Artista plástico visual, deixa sua marca em sala de empresa

Variedades

| OSLAINE SILVA - Da Redação

Uma das principais agências de Presidente Prudente, a Raro! Branding & Design, comemora dez anos nesta terça-feira. E, para comemorar a data, deu cara nova a uma das salas da empresa com uma obra digna do artista plástico visual, de Assis, Anderson Ferreira Lemes, conhecido no meio artístico como Alemão!

Ontem, em sua página oficial do facebook a agência publicou: “Navegar é preciso! E mudar o cenário da firma também! Misturamos arte com personalidade para mostrar que mesmo com a experiência de uma década, a motivação de ir atrás do novo é a mesma do primeiro ano. E para dar início às comemorações, a sala de criação está de cara nova! A arte ficou por conta do alemaoart que caprichou no grafite e trouxe muito mais energia para o dia-a-dia do #TeamRaro”.

Para complementar, a reportagem teve um breve bate-papo com um dos sócios-proprietários da agência, Rodrigo Braga que explicou que não conhecia Alemão pessoalmente, mas viu um trabalho seu na internet e gostou muito. “Escolhemos ele exatamente por ser um artista distinto que tem um design próprio que quando a pessoa bate o olho sabe que o trabalho é dele. Sem contar a semelhança grande com a nossa linha criativa de trabalhos autorais. Soubemos que ele era da região e que já tinha feito um trabalho por aqui, entramos em contato e o trouxemos para a Raro, no sábado. Ele se empolgou tanto que vai deixar a arte dele expressa em um muro no Parque do Povo”, expõe Rodrigo Braga sócio proprietário da agência com seu irmão Carlos Braga.

 

Satisfação no que faz

É verdade que pessoas humildes só tendem a ter bons retornos em sua vida. Alemão é dessas pessoas que apenas na voz já revela que além de bom no que faz é um ser do bem! Ele que tem mais de 40 exposições pelo Brasil e Europa, além de suas obras em revistas e outras mídias, adorou o convite de Rodrigo para deixar uma das paredes da Raro com mais vida.

Perguntado a ele se existe alguma mensagem implícita em seus trabalhos, Alemão responde que a arte é muito complexa para se deixar uma mensagem. Isso porque para ele, ela é muito mais do que um simples elemento pintado. É algo que vem de estudos, teoria, viagens, livros, ou seja, de várias coisas.

“A arte é meramente humana. Eu posso até querer transmitir algo, mas a pessoa que observa a obra certamente tem outra realidade, outra concepção. Então, por exemplo, na Raro fiz os super-heróis gordinhos, de acordo com a minha visão. Em meu modo de ver eles são como nós, seres humanos e não cheios de poderes como passam na TV. Além disso, coloquei neles descontração, alegria, coisas engraçadas”, frisa.

O artista complementa ressaltando que gostou muito do que Rodrigo lhe pediu: que ele desenhasse super-heróis que é algo que embora ele goste muito, trabalhou pouco até hoje. “O legal é que os pintei de acordo com a minha releitura. Fiz um estudo exclusivo para a agência do Super Homem, Homem Aranha”, acentua.

 

Foto: Cedida, Obra concluída: cores, alegria, luz darão muito mais energia aos criadores da agência

É dom mesmo!

Perfeccionista, mas sem neura, Alemão revela que como é algo que vem desenvolvendo, praticando há muito tempo, entende como simples seu processo de produção/criação. Isso porque antes mesmo de desenhar ele já criava coisas. O aprendizado da parte teórica, o conceito mesmo do desenho veio depois. Segundo ele, a partir de palavras chaves que as pessoas lhe dão as ideias surgem naturalmente.

“Por exemplo, celular, telefone, antena parabólica são palavras chaves. Pego os elementos e vou criando a partir da minha concepção. É bem natural [risos]. A produção do grafite em si é a preparação. Quando a parede já está pronta, como na Raro, é só riscar os desenhos e depois ir trabalhando com os sprays”, frisa.

 

Trajetória

Falando sobre sua profissão, Alemão enfatiza que arte no Brasil é uma das mais difíceis que existe. Talvez por as pessoas acharem que é algo dispensável. “Em nosso país a preocupação é mais com o comer, se divertir de alguma maneira, a arte fica meio que de lado. Fazer parte desse nicho tão pequeno é uma bolha. A questão das artes visuais é você no ateliê e depois em exposições, isso quando consegue fazer, o que é bem difícil”, pontua o artista.

Alemão conta que começou com o grafite em Assis, em 1998, sendo o precursor do street art na região, pois não tinha nenhum grafiteiro em Marília, Ourinhos, etc. Por conta disso, pintando muros, sofreu seis apreensões, respondendo B.Os (Boletim de Ocorrências) por fazer arte na rua, sendo confundida com pichação.

“Vim desse movimento underground e peguei a parte que era da marginalidade do street art e por gostar mesmo [não esperava me tornar um artista] e de tantos falarem que eu não conseguiria viver de arte, fiz faculdade de Educação Artística para dar aulas de Artes, porque eu já estava quase acreditando que realmente era impossível viver dela. Dei aulas por três anos e meio e na era da internet comecei a postar fotos de minhas obras e várias pessoas começaram a ter acesso”, lembra.

 

Molte Grazie!

Alemão diz que não tem como esquecer e não dizer vezes e mais vezes: “molte grazie!” ao italiano, Ézio Dellapiazza, que em 2012 comprou 15 obras dele. Depois disso, em 2013, fez sua primeira exposição individual em Domodossola, Itália e não parou mais. “Consegui entrar nesse meio que eu digo que é uma bolha! Um mercado muito difícil de fidelizar e de luxo também. Hoje uma obra de arte minha varia de R$ 5 mil a R$ 15 mil, valores digamos que muito distantes da realidade brasileira. Talvez por isso eu venda mais lá fora do que aqui dentro país. É um mercado de formiguinha, uma exposição aqui, outra ali...”, destaca o artista.

Ele afirma que aquela história de que a maioria dos artistas é louco e vagabundo é totalmente mentira porque hoje ele trabalha muito mais do que quando lecionava. Às vezes é uma, duas horas da manhã e ele está pintando para entregar encomendas, fechar agenda.

“O trabalho de arte é constante. Se você achar que vai pintar uma, duas telas e isso vai te sustentar por um tempo, é ilusório. Você tem que pintar sempre porque tua arte tem que estar em vários lugares e ao mesmo tempo. Assim as pessoas vão conhecendo seu trabalho e o valorizando. Hoje eu trabalho com mais de 30 galerias, dez na Europa e 20 aqui no Brasil”, comenta.

 

Rica infância

Anderson comenta que há três coisas da sua infância que o acompanham até hoje: seu apelido, Alemão, e ele não tem nada desse adjetivo; a bicicleta que ele sempre gostou de andar e pratica até hoje sendo ciclista e, desenhar, coisa que ele sempre amou. Esses três elementos fazem parte dele, não os esquece. Talvez por isso tenha dado tão certo com suas obras: voltar à nostalgia da infância, de coisas que eram mais leves. O seu mundo lúdico.

“E têm muitas pessoas que se identificam com alguma coisa nela exposta sejam as cores, elementos... Esse é o X da questão, fazer algo do coração para que as pessoas comprem ‘sentimentos’, assim como foram importantes para mim como Pablo Picasso, Salvador Dali, Vincent Willem Van Gogh, Oscar-Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, entre outros tantos que são referência e nostalgia em minha profissão!”, exclama.

Uma história muito especial sobre Alemão, que relaciona diversos contextos sociais pode ser vista no documentário Arte[i]Legal de 2014.

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