Até Deus duvida!

  • 03/09/2019 02:26
  • Walter Roque Gonçalves

Segundo o site floresta-amazonica.info, “a Floresta Amazônica é abundante em vários recursos e funciona como um grande reator para o equilíbrio da estabilidade ambiental do planeta. (...) Libera 7 trilhões de toneladas de água para a atmosfera e deságua 20% de água doce no Oceano Atlântico a cada ano”. A importância da preservação é evidente e afeta todo planeta. No entanto, a preocupação dos outros países como a Noruega, materializada em doações que chegam a R$ 3,2 bilhões para o Fundo Amazônico, a fim de preservá-la, causa alguma estranheza. É como diz o presidente Bolsonaro: “É muita grana para pouca preservação”. Os fatos nas entrelinhas destas doações merecem atenção e podem revelar intenções que “até Deus duvida!”.

Bilhões de reais destinados à preservação da floresta manteriam um verdadeiro exército com tecnologia de ponta para fiscalização da Amazônia legal. Olhando por este ângulo, R$ 3,2 bilhões parecem sair bem caro para eles. Será mesmo? Estamos num mundo capitalista, onde ninguém investe um dinheiro desses sem ter algo em troca. Digo isso por informações divulgadas pela BBC, emissora de TV do Reino Unido, que aponta que a multinacional produtora de alumínio Norsk Hydro, que explora a região de Altamira no Pará (onde se encontra o maior índice de desmatamento), tem como principal acionista o governo da Noruega.

No mesmo artigo, o Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) revela que somente de isenções fiscais a Hydro recebeu R$ 7 bilhões do governo brasileiro. Soma-se a este fato quase 2 mil processos por contaminação por chumbo na região. Moradores foram desapropriados e muitos não receberam as indenizações garantidas por lei. Pesquisas feitas pela UFPA (Universidade Federal do Pará) indicaram que ao menos 20% dos moradores da região apresentam concentração de chumbo no corpo, sete vezes maior do que a média mundial.

Preservar a Amazônia é necessário, no entanto, muitos dos estrangeiros estão na contramão da real preservação da floresta. O dinheiro enviado para o país, até o momento, parece ser pouco, perto dos recursos disponíveis. Será que tudo que é retirado da Amazônia é feita de forma legal? Bem difícil acreditar! Isto faz lembrar do roubo - não esclarecido - de 700 kg do ouro no Aeroporto de Cumbica, São Paulo, em julho deste ano. De onde veio? Para onde estava indo? Ninguém explicou até hoje. Mistérios como este ou até mesmo os propósitos estrangeiros para a Amazônia podem esconder intenções que “até Deus duvida!”.

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Walter Roque Gonçalves

Walter Roque Gonçalves

Walter Roque Gonçalves é consultor de empresas, professor-executivo e colunista da FGV/ABS (Fundação Getúlio Vargas/América Business School) de Presidente Prudente.

Contato: fb.com/jkconsultoriaempresarial/

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