Um olhar diferente

Arquitetura de PP é exaltada em fotos de universitária da Facopp

Jhey Rodrigues articula novas percepções, formas de ver, observar por novos ângulos as edificações urbanas; trabalho esteve durante todo mês de outubro no museu

OSLAINE SILVA - Da Redação • 04/11/2018 06:00:00

Durante todo o mês de outubro quem passou pelo Museu e Arquivo Histórico Prefeito Antonio Sandoval Netto se deparou com uma exposição interessante, denominada “Linhas”, uma produção da estudante de Fotografia da Facopp/Unoeste (Faculdade de Comunicação de Presidente Prudente da Universidade do Oeste Paulista), Jhenifer Rodrigues de Almeida, mais conhecida em sua área por Jhey Rodrigues, 22 anos. Em suas imagens ela articula novas percepções da arquitetura urbana sob outras formas de ver, perceber, observar por novos ângulos as edificações arquitetônicas.

Jhey explica que a exposição surgiu por conta de sua TCC (Tese de Conclusão de Curso) que tem o mesmo título -na questão de observar e fazer as fotos em P&B (preto e branco)-, além de um projeto autoral mais ou menos no mesmo estilo que ela fez no campus 2 da universidade, qual decidiu expandir para a Avenida Washington Luiz,  onde mora.

“Estou me descobrindo nessa área da arquitetura, no sentindo de que temos vários ramos, principalmente na Facopp. Ainda estou me identificando com outras coisas, mas sempre gostei de fotografia de rua, mais espontâneo, do dia a dia, fotojornalismo e documentário [que tive aulas e gostei bastante]. E na fotografia de arquitetura comecei a observar melhor os lugares onde passo, os desenhos que formam, os ângulos que são possíveis tirar e que prendam a atenção do receptor...”, explica a fotógrafa.

Essa é a segunda exposição de Jhey que afirma que para ser bem sincera não acreditava em um retorno tão grande. Ela diz que estava insegura, indecisa, com medo do que as pessoas iriam pensar da proposta do trabalho. Jhey comenta que queria ter exposto em algum lugar da própria Washington Luiz, mas o tempo estava muito corrido e não deu tempo. No entanto complementa exaltando o quanto foi importante fazer no museu.

“Foi muito legal porque inclusive deu mais visibilidade para o próprio museu que é tão importante. Minha intenção é levar essa exposição para outros lugares e não deixar apenas no meio acadêmico. Oferecê-la à população. A galera realmente olha e para tentando decifrar onde são os lugares que estão ali ilustrados. Eu como sempre ando de bicicleta procuro observar por onde eu passo, volto fotografo... Desejo que as pessoas passem a fazer essa leitura por onde andam também, é muito legal!”, exclama a jovem.

 

Além de um click

Jhey ressalta que o legal do curso é que o estudante passa a ser mais critico em relação à fotografia. Isso porque percebe que não é só uma questão de apertar um botão e clik, mas tem toda uma questão do que se quer passar, enquadramento, balanço de branco, foco, ou seja, das coisas mais básicas às mais complexas. Para ela o curso abriu novos olhares e o pensar antes de fotografar, e não depois. Jhey explica que a fotografia é livre para quem a observa fazer uma leitura, quando ela não tem uma legenda.

“O curso me proporciona isso, critica e curadoria, fotografia institucional, arquitetura e interiores, enfim, várias coisas como a história da fotografia, a arte nela envolvida. Quando falo em insegurança é no sentido do que as pessoas vão achar do meu trabalho, uma vez que estou começando agora. Acho que dei uma ousada e sai da zona de conforto”, destaca.

 

Pesquisas e execução

Cássio Vasconcelos que faz uma série de noturnos em vários lugares foi um fotógrafo peça chave nas pesquisas de Jhey. Ela explica que no caso dele seu trabalho é com muito mais cores. Ela pegou então como referência um que ele fez em São Paulo mostrando que as pessoas não conhecessem ou nunca pararam para observar os lugares por onde andam.

“Fiz as fotos em um dia em dia nublado e não tive o resultado que eu queria. Depois, em dois dias fiz mais ou menos 80 fotos da avenida inteira, das 11h às 17h. A intenção era trabalhar bastante a questão de sombras, por isso, antes disso fiz uma pesquisa de campo observando os pontos dela em que batia uma luz melhor [porque a Washington Luiz é bem dividida, parte para quem sobe está mais iluminada e para quem desce sombra]. Fui para casa editei, não deu certo, voltei. Eu precisava de 30 fotos...”, lembra a jovem universitária.

Jhey fala de forma entusiasta sobre o que conseguiu captar trabalhando curvas, executando “Linhas”. Isso porque para ela, os prédios de Prudente tem linhas e curvas muito interessantes, uma arquitetura moderna muito legal.

“A proposta do projeto era arquitetura minimalista por isso o título ‘Linhas’, para chamar a atenção de quem fosse ver a exposição e para que faça a pessoa pensar quais os lugares aquelas fotos foram feitas. Várias pessoas perguntaram se eram locais alternados da cidade e quando respondi que era da Washington Luiz comentavam: “Nossa que legal nunca parei para observar dessa maneira. Esse retorno é muito satisfatório. É legal de verdade!”, exclama a futura fotógrafa.

 

Amor pelo registro

Jhey está prestes a se formar em Fotografia na Facopp. Mas o eu interesse por registrar coisas, pessoas, histórias por meio de fotos surgiu mais ou menos por volta dos seus 13 anos. Ela conta que sua primeira câmera, que comprou com seu próprio dinheiro, foi uma FujiFilm super zoom. Na época ela que fazia teatro aproveitava para fazer fotos dos espetáculos, na casa da avó. Enfim, imagens aleatórias. Sempre procurava participar de cursos e workshops em Birigui, sua cidade de origem, e da região, como Araçatuba que fica ao lado.

Até que prestando o vestibular para outras coisas, não sabia que existia curso superior de fotografia. Acreditava que tinha apenas curso tecnólogo oferecido pelo Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Acabou ganhando uma bolsa do Prouni, tinham outras opções, mas escolheu fazer em Prudente por ser mais perto de casa e considerar a faculdade muito boa.

“E ai ela vim sozinha para estudar. Antes de começar meu TCC, meu intuito era mais trabalhar com a fotografia de rua, documental. Até que conversando com meu orientador [Rubens Cardia], pesquisando melhor sobre, decidi não trabalhar só a arquitetura, mas o minimalismo. Comecei a pesquisar fotógrafos que trabalhavam com arquitetura minimalista externa, com P&B, o tipo de luz que deveria trabalhar... e o resultado está ai. Quem sabe não consigo levar a exposição para algum espaço na Washington Luiz!”, anseia a fotógrafa que articula novas percepções da arquitetura urbana sob outras formas de ver, perceber, observar por novos ângulos as edificações arquitetônicas da cidade.

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