BASQUETE

Atleta do sub-13 volta aos treinos pós-acidente

Em fase de readaptação, Matheus de Souza Segala recebeu apoio dos colegas; jogador ficou uma semana na UTI

THIAGO MORELLO - Da Reportagem Local • 03/08/2018 04:52:00

acidente, Matheus ainda viu uma luz no fim do túnel. Foto: Marcio Oliveira: Pós

Aproximadamente 1,54 cm e mais ou menos 35 kg é o que formam Matheus de Souza Segala, 13 anos, atleta do time masculino de basquete sub-13 de Presidente Prudente. Apesar dos números que o precisam, meramente a título de curiosidade, não há peso ou medida que possa quantificar o que mais tem lhe representado nos últimos dias, e que vai além do físico: garra. Depois de cinco meses, o jogador retomou boa parte de sua rotina, inclusive aos treinos normais com todo o grupo. Nesse meio tempo, ele ficou em processo de recuperação e readaptação do corpo, após sofrer um grave acidente em fevereiro.

Como acompanhado por O Imparcial, Matheus foi vítima de um atropelamento na Avenida Brasil, área central de Prudente, por uma motocicleta. Na ocasião, o condutor do veículo disse à Polícia Civil que estava em trânsito no sentido centro-bairros e em obediência ao sinal verde do semáforo, quando chegou no ponto citado e atropelou o jovem atleta, que estava atravessando a via na faixa de segurança. O acontecido fez com que o pequeno ficasse em torno de duas semanas internado no HR (Hospital Regional) do município, sendo uma delas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Naquele mesmo dia, o técnico do garoto, José Alves da Silva Júnior, Negativo, treinava outro grupo. Era por volta das 20h, quando ele recebeu a ligação que contava sobre o acidente. “Aquilo foi uma coisa muito difícil de ouvir. Eu só conseguia imaginar como aconteceu e louco querendo saber se ele estava bem ou não”, conta. À reportagem, ele ainda completa que durante todos esses meses, a prioridade era que ele se recuperasse logo e pudesse voltar a treinar.

E em um resultado de junção entre “Deus e Medicina”, como o próprio técnico diz, o pedido aconteceu. Hoje, em uma semana intercalada com treinos e fisioterapia, Matheus voltou a jogo, literalmente. Aliás, voltou com mais vontade ainda e um pique total, se for julgar pelo depoimento de Negativo, que destaca a performance do menino, ao contar que “a orientação é de que ele comece com calma, se adaptando. Mas quem segura? Ele não para. Está saudável e não quer nem descansar”. Ainda segundo ele, os cincos meses foram de oração e preocupação, de modo que atingiu até mesmo o psicológico da equipe. “Ele fez muita falta”, comenta.

Mas não faz mais, porque já está de volta à ativa, mesmo que aos poucos. Ele até mesmo não quer lembrar sobre o acidente, mas sim seguir em frente. Questionado sobre o que passou na sua mente naquele momento, ele resume: nada. “Foi chato passar por tudo isso, mas eu não conseguia pensar. Foi muito triste o que aconteceu”, frisa o jovem atleta, que dá espaço até para um olhar cabisbaixo e um olho cheio de lágrima.

Porém, apesar da emoção, o que toma conta é o trabalho em equipe, com direito até a trote.  Matheus, que na verdade é mais conhecido como “pulga”, ainda brinca que o seu retorno foi digno de animação, “festa e gritaria”, e até mesmo uns “tapinhas” de boas vindas. “Estou feliz por voltar a jogar e minha família sempre me apoiou. Todo mundo me recepcionou muito bem”, ressalta. Sobre o futuro, ele afirma que leva o esporte como um hobby, mas adora competir.

Porém, isso não deve voltar a acontecer ainda esse ano. De acordo com o técnico, o mais importante aconteceu, isto é, o retorno, mas a volta para as competições deve acontecer somente ano que vem. “Faz falta sim para o grupo todo, para o rendimento geral. Mas é importante que ele esteja 100% recuperado e oferecendo o melhor que ele possa”, finaliza.

O que pode ocorrer o mais rápido possível, se depender do Matheus. No final da entrevista ele já volta para o seu lugar de origem: a quadra. De longe, quem olhasse ficaria até curioso e surpreso ao ver que em meio ao grupo todo, o menor deles, o próprio pulga, exibe um sorriso e uma vontade de jogar que é nítida no corpo, e sobressai até mesmo as cicatrizes de um período difícil e que também estão expostas no seu tronco, pernas, mãos e cabeça. Esse mesmo olhar saiu do técnico, às margens da quadra, que não deixa de dizer: “Foi Deus!”.

 

 

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