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Anabolizantes: nem sempre são drogas

  • 03/01/2020 04:30
  • Jair Rodrigues Garcia Júnior

Anabolismo significa produção de moléculas, isto é, juntar moléculas pequenas e formar moléculas maiores. Acontece em nosso corpo com proteínas, gorduras e carboidratos. Por consequência, anabolizantes são substâncias naturais ou sintéticas que estimulam o anabolismo.

PROTEÍNAS ANABOLIZANTES

Em nosso corpo, são produzidos naturalmente hormônios proteicos com efeito anabolizante: insulina, hormônio do crescimento (GH), fator de crescimento semelhante à insulina (IGF) e interleucina-15 (IL-15). As condições naturais para produção destes hormônios são alimentação e prática de exercícios físicos.

ESTERÓIDES ANABOLIZANTES

Também são pruduzidos naturamente em nosso corpo e a matéria-prima é o colesterol, por isso são denominados de esteróides. Testosterona, androstenediona e deidroepiandrosterona (DHEA) são os principais. Também são produzidos na mulher em quantidade bem menor do que nos homens. Existem os hormônios análogos sintéticos que reproduzem os efeitos dos naturais e têm prescrições específicas.

PERIGOSA ILUSÃO

Qualquer pessoa pode aumentar seus músculos, porém, poucos chegam à hipertrofia exagerada, porque isso depende da genética, ou seja, a constituição dos músculos ao nascimento. O treinamento, a dieta e a recuperação (período do anabolismo) são os fatores realmente importantes para o ganho. O uso de esteróides anabolizantes sintéticos nada mais faz do que acelerar o processo de ganho até chegar próximo do limite morfológico individual. Ultrapassar o próprio limite, nunca!

NEUROATROFIA

Significa a perda de neurônios e diminuição da massa cerebral. É um dos efeitos prejudiciais dos esteróides anabolizantes. Mas antes desse dano permanente há outro efeito no sistema nervoso que é o aumento significativo da agressividade (quem viu a notícia recente sobre os cães de briga?), que pode levar até à tentativa de assassinato, como já relatado entre usuários.

INFARTO E CÂNCER

Esteróides anabolizantes aumentam o colesterol total e a LDL-col, provocam hipertrofia do coração com espessamento das paredes e diminuição das câmaras, o que faz aumentar o risco de infarto e morte súbita. Nem todo hormônio adminstrado tem efeito apenas nos músculos. Quanto maior a dose, maior quantidade chega ao fígado para ser metabolizado antes da eliminação, o que também aumenta o risco de provocar câncer neste importante órgão.

Sendo racional e utilizando o bom senso, os riscos destas drogas não compensam seus efeitos, que são tão duradouros quanto o tempo de continuidade do uso.

 

 

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Professor universitário e coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Unoeste.

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