​​​​​​​VISÃO DE MERCADO

Artistas apostam em autogestão para gerir carreiras

  • 01/06/2019 06:50
  • Da Redação

A tendência de uma amizade verdadeira é o seu fortalecimento, cada vez mais acentuado com o passar dos anos. Distante ou bem próximos, isso é o que menos importa. E os violeiros Bruno Sanches, 31 anos, e Anderson Chizzolini, 30, são provas bem reais dessa afirmação. Mais a frente saberão um pouco mais sobre essa ligação. Agora, Bruno Os dois já estudaram juntos, dão aulas juntos e agora eles estão empenhados na autogestão de carreira. O que segundo Bruno, há algum tempo já vem em andamento e sendo estudado por Anderson, sua esposa Larissa Maria Chizzolini de Castro Alves, 34 anos, que é formada em Administração com especialização em Gestão Cultural e políticas públicas para a cultura e, o também artista, o fotógrafo Marcel Sachetti, 37 anos, colocando em prática a ideia de uma produtora, que, inclusive, já tem nome: “Mae da Lua”.

“E para consolidar a produtora decidimos realizar um show, hoje, ‘Dança dos Vagalumes’. Nele resolvemos agregar mais uma linguagem artística, exposição de quadros do artista plástico Roberto Bertoncini, o Berto, e fotos do Marcel que cuidou de todo o material visual do projeto. O Anderson que já trabalha com edição de vídeos, se encarregou dessa parte. Ou seja, estamos dividindo as tarefas da produtora de acordo com as habilidades de cada um”, expõe Bruno.

Larissa é aquela pessoa importante que fica por trás de praticamente toda a parte que ninguém vê explicitamente em um show. Ou seja, em toda a produção executiva e cultural. “Acredito que seja fundamental para que o show aconteça nos mínimos detalhes, manter tudo em ordem para que os músicos estejam tranquilos na apresentação”, expõe a produtora.

Para os que forem ao show, Bruno adianta que o repertório do show de viola caipira de dez cordas com violão de sete cordas será composto por músicas de própria autoria, dos dois, bem como de clássicos de ambos os instrumentos.

Sonho de amigos

Bruno comenta que ele e Anderson cultivam uma amizade há longa data. Fizeram faculdade juntos em São Paulo, ele na USP (Universidade de São Paulo), em viola, enquanto o amigo fez bacharelado em violão na Unesp (Universidade Estadual Paulista) Há muito tempo os dois alimentavam uma vontade de tocar juntos.

“Tivemos um duo quando tocávamos violão de seis cordas, quando éramos alunos na Escola Municipal de Artes Professora Jupyra Cunha Marcondes, com o professor Ademir Faccioli. Hoje estamos num projeto novo que é a Camerata de Cordas Brasileiras, fora da escola, atendendo alunos da periferia. Bom, e nessa convivência toda resolvemos retomar o duo e fazer esse show”, ressalta feliz o violeiro.

Sobre a ideia da autogestão Bruno diz que tem a ver com o novo mercado musical, não em Presidente Prudente, especificamente, porque não tocam apenas na cidade. Mas, começar com o show local “é para mostrar nosso trabalho em nossa região, onde a ideia é expandi-lo. Começar fazer esse tipo de empreendimento no oeste paulista. Nosso objetivo é gerir nossa própria carreira. Temos que ter tempo para produzir o nosso trabalho”, pontua o artista.

BREVE HISTÓRICO

Música, poesia, arte

Bruno Sanches nasceu em 8 de março de 1988, em Presidente Prudente. Mas, passou toda sua infância e adolescência em Regente Feijó, no Distrito Espigão. Em família sempre conviveu com a música, a poesia e o meio rural. O interesse pela música surgiu cedo e começou a estudar violão quando tinha 11 anos. Aos 15 decidiu que seria músico profissional e sob orientação dos professores Maria Cláudia Chizzolini e Ademir Faccioli foi construindo sua relação com o violão e a música, pois desde cedo já transitava da música clássica europeia à canção popular brasileira. Aos 17 se formou no curso técnico de instrumentista da Jupyra e aos 19 ingressou no curso de música da ECA-USP, onde descobriu sua paixão pela viola de dez cordas, instrumento com o qual consolidou sua carreira musical.

