beth Libório dá aulas de baby class, balé clássico e sapateado em suas duas unidades, além de cuidar da administração. Também dá aulas no Centro Educacional Walter Figueiredo, onde atua como voluntária há 15 anos. Entende que sua principal conquista foi conseguir realizar o sonho de trabalhar com dança, dando aulas ou dançando profissionalmente. Tem a satisfação de trabalhar com o que gosta e de saber que seu trabalho influencia na vida de muitas pessoas, fazendo a diferença para muitas crianças.

Casada, desde 1998, com o médico veterinário Paulo Emílio Trevisan, têm dois filhos: João Gabriel, de 19 anos, e Joaquim, 14. Seus compromissos familiares são divididos com a rotina de suas escolas e da prática voluntária, sempre na mais completa das artes, pois a dança envolve, além do movimento do corpo em ritmos e expressões, a música, o teatro, a pintura, a escultura e a comunicação.

NÃO SÓ ARTE,

MAS A VIDA

O aprendizado da dança não é só pela arte, mas para a vida. A dança produz uma série de benefícios para a saúde física e mental, entre os quais estão a disciplina, concentração, responsabilidade e interação harmoniosa de um para com os outros. A dança trabalha razão e emoção. A dança é encarada por Beth Libório como missão para transformar vidas e realizar sonhos; na qual estão arraigados os valores do amor, da afetividade e da ética.

A sua atuação remete a oração à dança, de Santo Agostinho, teólogo e filósofo argelino de nome Agostinho de Hipona e que viveu entre os 354 e 430 d.C. Leia:

Louvada seja a dança

porque liberta o homem

do peso das coisas materiais,

e une os solitários

para formar sociedade.

Louvada seja a dança,

que tudo exige e

fortalece a saúde, uma mente serena

e uma alma encantada.

A dança significa transformar

o espaço, o tempo e o homem,

que sempre corre perigo

de se desfazer e de ser somente cérebro,

ou só vontade, ou só sentimento.

A dança, porém, exige

o ser humano inteiro,

ancorado no seu centro,

e que não conhece a vontade

de dominar gente e coisas,

e que não sente a obsessão

de estar perdido no seu ego.

A dança exige o homem livre e aberto

vibrando na harmonia de todas as forças.

Ó homem, ó mulher, aprende a dançar

senão os anjos do céu

não saberão o que fazer contigo.