Weverson Nascimento - Serviço de saúde mental oferta consultas médicas aos pacientes

Foto: Weverson Nascimento - Serviço de saúde mental oferta consultas médicas aos pacientes

ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

Atendimentos nos Caps crescem 36,97%

Em Prudente, serviços de saúde mental tiveram 68.344 registros no ano passado contra 49.897 em 2018; casos de adoecimento emocional na cidade acompanham realidade global, diz pasta

  • 31/01/2020 04:01
  • ANDRÉ ESTEVES - Da Redação

Em 2019, o total de atendimentos contabilizados nas quatro unidades do Caps (Centro de Atenção Psicossocial), em Presidente Prudente, cresceu 36,97% em relação ao ano anterior. Em 2018, foram 49.897 registros, número que saltou para 68.344 no ano seguinte. Os dados foram levantados junto à Secretaria Municipal de Saúde, que atribui o cenário ao aumento global dos casos de adoecimento emocional. Segundo a pasta, com base em estudos da OMS (Organização Mundial de Saúde), os casos de depressão tiveram avanço de 18,4% desde 2005, sendo que, no Brasil, 75,3 mil trabalhadores foram afastados pela Previdência Social em 2016. O país é considerado campeão de casos na América Latina, com 5,8% da população com depressão. “Assim, a situação observada no âmbito da rede municipal de saúde mental de Prudente não se distancia da realidade mundial”, expõe.

Para dar conta desta demanda, a rede municipal de Saúde investiu, em 2019, R$ 9.966.782,16 em saúde mental. O valor é 5,13% maior do que a quantidade injetada em 2018, quando foram aplicados R$ 9.480.017,35. Segundo a pasta, a crise econômica que engloba o país também alcança as políticas públicas em geral, inclusive a saúde mental em todo o território brasileiro, incluindo Presidente Prudente. “No entanto, diante dos desafios, a gestão municipal prioriza a qualidade e o atendimento junto a esse público sofrido que vem crescendo consideravelmente”, avalia.

Hoje, Prudente dispõe de quatro unidades de Caps para atendimento aos munícipes em sofrimento psíquico ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Tratam-se do Caps AD 3 24 horas e Caps 2 Infantil, localizados na Cohab; Caps 2 Maracanã; e Caps 3 Ana Jacinta 24 horas. Nos locais, são ofertadas consultas médicas, terapia ocupacional, psicoterapia, escuta psicológica, acompanhamento de enfermagem e assistência social, orientações, oficinas artesanais, atividades com educador físico em saúde, reuniões familiares, assembleias, articulação com a rede socioassistencial e familiar, passeios, entre outros, e, quando necessário, realizam-se as visitas e atendimentos domiciliares aos usuários do serviço, além do acompanhamento de serviço de residência terapêutica.

INTEGRAÇÃO

EM SOCIEDADE

Prudente administra, em parceria com o Ciop (Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista), seis serviços de residências terapêuticas com capacidade de 10 moradores cada, totalizando 60 moradores. A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que, atualmente, as 60 vagas estão preenchidas. “Antigos pacientes moradores de hospital psiquiátrico se beneficiam como moradores vitalícios das residências, despertando-os para o sentimento de pertença da sua residência/casa”, comenta.

As unidades estão distribuídas da seguinte forma: duas no Jardim Universitário, uma no Vale do Sol, uma no Cambuy, uma no Petrópolis e uma no Alto da Boa Vista. “Estamos preservando os endereços, pois uma das propostas de trabalho com os moradores trata da integração na sociedade, perdida com o longo período de internação psiquiátrica no modelo asilar”, explica.

Cada casa conta com um técnico de enfermagem de segunda a sábado e dois cuidadores por turno, com carga horária de 12h por 36h, conforme preconiza a Portaria 3.090 de 23 de dezembro de 2011. Também recebem acompanhamento por técnicos do Ciop (gestão compartilhada) e pela Supervisão de Saúde Mental, no que tange à administração da casa.