Através das diversas experiências com este instrumento, Bruno Sanches se tornou um artista que busca conhecer a alma brasileira através da música, da devoção a São Gonçalo, dos fandangos e das folias. Seu espírito andejo faz com que percorra diversas estéticas musicais com sua viola. Neste ano ele lançou seu CD solo, "Do Barroco às Barrancas do Rio", em todas as plataformas  digitais de música.

Anderson Chizzolini desponta entre os novos talentos do violão brasileiro, selecionado para o Festival Internacional de Música de Campina Grande e para série Talentos  do canal do youtube, Um Café La Em Casa.

Bacharel em violão pelo Instituto de Artes da Unesp. Seu trabalho de conclusão de curso teve como tema: “O Sincretismo Musical no Violão do Brasil”. Aprovado com nota máxima e condecorado com prêmio de excelência acadêmica pela banca examinadora, em 2011.

No Conservatório Municipal, cursou as matérias Harmonia, Percepção, Violão Erudito e Popular (2006). Compôs a trilha original do curta metragem  "Uma canção para o silêncio"  encenado por Othon Bastos (2016). “Plenilúnio” – Obra utilizada como trilha do curta metragem “Desumanidades: Cinco relatos sobre violência sexual”, realizado pelo Museu da Pessoa para exposição no Canadá (2016), “Quinteto Memorial” – Escrito para rabeca, violão de 7 cordas, violino, viola e cello – Estreia no III Festival de Música de Presidente Prudente;  E foi registrado em áudio 3D (2016). Compôs a trilha da peça “O canto do Cisne” – Cia Mênades e Sátiros de Presidente Prudente (2015).

Sua experiência profissional é extensa!

Marcel Sachetti fotógrafo  natural de Presidente Epitácio (SP), despontou seu interesse na fotografia em 2004, dois anos antes de ingressar na Facopp (Faculdade de Comunicação de Presidente Prudente).

Em pouco tempo estagiou entre agências, estúdios e revistas projetando-se no mercado da arquitetura e decoração, moda,  eventos corporativos e institucionais, contudo destacou-se efetivamente através de trabalhos autorais e capturas de shows com bandas de projeção nacional e renomados artistas regionais, tornando-se desta forma uma referência na área.

Em 2015 voltou à Facopp, desta vez compondo a primeira turma de fotografia da faculdade, abrindo desta forma, portas para experiências mais intensas relacionadas aos campos da filosofia dentro da fotografia, agregando maior sensibilidade aos projetos autorais e sem deixar os palcos e trabalhos com artistas.

Há quase 15 anos fotografando, o artista estimula olhares através de composições únicas e conexões notáveis com os motivos fotografados, levantando percepções estéticas não notadas e questionamentos reflexivos necessários para o âmbito humanizador e social. Marcel configurou os próprios meios de composição e apostou em liberdade na fotografia, única forma talvez de enfatizar o valor que devidamente atribui aos instantes físicos e humanos, intensificados e enriquecidos pela qualidade e diferenciação de captação/tratamento.

“A fotografia deve ser um irrecusável mergulho, ressaltando o caráter 
real a ser, fundamentalmente, uma memória fiel; uma tradução dos meus olhos registrada para o resto dos tempos”, destaca o fotógrafo várias vees premiado.

SERVIÇO

O show “Dança dos Vagalumes” será no  Aruá hotel, com início da exposição às 19h e do show às 20h. Os ingressos, terceiro lote a R$ 40, estão à venda somente pela plataforma sympla:

https://www.sympla.com.br/danca-dos-vagalumes__527111

 

REPERTÓRIO

Forró de gala (Anderson Chizzolini)

Sete Baixos (Anderson Chizzolini)

Dança dos vagalumes (Anderson Chizzolini)

Mãe da Lua (Anderson Chizzolini e  Gabriel Guedes)

Amantikir (Bruno Sanches)

Brincando com a viola (Bambico

Xote Morena (Anderson Chizzolini)

Frevo traíra (Anderson Chizzolini)

Capricho Perfumado (Bruno Sanches)

Catira do Vale (Bruno Sanches)

Nhanduti (Anderson Chizzolini)

Tico Tico no Fubá (Zequinha de Abreu)