Cotidiano

Após reajuste na tarifa, população deve vigiar por qualidade do serviço

11/01/2019 05:02 •

A Prefeitura finalmente decidiu pelo reajuste de R$ 3,80 para a tarifa de transporte coletivo em Presidente Prudente, na manhã desta segunda-feira, por meio de recarga no cartão e R$ 4 para quem pagar em dinheiro. Felizmente foi possível chegar a um acordo e manter cifras bem inferiores ao solicitado inicialmente pela Prudente Urbano, que previa elevar o valor para R$ 4,35. Por meio da negociação a empresa conquistou ainda uma redução no ISS (Imposto Sobre Serviços) pago, o qual reduzirá de 5% para 2% caso a Câmara aprove.

Agora será importante que a população mantenha-se atenta e vigilante à qualidade do serviço de transporte, que não deve reduzir, mas ampliar com o novo aumento da tarifa. Isso passa pela logística, com a implantação do sistema troncal de transporte – utilizando os quatro terminais urbanos e interligando mais as linhas - em lugar do sistema radial que funciona hoje, no qual praticamente todas as linhas passam pela Praça Nove de Julho, no centro da cidade, fazendo com que muitos passageiros precisem dar voltas sem tamanho para ir de um ponto a outro, sem necessidade, quando poderiam fazer integração e ter uma viagem mais satisfatória e curta.

Esse aprimoramento do serviço também passa pelo pleno funcionamento das novas tecnologias, com investimento no aplicativo que mostra as rotas e a localização dos veículos por meio do GPS, bem como por alterações viárias que desafoguem o trânsito nas principais vias, tal qual a criação de corredores para ônibus nas principais avenidas da cidade. Essas cobranças devem ser também responsabilidade do Poder Legislativo, que é composto (ou deveria ser) por representantes dos interesses da comunidade local, sendo o transporte coletivo uma pauta extremamente relevante e de impacto direto na vida dos prudentinos. 

Oferecer um transporte público de qualidade não trata unicamente de política pública e amparo à população, mas da construção de um projeto de cidade em um novo modelo, mais sustentável, com consciência de coletividade e, portanto, socialmente próspero e benéfico a todos. Apesar do individualismo que cada vez mais assola as relações humanas, tornando-as herméticas, apáticas, frágeis e superficiais, a realidade é que – ainda que não tenhamos essa percepção – somos mais fortes quando coexistimos de uma maneira harmônica. A humanidade só chegou a um nível tão complexo de desenvolvimento pelos hábitos por conta dessa vida compartilhada, de modo que ignorar essa realidade ou tentar abafá-la não é apenas estupidez, mas consiste em um perigo para a perpetuação de nossa presença no planeta.