Ana Maria mudou

  • 04/10/2019 04:58
  • Maria Angélica Amoriello Bongiovani

Salvador Dalí é um espanhol, muito conhecido pelo modo excêntrico de expressar a arte pela pintura. O curioso é que retratou em uma de suas obras, o sofrimento da mulher daquela época, onde não era permitido ter liberdade de expressão. A mulher vivia de forma enclausurada, impossibilitada de realizar seus impulsos, desejos, instintos e vontades. Especificamente nessa obra, retrata com fidedignidade como eram vistas e consideradas também pela sociedade.

Usa como modelo, sua irmã Ana Maria. “Menina à janela” é o título dessa grande obra de arte. Chama a atenção como a arte em suas múltiplas e infinitas formas de expressões explicita a dor da mulher em toda a sua vivência. Realmente não foi fácil, para nós mulheres, percorrermos essa longa e estreita caminhada em busca pela liberdade.

Salvador Dalí reproduzia em suas obras os delírios, o inconsciente, o oculto, o sonho e o desejo do ser humano. Mas o que me chamou atenção foi a sensibilidade do pintor, em reconhecer a mulher como um ser proibido de existir. Não tinha o direito de realização de seus desejos.

A mulher é fonte inspiradora em muitas obras de arte. Frida khalo, Tarsila do Amaral, Clarice Lispector, etc. também compõem esse repertório publicando a sua forma e seu inconformismo. Ana Maria, de Salvador Dalí, mudou! Atualmente ela não só contempla o belo pelo lado de fora da janela, e sim vivencia o belo, expandindo-se seu horizonte. Uma conquista dela própria.

Se Salvador Dalí estivesse vivo entre nós, retrataria a mulher da atualidade em seus infinitos vértices. Talvez dançando na chuva sozinha. Amamentando em uma avenida movimentada. Tomando conta de um país. Varrendo uma rua com dignidade. Pintaria o amor entre o homem e a mulher simbolizando o equilíbrio.

Amar é aprisionar-se por livre espontânea vontade e liberdade. A contemporaneidade trás todo um movimento de um despertar da mulher para a vida. A cumplicidade extingue e corta pela raiz a tão famosa submissão a que a mulher foi submetida. Em uma relação a dois, não importa como seja constituída essa parceria, o mais importante é o crescimento da dupla. O ideal é que haja liberdade de expressão, companheirismo, crescimento, respeito, amor e sintonia.

 

 

ÚLTIMAS DO AUTOR

“Balão Mágico”

  • 11/10/2019 04:47

O brincar e a realidade

  • 27/09/2019 04:16

Tão longe e tão perto

  • 20/09/2019 04:59