Após atraso, MEC realiza pagamento de auxílio

GABRIEL BUOSI • 06/03/2018 11:45:06

O pagamento da Bolsa Permanência, que destina-se aos estudantes com bolsa integral em utilização do Prouni (Programa Universidade para Todos), após atraso desde o dia 15 de fevereiro, ocorreu ontem aos 7,5 mil estudantes cadastrados no auxílio em todo o país. Após reclamações de alunos de Presidente Prudente, a reportagem entrou em contato com o MEC (Ministério da Educação), e foi informada de que o atraso ocorreu por uma mudança interna na tramitação, ação que envolve a Sesu (Secretaria de Educação Superior), SPO (Subsecretaria de Planejamento e Orçamento) do Ministério, bem como o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

A Bolsa Permanência, de acordo com o MEC, é destinada aos matriculados em cursos presenciais com no mínimo seis semestres de duração, cuja carga horária média seja igual ou superior a seis horas diárias de aula, de acordo com os dados cadastrados pelas instituições de ensino junto ao ministério. O pagamento do benefício ocorre até o dia 15 de cada mês, no entanto, o valor referente a janeiro e com depósito em fevereiro demorou 18 dias para ocorrer, fato que gerou preocupação aos cadastrados.

É o caso da estudante de Enfermagem da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), Isabella Souza Alves, 23 anos, que recebe a quantia de R$ 400. Questionada, a jovem esclarece que o atraso no pagamento já foi motivo de reclamações em outras datas, como férias ou renovação do benefício, além de dizer que a medida deixa não somente os alunos, mas a família toda em estado de alerta. “Isso é complicado e muito sério. Eu não posso trabalhar por causa dos estágios obrigatórios do curso, então esse valor torna-se mais do que um auxílio, é uma necessidade”, expõe.

A jovem, que está no 8º termo, diz que precisou recorrer ao auxílio financeiro dos pais para manter as contas em dias, como o aluguel, compras em supermercados, além de materiais necessários para a realização das aulas. “Sai da minha cidade [Presidente Venceslau] há três anos, com a certeza de que não passaria por problemas financeiros com o programa, mas não é bem o que tem ocorrido”.

A estudante Bianca Fernandes de Andrade, 19 anos, também do curso de Enfermagem da Unoeste, recebe a mesma quantia em dinheiro e diz que o problema causou transtornos aos familiares, que precisaram se mobilizar para manter o auxílio financeiro. A jovem é natural de Mirante do Paranapanema e afirma ter amigos na mesma situação. “Espero que tudo se normalize o quanto antes. Sabemos que não é um valor que cobre todos os gastos, mas ele faz toda a diferença no fim do mês. Me sustento com a bolsa e preciso desse suporte”, salienta.

 

Esclarecimento

O MEC, por meio de nota ontem, afirma não existir ameaça de corte na Bolsa Permanência do Prouni, além de informar que a mudança na tramitação, que causou as reclamações, já foi concluída e deve evitar novos atrasos em futuros pagamentos. “O fluxo já foi regularizado e os pagamentos devem ser realizados nesta segunda-feira [ontem]. Cair na conta depende de trâmites bancários”, salienta. A nota diz ainda que desde a atual gestão assumiu o ministério, em maio de 2016, “nunca houve” atraso no pagamento, que ocorriam, normalmente, de forma antecipada.

Já a Unoeste, por nota, ressalta que a parte que compete à instituição está devidamente em ordem, já que a universidade assinou o termo da referida bolsa dos seus alunos e passou as informações necessárias para que o órgão federal faça o pagamento. “A universidade, assim como seus alunos, aguarda com ansiedade a resolução dessa questão o mais rápido possível por parte do MEC”, acrescenta.

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